Medina no Parlamento: nona dúvida do OE2024 por esclarecer

The tradition that Shun was buried in the ‘Mountain of Nine Doubts’ (九疑山) near the source of the River Xiang, and the Chu cult of Shun under his name of Chong-hua Ag were certainly ancient.
— David Hawkes, The Heirs of Gao-Tang (1984)

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Ao rol de oito dúvidas dos deputados, acrescento esta: acha que um documento com esta qualidade merece discussão?

Já agora, uma décima: leu o Diário da República de hoje?

Não é preciso requerimento.

No entanto, se insistir, pode preencher este modelo de anteontem.

Agradecido.

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Os homens do Hamas são “guerreiros santos”

O Hamas não é terrorista, mas uma organização patriótica que defende o seu povo e o seu território (…) São guerreiros santos.

Quem terá proferido estas declarações?

Ali Khamenei?

Sayyed Hassan Nasrallah?

Vladimir Putin?

Ismail Haniyeh, o hóspede de luxo do ditador do Qatar que gere o Hamas a 2000km de distância?

Bashar al-Assad?

Nada disso: foi Recep Tayyip Erdogan, o autocrata que lidera a Turquia, membro da NATO que ocupa a posição político e geoestratégica mais influente nos dois conflitos em curso às portas da Europa.

Aquele a quem pagamos milhões para impedir a passagem dos refugiados que tentam entrar na Europa vindos do Médio Oriente.

Mas não se preocupem. Desde que os interesses estratégicos dos EUA estejam devidamente acautelados, tem tudo para correr bem.

Teresa Violante explica as consequências do capitalismo selvagem às criancinhas

Na Polónia, a desvalorização do Estado social e dos direitos sociais foi um dos fatores que levou a maioria da população a identificar-se com um projeto assente na corrupção do poder político, no ataque à independência judicial e aos limites ao poder executivo. A degradação do Estado social contribui para a erosão das democracias liberais. Esta é uma lição urgente para a Europa.

O restante artigo está aqui e merece ser lido com atenção. A solução para abater o populismo e os novos autocratas ocidentais e reforçar o Estado Social e combater as desigualdades. Simples assim.

Entretanto, no país onde é mais fácil comprar uma semiautomática do que uma cerveja

um terrorista massacrou 22 pessoas e feriu + de 50 em Androscoggin, Maine. A liberdade de todos comprarem armas como quem compra pão tem corrido maravilhosamente nos EUA.

António Guterres e a coragem de constatar o óbvio

António Guterres não normalizou a violência do Hamas. Muito menos a legitimou. Limitou-se a constatar o óbvio.

O absurdo é tal que há quem nos queira fazer crer que Guterres não condenou o ataque do Hamas, quando o fez sem qualquer tipo de contemplação.

Eis o que disse Guterres:

É importante reconhecer também que os ataques do Hamas não aconteceram no vácuo. O povo palestiniano foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante. Viram as suas terras serem progressivamente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia está asfixiada, a sua população deslocada e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer. Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os terríveis ataques do Hamas, e esses terríveis ataques não podem justificar a punição colectiva do povo palestiniano.

Subscrevo cada palavra. E sinto orgulho na imensa coragem que demonstrou com esta declaração. Senti-me representado. Guterres bem. Muito bem.

Guterres

Foto: Lusa/Observador

Querem compreender o que o Guterres realmente disse? Ainda por cima, estando eu convencido que isso foi deliberado quer pela tibieza que sempre demonstrou quer pela configuração ideológica que o sustenta quer ainda pela incapacidade de encarar seriamente o mundo árabe. É muito facil.

Substituam alguns elementos naquele discurso. Por exemplo, “condeno inequivocamente o holocausto nazi; mas o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos”.

Compreendem o alijar de culpa que está implícito? Compreendem o repartir de responsabilidades que se pretende suscitar?

E não venham com considerações que não é possível comparar o 7 de Outubro ao holocausto. 7 de Outubro foi apenas um dia e além de ter implicado 1400 mortos, revelou um nível de bestialidade e selvajaria provavelmente superior à desumanidade nazi. O holocausto durou aproximadamente 5 anos.