
No dia em que se assinalam os 50 anos da aprovação do decreto-lei que deu a todas as mulheres portuguesas o direito de votar em liberdade, perdemos uma das mais icónicas personagens do 25 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que, sem saber, se eternizou a distribuir cravos pelas espingardas dos militares revoltosos no dia da revolução, partiu hoje, aos 91 anos.
Espero que Lisboa saia à rua para lhe dar a despedida que merece. Ela não hesitou, apesar das debilidades, em descer a Avenida nos 50 anos do 25 de Abril.
Descansa em paz, Celeste dos Cravos.






A dr.ª Celeste Caeiro será para sempre lembrada pelo papel que desempenhou no dia do golpe de Estado da OTAN a 25 Abril de 1974 em que “distribuiu” os cravos vermelhos – que só florescem em Portugal no final de Maio e início de Junho – chegados em contentores a Portugal no dia 24 de Abril e foram distribuídos por viaturas da OTAN pelas unidades afectas ao golpe.
«…Na altura era médico nos Hospitais Civis de Lisboa e tinha no serviço um interno que era oficial da marinha e se achava próximo do MFA (Movimento das Forças Armadas) que veio com a notícia de que estava a chegar ao país muita gente da CIA. Lembro-me que pensei, com os meus botões, se americanos e soviéticos não se tinham juntado para nos tramar. Pouco mais de um mês depois deu-se “o 25 de Abril” e claro que não imaginava que nesse dia estaria uma esquadra da OTAN fundeada no estuário do Tejo num exercício militar de rotina, ‘obviamente’ programado com muita antecedência…» Lino Oliveira
Pois eu também tenho uma história, no mesmo sentido, para contar.
No dia 24 de abril de 1974, a minha vizinha do rés-do-chão direito a contar do esquerdo quando um gajo entra de frente, era uma tipa muito suspeita: sabia a vida de toda a gente, por isso diziam que trabalhava para a CIA e, nos tempos livres, ainda mandava umas cartitas acusacristas para a PIDE (em regime de”free-lance denounce”).
Nesse dia, saiu de casa com uma carta, já escrita há mais de seis meses, para a meter no correio (que, nessa altura, até entregava cartas!) e, mal deu dois passos, espalhou-se pelas escadas abaixo e foi parar ao hospital.
Nunca se descobriu quem tinha deitado um litro de óleo nas escadas, mas é óbvio de que era um sinal da queda do regime. Lembro-me que o meu pai chegou a casa e disse: “A D. Genoveva está toda amolgada! Aposto que amanhã vai haver um golpe de Estado!
Estimo rápidas e consistentes melhoras.
A bem da Nação
Carlos Almeida
Tal como o 25 de Abril de 1974
Tal como os sonhos após o 25 de Abril de 1974
Tal como a esperança que o 25 de Abril de 1974 prometeu
Tal como a liberdade que o 25 de Abril de 1974 prometeu
Tal como os direitos a saúde, educação, habitação, trabalho, que o 25 de Abril de 1974 nos prometeu.
Tal como um sol que era para TODOS e seus descendentes, se apresentou com o 25 de Abril de 1974.
Tal como um Portugal mais justo para TODOS prometido pelo 25 de Abril de 1974.
CELESTE CAEIRO, a fundadora da iconologia dos cravos em25/04/1974, MORRE à espera numa urgência hospitalar, onde a ÚNICA LIBERDADE que teve com o 25 de Abril de 1974, foi a de MORRER sem quaisquer DIREITOS.
Tudo o resto é pura masturbação idiota, desde a fundação do Mário Soares, os diamantes do Huambo que a ergueram, com o armamento fornecido secretamente, quer à UNITA do Jonas quer ao MPLA do Santos, até à interrompida investigação do Adelino Amaro da Costa, que por “acidente” acabou por interromper o governo do 1.º ministro Sá Carneiro, quando investigava este estranho tráfico do aclamado (por alguns hipócritas) pai de Abril de 74, com a bomba na avioneta que explodiu em Camarate.
Só alguém muitíssimo estúpido, crê hoje, nas patranhas dos partidos do arco governativo e, tal como um vulgar fantoche, comemora o 25/04/1974, quando este morreu em 25/11/1975, o resto, é a merda que se tem visto.
“uma grande merda”, mas já pensou que o SNS em 2023 teve um rendimento de 13.5 mil milhões de euros, o que não é nada mau. É o quê, mais ou menos 5% do pib português?
Já pensou que o que se passa pode ser um ataque colossal a esse rendimento? se funciona mal, mais apelativo para os privados.
Conforme disse Henrique Barros numa entrevista de 2019, “o SNS vai continuar a ser atacado porque representa um negócio brutal em termos do volume financeiro que move”.