Todas as faces de uma grande participação

                 HÓQUEI INDOOR GARANTE ELITE

A Federação Europeia de Hóquei (EHF), tendo em consideração a candidatura de Portugal à organização do Eurohockey Indoor Championship II, competição em que o nosso país iria participar, concedeu esse privilégio à FPH que, oportunamente, havia negociado com o município de Paredes a sede da prova.
Tratando-se da segunda divisão europeia, Portugal, no entanto, era o país com melhor ranking (11.º) para um eventual wild-card se alguma das selecções apuradas para a divisão A viesse a desistir da prova. Foi o que aconteceu com a recente desistência dos Países Baixos, selecção classificada em 3.º lugar no ranking absoluto, que, em boa hora, abriu as portas do principal campeonato aos nossos Linces.
Manteve-se a prova em Paredes, sem Portugal, e seria ganha pela Irlanda.
Com um grupo de muita qualidade, alicerçado em atletas dos melhores clubes nacionais, atletas que jogam actualmente nos melhores campeonatos da Europa (Holanda, Bélgica, Alemanha…) e ainda com a presença dos dois irmãos luso-belgas, Laurens Halfmann e Quentin Halfmann, Portugal partiu para Lovaina, na Bélgica, com algumas fundadas expectativas. Como objectivo primeiro, a manutenção no principal escalão da Europa (uma espécie de purgatório a permitir o sonho de chegar ao paraíso, que seria uma classificação até ao 4.º lugar, que garantiria a presença no próximo Campeonato do Mundo.

O purgatório começou a desenhar-se com a primeira derrota, frente à anfitriã Bélgica, mas por números nada desajeitados, 4-2 frente àqueles que ostentariam no final a medalha de bronze, não pode considerar-se um ultraje, antes um resultado honroso.
Temos escrito ao longo dos anos, fruto da experiência que que nos deram sucessivos cargos na antiga estrutura associativa e na actual configuração federativa, após o desaparecimento das Associações Regionais da modalidade, que as vitórias do hóquei português, além fronteiras, a nível de selecções ou de clubes, são sempre milagres, tendo em conta a realidade nacional, os quadros competitivos, as dificuldades e o número dos clubes que interferem na competição nacional, a necessidade de se reequacionar a filosofia dos agentes desportivos benévolos (vulgo, os carolas que, infelizmente, foram desaparecendo) e a ingente justeza de se criar um mais equitativo quadro de apoio institucional do governo a federações como a nossa.
O sonho-milagre, agora, na Bélgica, tinha como matriz o boost que a memória do eterno capitão, o infortunado Luís Tavares, tragicamente desaparecido, cuja lembrança o actual capitão e seu velho amigo, David Franco, apontando a braçadeira, enalteceu na quimera que ambos partilhavam de um dia competirem num campeonato do mundo. Um 4-1 à Ucrânia abriu o sorriso dos nossos, mas o jogo seguinte parecia ressuscitar alguns pesadelos do passado: 10-2 foi o cômputo que o marcador registou da nossa derrota frente à Chéquia, uma equipa ao alcance da nossa, mas em que tudo pareceu não se encaixar no espírito dos Linces.
Veio a seguir a Polónia, experiente, matreira, mas os portugueses já se tinham reencontrado com o sonho e com a memória. O resultado de 6-5 a nosso favor permitiu de novo ao nosso capitão lembrar que nada estava perdido e que íamos atrás dos quatro primeiros. Foi quase uma subida do inferno ao paraíso, ou não fosse a Polónia candidata a uma medalha nesta prova…
No entanto, a vitória da Polónia sobre a Chéquia colocou Polacos e Portugueses com o mesmo número de pontos na respectiva série. Não contando o resultado entre ambos, que nos seria favorável (não concordamos, mas são os regulamentos), a Polónia subiu à série dos primeiros, relegando Portugal para o apuramento do 5.º ao 8.º, mas, felizmente, já com a manutenção garantida.


O primeiro jogo do apuramento aconteceu contra a Suíça, empatámos 5-5, mas perdemos (3-2) no desempate por shoot-out. A jogar, então, para 7.º / 8.º, surgiu a hipótese de uma vingança à portuguesa frente aos checos, que nos haviam arredado do paraíso. Depois de chegarmos a 9-0 e 10-1, o que teria sido lindo, baixámos o ritmo endiabrado (era o último jogo depois de 4 dias sempre a dar-lhe, com dois jogos de 40 minutos por dia) e a equipa checa logrou um 10-5 lisonjeiro. Com este resultado, Portugal conquistava, assim, o 7.º lugar. Uma classificação que todos teriam assinado por baixo no início da competição, mas que veio a revelar-se menoscabada, no sentido de incompleta e com os pós de injustiça pelo meio e deixa um sabor amargo.
Houve, no entanto, momentos de muita magia. Vendemos muito caro os resultados desfavoráveis, fomos justíssimos e muito apreciados vencedores em três dos cinco jogos, merecíamos mais no empate com a Suíça que nos teria permitido jogar para o 5.º / 6.º lugar, deixámos uma magnífica imagem em Lovaina.
Para as histórias individuais, Laurens Halfmann e Rodrigo Castro marcaram 6 golos cada um; David Franco e Vasco Ribeiro marcaram 5, cada; José Santos, 4; Quentin Halfmann, 3.
A Alemanha venceu a prova na final contra a Polónia (5-2). Seguiram-se-lhes Bélgica, Áustria, Espanha, Suíça, Portugal, Chéquia, Croácia e Ucrânia.

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António Camacho e Baltazar Portugal (guarda-redes), David Franco (capitão), Fábio Vieira, Quentin Halfmann, José Santos, Rodrigo Castro, Vasco Ribeiro, Ivo Moreira, Tiago Ventosa, Luís Pereira e Laurens Halfmann foram os heróis das quinas, uns Linces a merecerem melhor.
Obrigado!

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