Como perder um debate no primeiro minuto

Luís Montenegro perdeu o debate na primeira pergunta.

Sobre a manifestação dos polícias à porta do Capitólio – oh, the resemblance – Pedro Nuno Santos afirmou estar disponível para resolver o problema, para dialogar com os representantes das forças de segurança, mas sublinhou algo que é basilar em democracia: não negoceia sob coação.

Já Luís Montenegro fugiu à questão, divagou, viajou na maionese. Para o eleitorado à direita, apreciador da autoridade do Estado, poderá ter sido fatal.

Pedro Nuno Santos ganhou o debate, parece-me evidente, mas não foi o único vencedor da noite. Porque André Ventura, perante a frouxidão do líder do PSD, ganhou ainda mais terreno à frágil AD.

E Luís Montenegro, que teve boas prestações durante as duas semanas de debates, sobretudo contra Ventura, desapareceu em combate. Perdem-se eleições por muito menos.

Onde estava Moniz em 2019? No Vietname?

História em que não acontece nada

Era um modesto hotel de uma cidade de província. Um desses estabelecimentos semifamiliares, em que o dono parece ter conseguido desenvolver o dom da ubiquidade, não só para controlar os empregados e guardar a sua propriedade, mas também para observar com deleite a nossa cara de susto quando nos surpreendia em cada esquina. Era um homem calvo, de rosto amarelado, com um dente de ouro que reluzia em simultâneo com o relógio de pulso, uma espécie de sincronização prévia à dos smartwatches com os smartphones que me pareceu muito original. Esperava os hóspedes pela manhã, chegava a persegui-los se ousavam esquivá-lo, para indicar-lhes a salinha, mesmo ali ao lado, onde o pequeno-almoço estava a ser servido, como se estivéssemos em Xanadu e houvesse o risco de perder-nos. Desejava que estivesse “tudo de feição” e indagava detalhes sobre a nosso relacionamento com o colchão: demasiado brando, quiçá muito duro? E que tal as almofadas? A mantinha extra está na prateleira de cima do armário, favor não esquecer. Era diligente, atencioso, insuportável. [Read more…]