Não é curto, mas é grosso

Por princípio, não leio comentários. Escrevo, egoisticamente, muito mais por mim que pelos outros. Uma espécie de processo libertador. Não necessito de validação e a maior parte das críticas, passa-me ao lado. Excepto quando, factualmente, demonstram ou até apenas indiciam que posso estar errado. E isso leva-me a repensar o que tinha concluído ajudando a reforçar um procedimento que já me é constante, o de me questionar. Permanentemente. O que pode facilmente ser demonstrado se, por exemplo, confessar que tenho uma antipatia pessoal (derivada de más experiências próprias) pelo povo Judeu (com excepção da Gal Gadot). Emocionalmente, é inegável que se tivesse de elencar os meus Povos favoritos, os Judeus estavam muito longe dos primeiros lugares. Não é, nem de perto nem de longe, anti-semitismo (expressão errada porque não são só os Judeus que são semitas), mas apenas preferências pessoais.

Mas a razão, a razão honesta não pode ser influenciada por enviesamentos superficiais e afectivos. A honestidade não é um dado garantido. É algo pelo qual nos temos de esforçar. À séria. Tentando ponderar e “reponderar” tudo o que realmente interessa e separando o acessório do essencial. E neste caso, as minhas antipatias são menos que acessórias. 

Salvaguardando várias excepções, a maior parte dos comentários carecem de mínimos de qualidade. Isto não deixa de ser especulativo da minha parte porque, sinceramente, a amostra de base é reduzida por os não ler exaustivamente.

Grande parte deles fazem-me lembrar um dogma que era dominante na publicidade (não sei se ainda é porque deixei de trabalhar com empresas dessa área há cerca de 10 anos). Na altura e de forma absolutamente “incorrecta politicamente”, os anúncios em que o “target” era quase exclusivamente feminino, eram classificados como os menos exigentes em termos de subtileza. Isto é um eufemismo porque havia mesmo uma classificação por níveis de exigência. Por exemplo, os anúncios de detergentes eram do mais básico possível. Mas havia um “nicho” que obrigava a algumas “nuances” pela suposta delicadeza do tema: aqueles que estavam relacionados com a menstruação. E qual era a resposta da publicidade para isto? Fácil. Uns anúncios a “armar ao pingarelho” sem rigorosamente nada de inteligente por trás, mas feitos de maneira a que aparentassem um nível de profundidade que efectivamente não tinham. O recurso a mensagens absurdas ou vazias era a norma, só que apresentadas debaixo de uma capa quase labiríntica para que o nada que se transmitia pudesse ser encarado quase como enigmático. Do género, pôr perfume em cima de um “poio de merda”.

Enfim. No fundo, dá-me igual. Excepto quando há linhas que se atravessam. Usar a despropósito o insulto, ainda por cima o insulto ignorante e vigarista cujo alvo é alguém que sincera, voluntariosa e racionalmente só quis fundamentar a verdade, só demonstra o que eu já pensava. Mas como os trafulhas e os cobardes nem se preocupam em pensar que as pessoas não são obrigadas a ter o “calo” suficiente para aguentar com os distúrbios psiquiátricos que (esses trafulhas) manifestamente demonstram e partem para a ofensa pessoal nitidamente injusta, facciosa, vil e não provocada, a linha está transposta. Quando o alvo é alguém por quem nutro enorme respeito e imensa amizade, o “caldo está entornado”.

Reagi como achei que devia e como, inegavelmente, voltaria a reagir. Porque quem “não se sente, não é Filho de boa Gente”. E eu sou Filho de Gente fantástica e excepcional. E até porque um “par de bofetadas” além de muito libertador ainda é uma forma curial de lidar com quem, deliberadamente, é apenas um sub-produto humano. Principalmente nestes tempos em que a desonestidade se esconde cobardemente atrás do marasmo dominante: “posso dizer o que quiser porque ele não vai fazer nada”. Engano. Faço. Sem olhar para trás. 

Mas nem tenho vida que mo permita nem o meu estatuto pessoal me autoriza a “oferecer estalos” reiterada e diariamente. Por isso, páro. Pelo tempo que eu, muito bem, entender. 1 semana. 1 mês. Ou mais. Eu e só eu saberei. Até porque ainda o não sei. Não me calo. Não me calarei. Até porque a verdade tem de prevalecer e a trafulhice não pode ser normalizada como é. Mas, neste momento, abro uns pequenos “parêntesis” na minha escrita por aqui. Não “desesperem” que não perdem pela demora. 

Ah e podem (ou não) comentar o que quiserem que eu vou esforçar-me por não ler. 

Comments

  1. POIS! says:

    Pois estamos…

    Perante uma linda otocrítica.

    Não sabem o que é uma otocrítica?

    Ora, é uma crítica só ouvida pelo próprio!

    Francamente!Que ignorância!

    • Lamecus says:

      Exactamente, curto e fino
      Mas eu nem isso respondia ao marrano

  2. Pela parte que me toca, acho que alguém que por regra introduz um texto onde insulta todos os que discordam de si de forma mais maniqueísta possível, tem de aceitar um tom diferente de respostas; ainda para mais, como diz, quando não tem intenções que seja um diálogo. Também tenho opiniões e insultos muito piores sobre quem discordo, mas não transmito porque quem fica (ou devia ficar) mal visto era eu.
    Quanto ao povo judaico, é como qualquer outro, mas sujeito ao seu contexto histórico geralmente horrível. Como qualquer outro, e explicitamente, a ser manipulado pelos interesses de poder que não tem grande consideração pela sua autonomia, segurança, e outros direitos básicos, que só existem por dádiva sua e não por condição essencial e natural. É capaz do melhor também, quanto tantos exprimem da forma que podem que não querem isto, mas sem direito a cobertura. Não se pode, como pretende o criminoso Netanyahu, igualar os indivíduos de etnia ou religião judaica numa massa amorfa de pensamento único: isso é apagamento do indivíduo, anti-semitismo no caso, e aumenta o risco para todos eles para que possa ter desculpa para cometer estas belíssimas atrocidades.

    • POIS! says:

      Ficou sem se saber qual é, afinal o chão por onde anda a tal Mia. Como o postador acha que não o devemos pisar e não sabemos onde é, temos um problema.

      A não ser que o objetivo seja pôr toda a malta a voar!

      Mas aí pode esperar sentado. Pelo menos até que o primeiro lá tropece ou lhe caia em cima.

  3. JgMenos says:

    Eu vou estando por aqui.
    Como tenho bom coração, até aos grunhos vou dando uma ou outra leitura e ocasional resposta.

  4. Arlindo da Costa says:

    É pena não ler. Pois normalmente os comentários são melhores e intelectualmente mais elevados do que os posts 🙂

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading