Vergonha perdida

deputados Jorge Lacão (PS) e Carlos Peixoto (PSD), que defenderam uma maioria de não magistrados no CSMP (…)

Afinal,

o regime que está podre somos nós. Não, o povo português não está mesmo nada de parabéns. Fazer cara alegre a turistas vale menos do que cuidar da democracia. E livrem-se de darem maioria absoluta ao PS.

A era do Espírito Santo

O deputado Sérgio Sousa Pinto publicou no jornal Expresso um artigo em que discorre sobre os recentes acontecimentos de Paris, envolvendo pedrada, polícia e povo. Independentemente de se concordar ou não com o que escreve, há uma conclusão que esse artigo de imediato suscita. Sousa Pinto sabe pensar e sabe escrever, coisa que se não pode dizer da quase totalidade dos actuais dirigentes socialistas. Talvez nunca, na história do PS, tenha sido tão acentuado o grau de indigência intelectual e política, transformado que está este partido num bando de Zés Pereiras, tocadores de bombo, cuja principal virtude é não terem rigorosamente virtude nenhuma, além da que os faz tocar bombo alegremente e marchar como bonecos de corda numa procissão de falidos ideológicos. O PS é hoje esta espécie de galinheiro. Uma agremiação de criados de servir e cabeleireiras, incapazes de produzir uma única reflexão válida sobre o seu país ou o mundo, que vá além da cartilha de má propaganda do chefe, ou de umas bojardas inconsequentes sobre touradas e contadores de luz. Chama-lhe civilização. É pouco para um partido estruturante do regime. É muito pouco se tivermos em conta que do outro lado do espelho político está um saco de gatos chamado PSD, cuja genial estratégia é fingir-se morto, chegando a fingir que é morte a morte que, de facto, o atingiu.

E Portugal chegou a isto. À antecâmara da era do Espírito Santo.

Assim vai o PSD, e Portugal não lhe fica atrás…

É natural que em alturas como esta se recorde uma velha e instrutiva história de Churchil, o velho estadista inglês. Conta-se que certo dia recebeu, na bancada conservadora de Westminster, um jovem deputado do seu partido que tinha acabado de ser eleito pela primeira vez. Virando-se para a bancada oposta, onde se sentam os trabalhistas, o jovem deputado comentou: “é então ali que estão os nossos inimigos”. Churchil, com a sua imensa sabedoria, corrigiu-o de imediato: “ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, nesta mesma bancada”. [Read more…]

Se dúvidas houvesse sobre o tipo de políticas deste Governo e a quem elas interessam…

A CIP quer maioria absoluta para o PS.

Caro camarada

Caro Camarada,
infelizmente, não poderei estar presente.

Como sabe, estou suspenso da condição de militante do PS, na sequência de um processo/conspiração disciplinar com vista à minha expulsão do partido, por delito de opinião e outras acusações difamatórias a ser dirimidas em local adequado, depois de uma denúncia do seu amigo e camarada Eduardo Vítor Rodrigues. Sim, esse. O Dr. Luciano Vilhena, presidente da Comissão Federativa de Jurisdição do PS/Porto, explica-lhe. Ele sabe tudo. Embora desconfie que ainda vai ficar a saber mais qualquer coisa. Mas ele é advogado, safa-se bem.
Já agora, como sei que o camarada não é mentiroso, tomei a liberdade de o arrolar como testemunha.
Boa sorte para a festa e grande abraço.

Cordialmente,
Bruno Santos

A ciática de Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva elogiou a mensagem de Mário Centeno sobre a Grécia. Disse ao Expresso que era “perfeitamente normal” e “até simpática”.

Em 2014 defendia exactamente o contrário sobre o resgate português. Leia-se:

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Duas ou três coisinhas sobre Martine

A presença anunciada de Marine Le Pen na Web Summit está a ser contestada pelos talibãs do politicamente correcto, os patrulheiros da opinião no Portugal do sec. XXI. Refiro-me à ala folclórica do PS e suas eminências pardas, Isabel Moreira e João Galamba, Rui Tavares do Livre, que nestas ocasiões procuram mostrar que estão vivos, além do SOS racismo do sr. Ba, o tal que há pouco tempo nos queria retirar uma estátua do padre António Vieira, também o BE pela voz de um tal Fabian Figueiredo, já veio ameaçar com protesto. Até ver, deixo de fora desta paródia o PCP, pelo menos ainda não dei conta que algum dos seus dirigentes já tenha contribuído para este peditório, o que a confirmar-se, uma vez mais, goste-se ou não, há que reconhecer que é um partido institucional e responsável. [Read more…]

O próximo secretário-geral do PS

Os “não pagamos” são soldadinhos de chumbo.

O dia em que o polvo autárquico tremeu

via Expresso

Durante a manhã de ontem, a PJ efectuou cerca de 70 buscas na zona de Lisboa, tendo por alvos a sede concelhia do PS, a sede nacional do PSD, a sede da comissão distrital do PSD, os serviços centrais de Urbanismo da CML e três freguesias governadas pelo PSD: Areeiro, Santo António e Estrela. Outras buscas, que se estenderam a outras geografias, visaram ainda instalações partidárias e escritórios de advogados.

Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. Segundo o MP, citado pelo Expresso, “Um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”.

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Chapeau, Ana Gomes!

Já uma vez lhe prestei uma humilde homenagem: Ana Gomes, a corajosa e consequente.

E continua a merecê-la.

Aqui https://observador.pt/2018/05/26/ana-gomes-erramos-deixando-que-o-pantano-atolasse-o-pais/

aqui https://www.publico.pt/2018/05/11/sociedade/noticia/transferencia-para-angola-e-tremenda-demissao-da-justica-portuguesa-1829651

ou aqui https://www.youtube.com/watch?v=QafVCcHF0gg&feature=youtu.be

Ana Gomes é uma voz que dignifica a classe política, enfrentando os dissimulados, seja do seu partido, seja da união europeia.

Sobre a 5a Diretiva Anti Branqueamento de Capitais aprovada no mês passado pelo Parlamento Europeu, Ana Gomes afirma que, embora sendo um passo na direcção certa: Ficamos aquém de um resultado que poderia ter um impacto global no que respeita à transparência financeira, por responsabilidade do Conselho onde se sentam os nossos governos”.

(…) ainda há muito por fazer, – alguns dos “paraísos fiscais” e esquemas desregulados que facilitam o branqueamento de capitais por organizações criminosas, corruptos e corruptores do mundo inteiro estão instalados – e bem instalados na UE, valendo-se do vazio de décadas de desregulação financeira neoliberal. Há muito a fazer, em especial, contra a captura de alguns Estados Membros por interesses sinistros, como os das máfias que controlam o “e-gambling” e investem em criptomoedas”.

Ana Gomes é genuinamente íntegra e destemida e, como tal, só pode ser desconfortável para o PS e para o PE. Chapeau, Ana Gomes!

Ordenado mínimo abaixo dos mínimos

Segundo a CGTP, o salário mínimo, caso tivesse sido actualizado desde 1974, seria, actualmente, de 1268 euros, tendo em conta a inflação e a produtividade.

Não possuo dados que permitam confirmar ou desmentir esta afirmação, mas parece-me óbvio que, tendo em conta os factores apontados, o salário mínimo não poderia corresponder ao valor actual. Também me parece óbvio que uma pessoa, em Portugal, não pode viver, mal pode sobreviver, com o actual salário mínimo. Mais: quem ganha o dobro do salário mínimo, consegue sobreviver, porque viver é outra coisa.

Se, numa família com dois ou três filhos, houver dois salários mínimos, chegamos a um ponto em que o único pensamento é o de saber como chegar ao fim do mês com as contas todas pagas, num exercício de malabarismo cansativo ao ponto de ser desumano.

Os empresários também são gente, é verdade, e também têm contas para pagar, são também assaltados por um Estado que está ocupado, há vários anos, por gente que está ao serviço de interesses privados poderosos.

É tudo muito complexo, é certo, mas, num país civilizado, é preciso, no mínimo, pensar nas pessoas, a única razão de ser de um país, ao contrário do que gente indiferenciada chegou a afirmar.

Onde estavas tu, passista, quando o teu herói elogiou Dias Loureiro?

Uma turba passista encheu as redes sociais de indignação, por haver uns quantos socialistas a lamentar a saída de Sócrates do PS, socialistas esses que até elogiaram a governação do ex-recluso. Onde é que já se viu tamanha falta de respeito pelos portugueses?

Importa, contudo, saber onde estava esta malta quando Pedro Passos Coelho cumprimentou Dias Loureiro “de forma muito amiga e especial”, durante uma inauguração em Aguiar da Beira, a que se seguiu uma sequência de elogios do então primeiro-ministro a um dos dois grandes responsáveis por uma das maiores fraudes bancárias da história de Portugal, que custou aos contribuintes alguns milhares de milhões de euros. Estariam ocupados a empreender? Estariam a manipular o Fórum da TSF ou a parir perfis falsos no Facebook? Estariam a observar desde o centro de operações liberal-fascista? Estariam no Panamá a contar notas desviadas através de matrioskas de paraísos fiscais? Estariam a visitar a campa de Salazar? Estariam numa acção de formação sobre como escapar ao pagamento da Segurança Social, ministrada pela Tecnoforma?.

Ninguém sabe.

Sócrates e o financiamento do PS

Agora que a direção do PS está finalmente a demarcar-se das práticas de José Sócrates, avancemos para a questão seguinte que interessa ao PS:

Sócrates financiou ou não financiou o partido e/ou respetivas campanhas com os milhões que circulavam através das contas de Carlos Santos Silva?

Por exemplo, os eventos glamour das campanhas de Sócrates que atraíram tanta gente genuinamente bem intencionada (inclusivamente alguns que agora legitimamente condenam Sócrates), foram ou não financiados pelo esquema de Sócrates e Carlos Santos Silva? As respostas a estas perguntas são seguramente conhecidas ao mais alto nível do PS. E convém que sejam esclarecidas ou, mais tarde ou mais cedo, poderão cair que nem um trovão em cima do PS. É muito estranho que os problemas financeiros do PS pareçam estar correlacionados com a agenda da Operação Marquês. O que parece – sublinho parece – é que a partir da detenção de Sócrates uma torneira deixou de verter dinheiro no PS e de um momento para o outro descobrimos que o PS tinha problemas financeiros graves. Haverá uma correlação entre o caso Sócrates e os problemas financeiros do PS ou será pura coincidência?

22º Congresso do PS | Moções Globais de Estratégia

“Reinventar Portugal” e “Geração 20/30” são as duas moções globais de estratégia a ser apresentadas ao próximo Congresso (22º) do Partido Socialista, pelos dois candidatos ao lugar de Secretário-Geral, Daniel Adrião (Reinventar Portugal) e António Costa (Geração 20/30).

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TINA (There is no Alternative) – resistência e colaboracionismo

Apesar de tudo, apesar de todos os erros e desvios, deve reconhecer-se, por imperativo de justiça e verdade, uma diferença fundamental entre o actual Governo do Partido Socialista e o anterior, do PSD/CDS.

O Governo do PS, em certa medida, resiste. O anterior colaborava. Há uma diferença muito significativa entre Resistência e Colaboracionismo.

Fácil demais para António Costa

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Na sequência das Legislativas de 2015, o Partido Socialista chegou a acordo com BE e PCP/PEV para liderar um governo minoritário. Perante este acordo histórico e inesperado, PSD e CDS ficaram muito aborrecidos, porque a democracia representativa pode ser uma grande maçada, e amuaram durante uns meses.

Depois de vários meses a carpir, o CDS decidiu fazer o moving on e procurou mudar ligeiramente o discurso, aproveitando o grande vazio em que o PSD se havia transformado, apesar de na realidade nada ter mudado. Utópica, Assunção Cristas começou por se assumir como alternativa para liderar a direita, apesar de não o poder ser sem o PSD, e já fala em ser primeira-ministra. Já dizia o poeta que o sonho comanda a vida, e Cristas também tem o direito de sonhar, coitada!

Na São Caetano à Lapa, enquanto o partido definhava nas sondagens, Pedro Passos Coelho viu as várias teorias da conspiração serem reduzidas a pó, umas atrás das outras, até não restar discurso, coerência, credibilidade, sanção ou diabo para contar história. Defunto que estava o passismo, Rui Rio lá decidiu sair da poltrona e avançar, cumprido finalmente uma promessa de longa data, e derrotou a barriga de aluguer que o passismo havia entretanto desencantado para se perpetuar no poder.

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Gamela

O estado cor-de-rosa em que se encontra a choldra…

Mais notas sobre o natal dos partidos

Porco feliz depois de um trabalho bem feito

Em jeito de continuação do post: “O Natal dos partidos“.

O projecto de lei 708/XIII, cozinhado à socapa, subscrito por gente de todos os partidos (com a ausência do PAN e a ausência inconsequente e quase de certeza interesseira do CDS), foi aprovado em vésperas de Natal, é uma demonstração da competência e eficiência dos nossos eleitos!

Esta unanimidade não é inédita. Em 2015 os partidos também se uniram pelo direito a usar as subvenções do parlamento em actividades políticas.

Como se vê os pactos de regime não são impossíveis em Portugal.

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“PS enfia na gaveta caso da ‘cigana’”

Alguém sabe onde é que o PS manda fazer os móveis? Davam-me mesmo jeito umas gavetas com tanta arrumação.

Assis, perdão, Manuel Alegre dixit

“Sou defensor da geringonça. Mas não é aceitável ter uma situação em que há dois partidos [BE+PCP] que passam a vida a dar lições de moral a um outro [o PS], que as recebe, calado”

Oportunismo político…

Para viabilizar um executivo PS, André Ventura já não é racista? 

Publicitário ligado ao PS ganha 300 mil euros para campanha relacionada com Pedrógão Grande?

Explica lá isso melhor, Expresso. Se for o que parece, para além de grave é muito estranho. Para que é que o PS precisa de um publicitário em Pedrógão? Para fins de propaganda? Ou estaremos perante mais um caso de manipulação, disfarçado de incompetência? Será mais um facto alternativo a sair da redacção do fundador do PSD? Expliquem-nos, por favor, onde é que este publicitário encaixa na tragédia de Pedrógão. E no fim não se esqueçam de mandar o Ricardo Costa fazer birra para o Twitter porque Os Truques são muito maus e vos apanham as manhas, ok?

Tramóia do Governo

Uma nova era vai ser inaugurada e instaurada na Europa a partir de Setembro próximo. Chega-nos pela mão do CETA, o ominoso Acordo Económico Comercial Global entre a UE e o Canadá que vai consagrar no velho continente direitos especiais para investidores estrangeiros poderem processar Estados, exigindo indemnizações milionárias quando considerarem que as suas expectativas de lucros foram prejudicadas por nova legislação.

O Acordo, que dedica dois dos seus 30 capítulos especificamente à defesa dos investidores, nada de vinculativo contém quanto a defesas para os Estados, por exemplo, no caso de prejuízos ambientais.

Os Estados, no CETA, apenas têm obrigações. [Read more…]

Já nem as desgraças salvam os profetas

A 16 de Junho de 2017, um dia antes da tragédia de Pedrógão Grande, a Aximage publicou uma sondagem encomendada pelo Negócios e Correio da Manhã. Long story short: PSD e CDS-PP em mínimos históricos (24,6% e 4,6% respectivamente, conquistando apenas 29,2% dos inquiridos), PS a subir em flecha, à custa, essencialmente, de eleitorado perdido pela direita, BE e PCP ligeiramente abaixo dos resultados das Legislativas. Segundo este estudo, à data acima, a Geringonça consegue 61,2% da amostra analisada. É uma sondagem, vale o que vale, mas não deixa de ser esmagadora. [Read more…]

Gabriela Canavilhas – a expressão da insanidade do centralismo partidário

A açoreana Gabriela Canavilhas, ex-Ministra da Cultura, ex-deputada eleita por Viana do Castelo, actual deputada eleita pelo Porto, é candidata à presidência da Câmara de Cascais!
É este género de imposições partidárias centralistas às regiões e aos municípios que exponencia o descrédito nos partidos políticos!
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ps: fotografia de Cida Garcia.

Errata: um amigo informou-me que Gabriela Canavilhas é natural de Angola.

Crónicas do Rochedo XVIII – Incêndios, uma tragédia portuguesa

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No dia em que Portugal assistiu a uma das suas maiores tragédias colectivas escrevi, na minha página no facebook: “Nesta hora triste da nossa história colectiva aqueles que, como eu, não são “especialistas” devem remeter-se ao silêncio. E deixar quem sabe fazer o seu trabalho. É a melhor forma de respeitar quem está no terreno a trabalhar e quem está a ser vítima desta calamidade nacional“.

Já passou o tempo suficiente para o silêncio. Agora, mais a frio, vamos procurar uma análise política. Melhor dito, ao comportamento político dos agentes da dita.

Deve a Ministra demitir-se? O Governo de António Costa é culpado? De quem é, politicamente, a culpa?

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António Costa

Do ponto de vista político, não há muito de que António Costa se possa queixar. Houve um conjunto muito significativo de pessoas que fizeram tudo o que estava ao seu alcance  para que ele pudesse chegar a Primeiro Ministro de Portugal.

O que se exigia a Antonio Costa é que revertesse o caminho percorrido durante os quatro penosos anos de governo PSD/CDS, ao longo dos quais o povo português experimentou um modelo político de tortura social, fundado na mentira, na manipulação e no mais perfeito desprezo pelo sofrimento humano. Não se pedia a António Costa que fizesse diferente. Exigia-se que o fizesse.

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A consciência do PS por mãos alheias

Já os partidos socialistas francês e belga se tinham pronunciado contra o Acordo de comércio e investimento entre a União Europeia e o Canadá (CETA); agora, foi a vez do PSOE declarar que vai retirar o seu apoio ao CETA, abstendo-se aquando da votação do Acordo no parlamento espanhol – lamentavelmente sem a coragem de assumir um tão urgente NÃO – o que não impedirá que o CETA seja ratificado pela Espanha, na próxima semana. Sánchez, o reeleito secretário-geral do PSOE, justificou a decisão de não alinhamento com a posição de Bruxelas pela “degradação dos direitos ambientais e laborais que o Acordo provoca”. Levou por isso um puxão de orelhas de Pierre Moscovici, comissário europeu dos assuntos económicos. E porque o PS português tem muito mais medo dos puxões de orelhas de Bruxelas do que de trair o nome que ostenta e além disso já sabe que pode contar com a indulgência do povo português, vai votar, enquanto não se poupa a esforços para fazer crer que o CETA é óptimo para o país, em favor desse Acordo em que os Estados têm obrigações e os investidores têm direitos; Acordo, cujas vantagens económicas até mesmo segundo os estudos da própria UE são residuais, mas que, como “acordo comercial de nova geração” vai, qual buldózer, interferir negativamente em quase todas as áreas da vida dos cidadãos e alargar mais as rédeas aos poderosos deste mundo. Senhores deputados do PS na Assembleia da República: ponham os olhos na vossa companheira Ana Gomes e rejeitem o CETA! Deveis lealdade é à vossa consciência e aos portugueses, não é a Bruxelas!

A sina e a purga

Imagem: Jornal Sol

O Partido Socialista foi ontem protagonista de um triste espectáculo público que certamente embaraça muitos dos seus militantes e onde ficou clara uma propensão congénita, muito preocupante em democracia, para a arruaça e para a hipocrisia.

As declarações inadmissíveis do deputado Manuel dos Santos sobre uma militante socialista suscitaram o despertar violento do instinto de matilha, grosso e oportunista, cuja única motivação é política, de vingança sobre o militante prevaricador, que tem assumido posições discordantes com a actual direcção e apontou a gritante incoerência dos deputados do Porto no processo de candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento – em segredo votaram por Lisboa e publicamente contestaram o “centralismo”.

A indignação tribal que Manuel dos Santos suscitou não radica em qualquer sentimento genuíno de ofensa pelas declarações que proferiu, antes resulta de um evidente oportunismo político, desmedida hipocrisia e uma arrogância que confirma as preocupações que muitos já manifestam com a aproximação do PS a uma maioria absoluta.

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