Montenegro defende diálogo com Putin e gera um terramoto na redacção do Expresso

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).

***

Gostava de dedicar esta música a Luís Montenegro, que até estudou Direito em Coimbra, mas deve ter andado distraído com as Ninfas do Mondego*

Eu sei que ele gosta mais de sonhos de menino mas, profissionalmente, esta canção é-lhe mais útil.

Na canção:

Nasce na Estrela o Mondego
Vai passar junto à Felgueira
Atravessando Coimbra
Vai parar junto à Figueira

“Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego. A palavra é de tranquilidade porque tudo aquilo que pode ser feito está a ser feito, incluindo a evacuação. E tudo o que puder ainda ser salvaguardado vai ser: do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e ainda de interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro.” Luís Montenegro, citado por num artigo fofinho do Polígrafo.

*erro meu, e está explicado, o nosso primeiro-ministro estudou pelo Porto

Come brioches, Portugal!

Pode ser uma imagem de estrada e árvore

Sábado fui ao mercado semanal da Trofa, como vou todos os Sábados. Encontrei as pessoas do costume, conversei com elas e fiz as minhas compras, tranquilamente. Uma manhã de Sábado normal na minha vida normal.

Numa dessas conversas, uma pessoa amiga disse:

  • Este tempo está uma loucura. Nem dá para sair de casa.
  • Mas estás aqui, não estás?
  • Estou, mas olha que estive para não vir.
  • A sério? Mas nem a chover está!
  • Não está agora. Tu achas isto normal?
  • Claro que acho. É o normal para esta altura do ano.

150km a sul, porém, a vida de milhares de pessoas estava tudo menos normal. Estava suspensa. Milhares de pessoas sem electricidade, sem comunicações, sem água. Pessoas com as casas sem telhado, carros destruídos e negócios arrasados. Pessoas em desespero, a quem o Estado falhou. Falhou na prontidão, na qualidade da resposta e no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas, enquanto altos responsáveis do governo, como o ministro Leitão Amaro, apostavam em promover a sua própria vaidade, como um parolo deslumbrado, no timing perfeito. Brioches digitais.

[Read more…]

“What we’ve got here is failure to communicate“ (*)

Marcelo Rebelo de Sousa veio hoje deitar água na fervura, sobre as intervenções pouco felizes de governantes, no modo em como têm abordado, publicamente, a temática da catástrofe que se abateu sobre o Centro do país. Isto, após chegar do Vaticano para onde rumou, certamente para rezar mais de perto do Criador – ou de quem O representa na Terra -, em prol da nação.

Todavia, a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa – cuja sobriedade e discrição comunicacionais, são por demais conhecidas e exemplares -, percebe-se. Infelizmente, no palco da desgraça que atingiu o país, não têm faltado declarações infelizes, como, por exemplo:

Isto, após a triste tentativa de Leitão Amaro estrelar num vídeo promocional. Além da polémica em torno da visita de Nuno Melo ao local.

Pelos vistos, para se ser Ministro, não é preciso perceber uma coisa básica: existe escrutínio do que se diz, do que se faz, e de como se diz e se faz. Existem câmaras que registam o que se passa – até em telemóveis, imagine-se! -, e uma coisa chamada internet onde existem redes sociais onde a velocidade da informação é voraz. [Read more…]

O valor do silêncio

Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado — porque não era socialista.

Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado — porque não era sindicalista.

Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado — porque não era judeu.

Foi então que vieram buscar-me, e já não havia mais ninguém para me defender.”

(Martin Niemöller)

Foi após o 25 de Abril de 1974, que se consagrou o direito ao silêncio, como um dos maiores expoentes da Democracia. Pois que o silêncio deixou de ser uma arma de opressão e repressão, e passou a ser uma garantia de que ninguém poderia ser prejudicado por não falar. Passou a ser um direito, tanto mais para não se auto-incriminar. Até porque falar ou não, é um direito pessoal, manifestação de livre vontade do indivíduo.

Isto, após o regime do Estado Novo de Salazar, em que se impunha o silêncio a quem pretendia se expressar de forma contrária ao que o regime ditava como certo ou errado. E impunha-se pela força, fosse por espancamento ou mesmo morte. Impunha-se até em julgamentos nos tribunais plenários, com espancamentos diante dos olhos de magistrados em pleno julgamento.

Sim: o Estado Novo de Salazar matou gente. Matou a tiro, por tortura, por degredo. E castrou o pensamento livre, calando com censura, garantindo-se com eleições forjadas, matando opositores, prendendo a crítica, tudo sob a batuta do medo. E no mais terrífico silêncio imposto.

O objectivo do silenciamento foi sempre um só: permitir ao Estado Novo, a manutenção do status quo das ditas elites, garantindo a submissão dos demais.

A Democracia, por seu turno, permite o debate de ideias, expressão livre do voto em eleições sem fraudes, e até mesmo, que aqueles que não comunguem dos ideais da Democracia, defendam teses autocráticas.

Porque a Liberdade, enquanto valor estruturante de qualquer Democracia digna de tal nome, permite isso mesmo: que se fale, que se expresse, que se verbalize. Pois que na Democracia, respeita-se o silêncio. Não se impõe. [Read more…]

Uma réstia de esperança

Pode ser uma imagem de futebol

No início era o almirante.
À primeira volta.

Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.

Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.

André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.

Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.

[Read more…]

Os portugueses não comem rankings

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas

Portugal estar como primeiro classificado do ranking da The Economist é melhor que estar em segundo, ou em último. E é giro porque rebenta com a narrativa de que este país está muito mal porque nos aconteceu o “socialismo”.

Mas fica por aí.

Porque feitas as contas, sobressai uma verdade.

Uma não: várias.

É que os portugueses não comem rankings.

[Read more…]

A economia do ano

O portuguesinho pela-se pelo elogio estrangeiro, vem à tona do orgulho pátrio respirar se lhe elogiam o pastel de nata ou uma das dez praias mais belas do mundo.

A The Economist considerou Portugal «a economia do ano», um título entre muitos outros que resultam de uma espécie de erotismo dos campeonatos. Pelo que vou lendo e ouvindo, fico com a impressão de que se mantém o hábito da masturbação enquanto se olha para revistas, tal tem sido o entusiasmo provocado pela distinção de que a nossa economia foi alvo.

Luís Montenegro, também a olhar para a revista, exultou, claro, em nome do governo, talvez da nação, reclamando méritos.

Entretanto, os ordenados continuam baixos, as casas, caríssimas, a legislação laboral a caminho da valorização da precariedade. O que vale é que Portugal é a economia do ano. Como diria o mesmo Montenegro, os portugueses não estão melhores, embora o país esteja muito melhor.

Estamos todos um bocadinho cansados

A ministra do Trabalho, na sua qualidade de representante dos exploradores contumazes, declarou que «estamos todos um bocadinho cansados de greves por razões políticas».

A dita criatura faz parte de um grupo alargado de pessoas que usa a expressão somos-a-favor-do-direito-à-greve-mas, porque, na realidade, detestam o direito à greve e nem sequer apreciam verdadeiramente os direitos.

Nesse grupo alargado inclui-se aquele partido que é de esquerda quando não governa, metendo imediatamente a esquerda na gaveta quando chega ao governo. O PS não é, portanto, um partido de centro-esquerda, é, na verdade, um partido de esquerda-direita, de esquerda, em teoria, de direita, na prática, amigos dos trabalhadores, nas conversas com amigos, exploradores da classe operária, nos gabinetes ministeriais. Imagino as dores que isso deve causar nos adutores ditos socialistas.

Montenegro e companhia, na esteira do cavaquismo-passismo-portismo, tem menos problemas musculares, porque faz menos esforço ao percorrer o caminho de regresso ao mundo em que os trabalhadores são apenas proletários. [Read more…]

À frente dos portugueses, prioridade aos boys…

O antigo CEO da Spinunviva tem plena consciência da gravidade dos incêndios que assolam Portugal. Tanto assim é que hoje pediu ajuda internacional e cancelou as férias. Perguntará algum leitor distraído, porque não o terá feito anteriormente, quando se sabe há alguns dias que a situação é catastrófica? A resposta é simples, porque estava agendada para ontem a festa do Pontal, o país está em vésperas de eleições autárquicas, o Primeiro-Ministro também é líder do PSD e não se poderia dar ao luxo de cancelar o maior evento anual do circuito pimba do azeite e carne assada, que contou com a esmagadora maioria dos membros do governo e candidatos às autárquicas…

 

O controlo da imigração descontrolada

Como algumas pessoas sabem, até há poucos dias havia em Portugal uma imigração completamente descontrolada, com a velha ponte que liga Valença a Tui (neste caso, Tui a Valença) a ameaçar ruir sob o peso dos imigrantes naturalmente descontrolados. Também descontrolados, entravam outros imigrantes em Elvas, em magotes saídos de Badajoz. Mais abaixo, em braçadas descontroladas, imigrantes saltavam para o Guadiana em Aiamonte e desaguavam em Vila Real de Santo António.

Em muitos cafés, portugueses passaram a desconfiar uns dos outros. Numa certa adega minhota, alguém disse:

  • Acho que o Joaquim da Zeza é imigrante.
  • Porra, a que propósito?

  • Então, o gajo bebeu uns copos e ficou descontrolado. Como os imigrantes.

O que vale é que, do dia para a noite, isso acabou, porque o governo de Luís Montenegro disse que acabou. E todos sabemos que, quando Luís Montenegro diz uma coisa, a coisa passa a ser verdade: ainda há dias se descobriu que o verdadeiro autor dos Cadernos de Lanzarote é Sophia de Mello Breyner, descendente de imigrantes ainda não descontrolados, que irá receber, a título póstumo, o Nobel da Literatura de 1998, o que levou Pilar del Rio, outra imigrante outrora descontrolada, a assumir a paternidade de Miguel Sousa Tavares.

Venturoso país este que, num ápice, num ai, no sopro de um decreto, acaba com a imigração descontrolada. Venturoso país.

Bugalho confirma: PSD aliou-se ao Chega

«Não foi o PSD que preferiu aliar-se ao Chega…»

A invenção da grande vaga de crimes

Todos já incorremos no disparate de confundir uma experiência pessoal com um dado sociológico alargado. É o “Isto só a mim!” ou o “Este país é uma vergonha!” decorrentes de termos sido vítimas de um carteirista.

Em conversa de café mais ou menos alcoolizada, podemos chegar a defender a pena de morte, a tortura ou a condenação a ver jogos do Futebol Clube do Porto da última época no caso de o criminoso ser portista. Depois, o processo civilizacional a que vamos sendo sujeitos faz efeito e passa-nos.

O populista que chega ao poder (executivo, legislativo ou outro) é um bêbedo numa tasca que tem solução preferencialmente violenta para tudo. Para isso, conta com a ajuda das redes sociais necessariamente desreguladas e com uma comunicação social reduzida tantas vezes a caixa de ressonância.

André Ventura e o seu agente Luís Montenegro alimentam-se de uma insegurança que apregoam, com a ajuda das manchetes que eles próprios geram: o  crime, a insegurança, as violações, os “nossos” valores, a imigração, a nacionalidade.

Note-se: é preciso que haja muita gente crédula e ignorante para engolir falsas percepções. Sim, sim, podemos dizer mal dos eleitores. Podemos, podemos.

A imagem é da primeira página do Diário de Notícias de hoje. A notícia é esta.

O povo quer o quê?

O povo quer este Primeiro-Ministro e não quer outro”, afirmou Luís Montenegro à guisa de conclusão da sua leitura dos resultados eleitorais.

Ora, segundo os resultados em território nacional – faltam os votos dos círculos de emigração -, dos 9.265.493 inscritos, votaram 5.965.446. O que significa que para 3.300.047 votantes, deixar ou não o Luís trabalhar não mereceu a ida às urnas.

Mas, mantenhamos o foco nos que se deram ao trabalho de ir votar: 5.965.446.

Dos 5.965.446, votaram na AD 1.915.098. O que significa que 4.050.348 votaram noutros partidos. Ou sejam, não queriam que o Luís continuasse a trabalhar. Preferiam Pedro Nuno Santos, André Ventura, Rui Rocha, etc. Se quisessem o Luís, teriam votado AD, e não votaram.

Na verdade, “o povo” não quis este Primeiro-Ministro. Se quisesse, a AD não teria apenas 32,10% dos votos.

Tal como Mark Twain achou das notícias da sua própria morte, também a leitura do Luís quanto aos resultados eleitorais, é manifestamente exagerada. Mas, compreende-se: se não fosse ele a dizer tal coisa, quem iria dizer?

Considerem-se Avisados


Duas imagens que devem ser lidas em conjunto.
Porto a 1 de Maio de 1974 e Expresso a 9 de Maio de 2025.

Convide-se Hervé Vilard, o original, para o próximo “São Bento em Família”

Comício em Família

Primeiro, Luís Montenegro adiou a abertura ao público dos jardins do Palácio de São Bento, tradicionalmente parte da agenda oficial das celebrações do 25 de Abril, com a esfarrapadíssima desculpa do luto pelo Papa Francisco, que o Vaticano decidiu começar a dia 26 de Abril.

Adiou para quando?

Para o período de luto pelo Papa Francisco, decretado pela Santa Sé, que termina a 4 de Maio.

Percebem o gozo que nos estão a dar?

Agora, no feriado do Dia do Trabalhador, decide transformar o Palácio de São Bento na Festa da Família, seja lá o que isso for. [Read more…]

Vamos falar do nojo

jornal Público

Vamos falar um bocadinho do nojo?! Vamos, pois.

Anda toda a gente a cavalgar a onda. Sem informação, sem um pingo de empatia, sem um esgar de humanidade. Só cavalgar. Mas vocês são quem, o D. Quixote? Assim montados são mais a Cicciolina.

Por mim, tudo bem. Façam-no. Aliás, por mim, expulsem-nos a todos. Deixem só ficar os reformados ingleses, holandeses e alemães. Mas daqui a três, quatro, cinco anos, pio calado. Nem um ai sobre falta de mão-de-obra, sobre o colapso da Segurança Social, nem um sus sobre a estagnação total. Calem-se só.

Não há uma frase sobre os direitos e deveres de quem vem para cá fazer vida, trabalhar. Há, sim, o discurso punitivo, o “extraterrestre ilegal”. Eu tenho vergonha desta merda, porque havia gente no bidonville, amontoado, cheios de merda até ao pescoço, foram de cá para lá sem nada, eram empurrados, guetizados, ilegais. [Read more…]

Pare de insultar a inteligência dos portugueses, senhor primeiro-ministro

Pode ser uma imagem de 1 pessoa

Faço parte da maioria absoluta que não queria eleições. Não por ser entusiasta deste governo, mas porque compreendo e aceito que a democracia é feita de alternância. E a menos que algo muito grave suceda, os governos devem governar até ao fim dos seus mandatos.

E se é verdade que há gravidade nos casos, casinhos e casões que envolvem Luís Montenegro, eles afectam sobretudo a sua pessoa, não a governação propriamente dita (que se saiba). Num mundo ideal, Montenegro demitia-se, era substituído e a governação seguia o seu curso.

O que sucede?

Sucede que Montenegro escolheu fazer cair o seu governo por sua própria iniciativa.

Tinha o orçamento aprovado, sobreviveu a duas moções de censura e estava mais que legitimado para continuar.

Mas optou por mergulhar o país em mais uma crise política e empurrá-lo para eleições. Digo eu e dizem 46% dos inquiridos da mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF, DN e JN.

[Read more…]

A pele

O cargo de Presidente da Assembleia da República, é o segundo mais importante da hierarquia do Estado, ficando abaixo do de Presidente da República, e acima do de Primeiro-Ministro. É, pois, a segunda figura do Estado Português.

Exercer tal cargo, torna-se uma segunda pele que não pode ser esquecida ou sequer sujeita a horários. E numa qualquer ocorrência da dinâmica social, é sempre a pele institucional que deve prevalecer.

A ética republicana, demanda que a prevalência das responsabilidades de exercício e discurso de um cargo de Estado, prevalece sobre qualquer outro.

Não se trata de algo exclusivo da política, existindo diversas regras éticas de conduta, sejam republicanas, sejam profissionais, sejam meramente sociais, que fazem parte indissociável, em cada situação, de quem a elas está sujeito. É um preço a pagar não só pelo serviço prestado à comunidade enquanto sentido de serviço público, como, também, no caso do exercício de cargos políticos – mormente o de segunda figura do Estado -, por ficar associado à história do país, algo que é reservado a uma elite.

Significa, isso, que um Presidente da Assembleia da República não pode actuar como se de um vulgar cidadão se tratasse. Como se de um militante partidário se tratasse. Pois que o poder em que é investido, o estatuto na sociedade, as responsabilidades e os privilégios de Estado que lhe são conferidos, exigem uma conduta de probidade, zelo, diligência e de especial dever de reserva.

Esteve, por isso, muito mal José Pedro Aguiar-Branco, Presidente da Assembleia da República, ao afirmar no Conselho Nacional do PSD, que Pedro Nuno Santos fez “pior à democracia em seis dias do que André Ventura em seis anos”. [Read more…]

Montenegro derrubou o seu governo

Montenegro impôs a sua moção de confiança ao país. Após ter sobrevivido a duas moções de censura. Não precisava de o ter feito e poderia ter continuado a governar como até aqui. Fê-lo sabendo que seria chumbada. Sem surpresas. Objectivamente, é o único (ir)responsável pela queda do governo e por empurrar o país para a instabilidade e para novas eleições.

A ética republicana quê?!

Correndo a comunicação social, escutando a vox populi, passando os olhos pelas redes sociais, a ética republicana parece ser coisa que pouco diz à maioria das pessoas quando se pronunciam acerca da actual situação política.
Duvido, seriamente, que Montenegro seja penalizado pelo que fez na trapalhada novelesca da Spinumviva, e tudo quanto ela representa do que não se deve fazer na política. Sendo que em qualquer país nórdico, um PM que mantivesse no seu património uma empresa com avenças de privados com interesses em concessões públicas, era lhe aberta a porta de saída das traseiras. Isto, se não saísse pelo seu próprio pé.
É certo que a cada cavadela, as minhocas que ainda vierem a surgir, poderão mudar o rumo da percepção popular acerca dos acontecimentos. Como, também, à imagem e semelhança de tantos outros escândalos do passado, o ponto de saturação popular é fácil de ser atingido, na lógica do “ainda andam com essa história?!”.
Em Portugal, infelizmente, ainda existe uma espécie uma espécie de tolerância face a comportamentos eticamente reprováveis, quando não criminosos. Na lógica do “rouba mas faz obra” ou “se estivesse lá outro, fazia igual”, etc.
Privilegia-se a esperteza em detrimento da inteligência, a habilidade em detrimento da competência, pilares do desenrasque.
Assim, não raras vezes quem provocou eleições, foi penalizado nos resultados eleitorais. Na lógica de “Eles” não se entendem e o pessoal tem que ir votar?! E tudo porque Montenegro tinha uma imobiliária e ganhava a vida?! Gastar dinheiro com eleições?! “Eles” que se entendam!
Talvez por isso, Luís Montenegro achou suficiente passar a sua participação na empresa para a mulher. Como jurista sabia, e sabe, muito bem, que tal cosmética representaria mudar algo para que tudo ficasse igual. É que, face à facturação e à clientela, extinguir a empresa estava, esteve e está, fora de hipótese, como é bom de ver. O risco valeria – talvez valha mesmo – a pena. E, correndo mal, está bom de ver que basta recorrer à habitual cartilha de gestão do medo: bradam-se os perigos da “instabilidade”, repetem-se à exaustão as palavras “crise política” e “responsabilidade”, e trata-se de arranjar a quem dar com a culpa nas costas por haver eleições. Sem prescindir do clássico que já se começou a escutar do “pouco barulho e deixem-nos trabalhar!”
A haver eleições legislativas e pelas razões subjacentes, o momento deveria ser de capital importância para se formar um juízo crítico sobre os valores éticos da governação. Para se estabelecer limites e compromissos. O que em nada impediria de se discutir opções políticas para o SNS, a habitação, a segurança, o ensino, a justiça, etc. Mas, duvido, seriamente, que sirvam para qualquer uma destas coisas da República.

A minha hipocrisia é melhor do que a tua

Poucas horas depois de Luís Montenegro tornar pública a sua disponibilidade para apresentar uma moção de confiança no Parlamento, o PCP veio a correr anunciar uma moção de censura.

Isto, poucos dias depois de ter classificado a recente moção de censura apresentada pelo Chega, como uma manobra de diversão face aos escândalos em catadupa de roubos, pedofilia, etc.

Acontece que a moção de censura agora enunciada pelo PCP, só serve ao PCP.

A queda do PCP junto do eleitorado, é por demais evidente nas últimas eleições – legislativas e europeias. Não é à toa que a palavra de ordem é resistir, e não crescer.

E se o PCP afirma, a cada eleição, que tem a “força que o povo lhe confere”, a recorrente justificação para não conseguir que lhe seja dada mais força, é o discurso Calimero de vítima de “hostilidade” e de “menorização”, a que o PCP se diz sujeito: “C´est vraimente trop injuste!” [Read more…]

A moção de confiança…

… anunciada por Luís Montenegro, já deve estar a ser vista por Ventura como uma nova oportunidade para voltar a negociar a entrada do Chega para o Governo. Quiçá, desta vez, com testemunhas.

Director Nacional da Polícia Judiciária ARRASA percepções (outra vez)

Director Nacional da Polícia Judiciária dá murro na mesa

Quatro minutos. Quatro. Foram o suficiente para o director nacional da Polícia Judiciária conseguisse desmontar as narrativas racistas e xenófobas da extrema-direita, às quais se atrelaram governantes alaranjados. Agora, esperamos a resposta do totó e macaquinho de imitação que é o Primeiro-ministro que temos.

Então, mas…

PSD e Iniciativa Liberal estão a estudar novas coligações autárquicas

Propaganda liberal espalhada pelo país. A/C Iniciativa Liberal.

Governo não queria poupar dez mil euros por mês

Até há dois ou três dias, o governo considerava fundamental gastar 16 000 euros mensais com Hélder Rosalino. Depois da desistência deste, o cargo de secretário-geral do executivo será ocupado por Carlos Costa Neves, que ficará cerca de dez mil euros mais barato por mês.

No mundo da alegada meritocracia que faz corresponder o volume salarial à competência, poderemos dizer que Carlos Costa Neves é dez mil euros menos competente que Hélder Rosalino? Isso não será demasiada competência a menos? Ao contratar uma pessoa tão barata, não estará, ainda, o governo a prescindir de uma grande quantidade de competência, pondo em risco o desempenho de um cargo que, com certeza, será considerado fundamental? Entretanto, o que aconteceu para que, só passado quase um ano, um governo tenha descoberto que é fundamental criar este cargo?

Se, afinal, era possível gastar bastante menos, não será que o governo anda a brincar com dinheiros públicos? Mas há governo?

Parece que fazem de propósito

Em 2022, Fernando Medina gizou um despacho ministerial para garantir que Miguel Martín, à data na calha para suceder à Cristina Cavalinhos no IGCP, mantinha o salário que auferia na Ascendi: 15 mil euros.

À direita, muitos não perderam tempo. Acusaram – e bem – o governo de favorecer o gestor com legislação feito à medida dos seus interesses. No reino digital, a opinião era unânime: estávamos perante mais um caso de “socialismo”.

Dois anos e uns trocos depois, eis que o “socialismo” tomou conta do governo Montenegro/Melo. Hélder Rosalino, um dos nomes incontornáveis dos tempos da austeridade, era o preferido do primeiro-ministro para ocupar o recém-criado cargo de secretário-geral do governo. [Read more…]

Auto do Rosalino

Personagens: Montenegro, Rosalino, Voz da Decência

Montenegro: Rosi, venho convidar-te para secretário-geral, porque é preciso organizar melhor as coisas da administração pública.

Rosalino: Ou seja, acabar com a administração pública, não é, Monte?

Montenegro: É por isso que eu sabia que eras o homem ideal para o cargo.

Rosalino: Pois, ó Monte, mas há um problema.

Montenegro: Os problemas resolvem-se, Rosi. Fala.

Rosalino: É que não posso passar a ganhar um terço do que ganhava.

Montenegro: Tens toda a razão. Isso de cortar salários é inadmissível!

(Riem-se ambos, a ponto de quase chorarem)

Montenegro (recuperando o fôlego com dificuldade): Vou ligar ao Centeno, ele continua a pagar-te e pronto.

(Montenegro pega no telemóvel, caminha um pouco e desliga irritado)

Montenegro: Este gajo veio-me lá com um paleio qualquer de regras ou o carago!

Rosalino: Monte, já te disse, assim não posso. Aquele dinheiro faz-me falta.

Montenegro: Rosi, não te preocupes, a malta arranja aqui uma leizita só para ti e ficas a ganhar o mesmo.

Rosalino: Pronto, assim, já fico.

(Ouve-se a notícia de que há partidos que querem fiscalizar a lei)

Rosalino: Olha, afinal, já não fico.

Montenegro: Nunca gostei do Centeno e agora também não gosto. Tenho pena, pá, porque não estou a ver mais ninguém para fazer cortes como tu fazes. Os teus cortes são os melhores que já vi.

Rosalino: Olha, não se perde tudo: continuo a ganhar o mesmo, que é o mais importante.

Montenegro: Olha lá uma coisa!

Rosalino: O que é?

Montenegro: Não era para entrar também a Voz da Decência nesta peça?

Rosalino: Pois era, mas não ouvi nada, Monte.

Montenegro: Pois, nem eu.

Rosalino: Deixa lá. Ficas a dever-me um almoço.