Leio muita discussão à volta da expirada carteira de jornalista de Maria João Avilez, sem tocarem no ponto essencial, que é a relevância da carteira em si mesma. Que requisitos são necessários para a obter e manter válida. É apenas uma questão pecuniária? Ou algo mais exigente que afaste do jornalismo pessoas incapazes de escrever correctamente na língua nativa? Quanto mais narrar um acontecimento. Muitos nunca passam verdadeiramente de pés de microfone.
Quanto à entrevista de Maria João Avilez a Luís Montenegro nada tenho a opor, é até positivo que a senhora não tenha activa a carteira de jornalista, porque aquilo também não foi bem uma entrevista, é conhecido o alinhamento político da comentadora, o que terá levado o Primeiro-Ministro a conversar com uma cheerleader, escolhendo para tal o canal televisivo do militante nº 1 do seu partido, que atravessando graves dificuldades financeiras, foi recompensado na mesma semana que ofereceu o tempo de antena ao chefe do executivo, com o anúncio por parte do governo que iria reduzir a publicidade na RTP. Ele há cada coincidência…






Pois está claro! Não há coincidências!
Mas…será que um liberal não poderá ajudar outro liberal abdicando liberalmente de uma publicidadezita, libertando espaço para acontecimentos desportivos importantes tais como partidas entre, por exemplo, dramaturgos gregos, sinfonistas alemães, operáticos italianos, hípicos ingleses, queijeiros franceses e toureiros espanhóis? (*)
Sobre entrevista em si, sim notou-se a forte cumplicidade entre a Montenez e o Avillegro, não tendo passado despercebidas as interjeições da Montenez que pontuavam as respostas do Avillegro: “boa Montenez!”, “é assim mesmpo, Montenez!” “põe os gajos na ordem, Montenez!””dá-lhes Motenez, que os gajos merecem!”.
Surpreendentemente, o tema da iminente deslocalização da Autoeuropa para a Indonésia não foi objeto de qualquer questão por parte da conhecida balsemónica carteiremfalta.
Com efeito, saturados de greves selvagens, ou ainda piores (no ano passado houve uma que durou dois meses, que começou logo a seguir à Festa do Avante! Não há coincidências!)), os alemães mandaram encaixotar secretamente as linhas de montagem e chamaram a FedEx de urgência para as mandar para Bali (onde já têm preparado um moderno “resort” industrial).
Quando chegarem do fim-de-semana na colónia de férias da CGTP no Meco, onde praticavam nudismo soviético, os sindicaleiros da Autoeuropa vão ter uma bela surpresa!
(*) Não esquecendo que, na Serra da Estrela, já há uma pista de “curling” e eu não vi canal nenhum transmissões das dramáticas e excitantes competições que lá decorrem.
Faço notar que o FCP já tem uma equipa feminina recrutada na lota de Matosinhos, o que levou o Sporting a reforçar fortemente a sua, contratando várias nórdicas que irão jogar em diminutos bikinis.
É o POIS à espera da deslocalização da Autoeuropa, e eu à espera da aposta na qualidade pela Boeing ou da sua substituição no mercado para mostrar que o mercado tudo resolve.
Mas você tem andado distraído, ó Paulo. Neste momento a Boeing já tem duas ferozes concorrentes: a Boboeing (de origem tailandesa, com fábricas em Bali) e a Boeingaboeinga (de base filipina, com uma filial italiana chamada Bungabunga).
Quanto a qualidade, estamos muito melhor. Isto é, os aviões caem na mesma, mas com bastante mais elegância e suavidade, nada de mergulhos de focinho. A haver cadáveres, são muito mais decentes, sem pregas no peito nem rugas no colarinho.
‘pés de microfone’
Antes isso que cretinos que falam tanto ou mais que os entrevistados, introduzem a ´todo o tempo as últimas atoardas da onda mediática e acham-se no direito de impor opiniões.
Agora que o governo é outro, já devem ter respeitinho quando os interrogam.
Ora pois!
É como diz o povinho, lá na minha terrinha: “Mais vale um pé de microfone a perguntar que um bando de Menos opinadores a atoardar”.
Diz o povinho. Lá na minha terrinha.
É uma questão de reconhecer que o jornalista constrói os pilares da democracia da mesma forma que um engenheiro constrói as fundações de um edifício, que é suposto valor da democracia liberal e que tem as regras sociais e legais que tem. Vale o que vale, mas a consequência é o continuado descrédito de quem nos informa.
Não que, pessoalmente, ainda lhes dê muito, e certamente nenhum à Impresa.
A carteira será / seria essencial para manter direitos e imputar responsabilidades.
Acho estranho ninguém se referir ao que sr António Almeida diz e com muita razão:
“escolhendo para tal o canal televisivo do militante nº 1 do seu partido, que atravessando graves dificuldades financeiras, foi recompensado na mesma semana que ofereceu o tempo de antena ao chefe do executivo, com o anúncio por parte do governo que iria reduzir a publicidade na RTP. Ele há cada coincidência…”
Já não se estranha 🙂