Contra o Orçamento do Estado para 2024

Dich, teure Halle, grüss’ ich wieder,
froh grüss’ ich dich, geliebter Raum!
Elisabeth

I walk the valleys by the Cerne
on a path cut fifteen hundred years ago
and I know these chalk hills will rot my bones
PJ Harvey

***

O espectáculo repete-se.

Efectivamente, continua tudo na mesma, com o poder político a sorrir, a encolher os ombros, a assobiar para o ar e a tapar o sol com a peneira. Por isso, não admira que o episódio de hoje seja idêntico aos anteriores, aquando dos textos apresentados para os anos de 20122013201420152016201720182019, 20202021, 2022 [1] e [2] e 2023. Os papéis são os mesmos e o enredo mantém-se. Os actores, sim, de vez em quando mudam. Os intervenientes de hoje, todavia, já vão na terceira representação desta cena.

Foto: Bruno Gonçalves (https://shorturl.at/fntM7)

E qual é o resumo do enredo? É muito simples: todos os anos, duas personagens sorriem, enquanto uma entrega um texto a outra. E por que motivo sorriem? Não faço a mínima ideia. Provavelmente, não conhecem o conteúdo do texto. Pior, no caso em apreço, desconhecerão o conteúdo das duas propostas anteriores: OE2022 (2/2) e OE2023. Se estes membros da classe política portuguesa lessem aquilo que todos os anos entregam e recebem, saberiam que há um problema. Um problema que se arrasta há imenso tempo. Um problema grave.

Vejamos, pois, uma pequeníssima amostra das pérolas que só não viu quem não leu o conteúdo do Relatório (pdf) que acompanha a Proposta de Lei n.º 109/XV/2 — Aprova o Orçamento do Estado para 2024: [Read more…]

Israel, em conformidade com a sua própria brutalidade

Israel decidiu retaliar contra a população civil de Gaza, como se décadas de opressão naquela prisão ao ar livre não fossem suficientes.

O ministro da defesa, Yoav Gallant, explicou como:

Ordenei um cerco total a Gaza. Corte de electricidade, de comida, de combustível e água. Estamos a lutar contra animais humanos e agimos em conformidade. (tradução livre)

Há quem celebre esta decisão. A mim parece-me algo que Putin faria à Ucrânia, se tivesse essa oportunidade.

O próprio Hitler, podendo fazer o mesmo aos judeus, não teria hesitado.

Não sei quanto a vós, mas eu não partilho valores com este governo de fascistas, que está disposto a matar crianças de fome e sede, para mostrar ao mundo o poderio da sua vingança.

Para um país com um dos exércitos tecnologicamente mais avançados do mundo, matar civis inocentes e destruir as suas casas, hospitais e escolas não é sempre um dano colateral. É, muitas vezes, uma escolha.

Uma escolha que não surpreende.

Surpreende, isso sim, haver quem condene – e bem – o terrorismo do Hamas, ao mesmo tempo que se recusa a condenar o terrorismo de Estado de Israel.

Até porque, convenhamos, massacrar as populações civis nunca foi um problema para os governantes israelitas.

E quem insiste em apoiar o apartheid israelita sabe disso. Em pouco ou nada se diferencia daqueles que apoiam os monstros do Hamas.