Coletes amarelos: o povo saiu à rua

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A batalha de Paris, que ontem levou a cena o seu quinto acto, não é uma versão moderna da tomada da Bastilha. É a entrada em cena, no núcleo duro da velha Europa ocidental, de uma forma muito particular de terrorismo, que há meses se manifesta ideologicamente em blogues e redes sociais, onde se formou um pequeno exército de indignados que, a meu ver inadvertidamente, serviu de cobertura para que um grupo de profissionais do distúrbio pusessem em marcha uma agenda de destabilização, focada no objectivo final de abater a Democracia como a conhecemos. E de colocar Marine Le Pen no poder.

Mas esse pequeno exército, que nem é tão pequeno como parece, nem se resume aos revolucionários gauleses que tomaram as ruas da capital e das grandes cidades francesas, é muito mais do que um grupo de delinquentes que professa ideologias extremistas. É a manifestação de um povo, cada vez mais consciente da sua condição de financiador das mais fabulosas fortunas do planeta, que assiste, indignado, à galopante precarização das suas condições de vida, perante a indiferença e escárnio da elite que os comanda. [Read more…]

O fascismo que espreita

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44 anos depois, mais do que nunca, devemos estar vigilantes. O fascismo espreita ao virar da esquina, com novas roupagens e apelos, aqui como em grande parte do continente europeu, para não falar na ascensão do novo fascismo americano.

Por cá, neste rectângulo que a resistência anti-fascista libertou, ainda existem partidos políticos com assento parlamentar com fascistas assumidos nas suas fileiras, outros com fascistas hipócritas que não se assumem, autarcas e dirigentes públicos corruptos que se comportam como pequenos tiranetes e a mesma impunidade que protegia os poderosos do passado. Não é um cenário particularmente animador. [Read more…]

Professores, os que menos sabem de Educação

Pode ter passado despercebido a muita gente, mas os professores são efectivamente seres humanos, logo imperfeitos, falíveis por isso mesmo, dotados de imprescindíveis insuficiências sem as quais seriam divindades. Alguns são, até, redundantes, de tão preocupados em confirmar a humanidade da classe a que pertencem. Professores são, portanto, pessoas.

Em Portugal, há cerca de 140 000, contando com uns 30 000 que foram afastados das escolas graças a desculpas esfarrapadas proferidas em nome de uma dívida pública que continua a ser uma história tão mal contada como as que inventam cônjuges apanhados em flagrante delito de delírios carnais: no fundo, os sucessivos governos apanhados a entregar dinheiros nossos a privados desvairados também dizem coisas como isto não é o que parece ou eu posso explicar. Claro que há sempre quem goste de ser enganado, o que explica tanto voto nos do costume.

Entre esquerda e direita, em Educação, há umas alternâncias de discurso, mas um dos pontos comuns (espalhado, aliás, pela opinião pública) pode resumir-se na seguinte proposição: os professores não percebem nada de Educação e/ou estão completamente desactualizados. Esta crença é tão forte que leva ignorantes a pensar que dominam o assunto, chegando mesmo ao ponto de escreverem coisas. [Read more…]

25 de Abril de 1974

Acompanhe a revolução no twitter, em diferido exactamente 42 anos.

Carta aberta aos abstencionistas portugueses

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Caros compatriotas abstencionistas,

Permitam-me saudá-los neste momento tão especial que antecede as eleições Legislativas. No próximo Domingo, como sabem, decide-se parte do nosso futuro colectivo. À nossa frente existem, no meu ver, 2 opções:

1.       Reconduzir o regime

2.       Votar num dos outros 16 partidos em disputa

Eu sei que parece simplista mas na verdade não é. De um lado temos os partidos que governam Portugal desde a implementação efectiva da democracia, PSD, CDS-PP e PS, os mesmos que nos conduziram até este buraco onde nos encontramos e que controlam a esmagadora maioria dos recursos e do aparelho governativo e empresarial do Estado, da sua freguesia até São Bento, do outro temos todos os outros partidos, que nunca governaram e que em nada contribuíram para esta dura realidade de dívida infinita, contas descontroladas, cortes, cargas fiscais aberrantes, tráfico de influências, corrupção, má gestão pública e um fosso entre ricos e pobres que não pára de aumentar. [Read more…]

Pânico no sistema

Nervoso

Eles andam todos muito nervosos. Das clientelas dos blocos centrais aos teóricos do regime, passando pela extrema-direita ressabiada ou pelos apóstolos da ditadura dos mercados, a vitória esmagadora do Syriza nas legislativas de ontem na Grécia causou profundos arrepios a todos os parasitas que se alimentam ou que anseiam vir alimentar-se do apetitoso lombo do sector público, quais percevejos comodamente instalados costas do rinoceronte estatal.

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40 anos desta espécie de democracia

Já nasci nesta espécie de democracia em que vivemos hoje. Por favor, não me tomem por ingrato: estou eternamente agradecido à revolução e como é óbvio, prefiro viver nesta espécie de democracia do que na ditadura que não conheci (ainda bem) mas sobre a qual li e ouvi inúmeras histórias, de pessoas com diferentes “sensibilidades”, sobre como era, o que aconteceu e o que mudou. Tenho exemplos na família, de um bisavô distinguido pelo seu contributo para o enchimento do Celeiro de Portugal até ao pai da tia paterna que foi perseguido, torturado e assassinado pela polícia política. Estou certo que, se o meu bisavô fosse vivo, seria ainda mais salazarista do que outrora depois de ver o que esta espécie de democracia fez ao seu Alentejo, deixado ao total abandono e progressiva desertificação, onde nem uma auto-estrada que seja chega a Beja, no país com a suposta 4ª melhor rede da estradas do mundo . E como diz o meu avô, seu filho, teria “500 carradas de razão”. Esta espécie de democracia parece ter abandonado o Alentejo à sua sorte e aridez. Da mesma forma, estou certo que o resistente anti-fascista e pai da minha tia ficaria “ligeiramente” desiludido com o resultado daquilo por que deu a sua vida.

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A legitimidade de tomar o país de assalto

Se te manifestas contra o Governo em Caracas ou Kiev (neste caso contra o de Moscovo), estarás a lutar pela liberdade e contra o absolutismo. Se te manifestas em Lisboa ou Atenas és um irresponsável incapaz de perceber que as tuas atitudes provocam consequências desastrosas junto dos mercados e dos investidores. Pouco importa se te sentes injustiçado, roubado ou enganado porque a legitimidade da tua revolta, ao contrário da dos nossos pares venezuelanos ou ucranianos, depende muito menos desses factores do que do apetite voraz de Wall Street ou da City londrina. O teu país está tão ocupado e vergado a oligarcas como a Crimeia. A única diferença é que em Portugal e na Grécia o poder político já assinou o pacto de vassalagem com o regime certo. Aqui o trabalho está feito.

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Quando os portugueses   quiserem

a ANS está pronta para a revolução.

Grátis: teatro e revolução no Porto

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O espectáculo musical A Revolução Dos Que Não Sabem Dizer Nós é um texto de Zeferino Mota, com encenação de João Paulo Costa, e direcção musical de Ernesto Coelho. A Revolução… tem interpretações de Ana de Jesus, Ana Luísa Queirós, Miguel Lemos, Pedro Roquette, Rita Lagarto e Tiago Araújo.

Está em cena até dia 22 de Setembro, de quarta a domingo às 21h30, na sala redonda do 4º piso do Edifício AXA. Sim, a entrada é gratuita.

Para saber mais sobre o espectáculo, é favor visitar a Gazeta dos Artistas. A seguir ao corte, um vídeo. [Read more…]

O patriota

José Miguel Júdice oferece hoje um importante contributo para a empreitada de refundação da língua portuguesa actualmente em curso. Propõe o magnata da advocacia nacional que “revolução”, “golpe de estado” e “ruptura” passem a ser lidas como sinónimos de implantação de um regime presidencialista, convenientemente chefiado por banqueiros como Artur Santos Silva (se para tanto se achar “com pachorra”) e “homens moderados”, como António Pires de Lima, e que possa enfim providenciar o clima favorável ao “business as usual ” de que a pátria tanto precisa. [Read more…]

Acordai

Vamos acordar; o professor vale mais que o Neymar.

25 de Abril de 1974

SALGUEIRO MAIA

Eu era uma criança.
Gostava de ter vivido aqueles momentos de apreensão mas também mágicos que acompanharam a revolução e ficaram para além dela.
Gostava de ter podido abraçar sentidamente aqueles Homens, em nada parecidos com os homúnculos que hoje por aí pululam.
De ter podido dizer-lhes «Obrigada» de rosto lavado em lágrimas e voz embargada.
De ter podido entregar um cravo vermelho a cada um deles.
De ter podido dizer-lhes que agora sim, agora é que o futuro nos ia sorrir. Agora é que iríamos concretizar a nossa grandeza, graças a eles.
De os ter acompanhado pelas ruas fora.
De ter ficado com o seu cheiro entranhado nas minhas roupas que não lavaria nem usaria jamais, de modo a perpetuar aquele odor heróico.
De ter abraçado todos aqueles com quem me cruzasse, subitamente transformados em meus irmãos na felicidade de concretizar um futuro sonhado.
De ter sentido aquele saborzinho único que fica quando a justiça impera e quando sabemos que vivemos momentos especiais.
De ter visto o povo nas ruas, cada vez em maior número, uns com olhares de medo, olhando ainda de soslaio, tentando perceber onde andaria o «bufo» mais perto de si, outros com um sorriso de orelha a orelha, sonhando já com o amanhã em liberdade.
De ter presenciado as reacções dos meus pais, de lhes ter lido o medo. De, depois, rir com eles, e construir sonhos de alegria, de igualdade, de justiça social.
De entoar lindas e frescas canções de revolução, liberdade e esperança.
Sim, o dia 25 de Abril de 1974 amanheceu especial e histórico e eu, infelizmente, era demasiado criança para o viver intensamente ou para simplesmente o viver.
Ainda assim, nunca é tarde para isto:
OBRIGADA por tudo o que fizeram pelo nosso país.

Grândola universal

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A canção da nossa Libertação em 20 versões diferentes, cantada por finlandeses, suecos, brasileiros, chilenos, italianos, norte-americanos, alemães, holandeses, e portugueses, claro. Para todos os gostos e em todas as línguas e músicas. Aqui, para ir recordando a letra e a música.

Tenham medo, muito medo

É em Espanha que começa a nossa 1789?

Frase de marear

O DN tinha ontem esta frase de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), um dos meus autores mais queridos:

Se mandar o seu povo atirar-se ao mar, ele fará uma revolução.

Quantas revoluções deixámos de fazer…

Vencedores e Vencidos – Abril, o Grande Vencedor

   (adão cruz)

Presume-se que os vitoriosos deste Mundo, sejam os vitoriosos que provocaram ou facilitaram a fabricação desta plataforma em que vivemos, da barbárie ocidental dos tempos modernos, da poluição, da fome, da super-alimentação e da alimentação envenenada, o mundo da degradação, da auto-destruição e da massificação da economia, o mundo-universo da droga, do suicídio, da delinquência, da violência e do extremismo. [Read more…]

Na morte de Agostinho da Silva (3-4-1994).

Passou discreto o aniversário sobre a morte de Agostinho da Silva (Porto, 13-2-1906 – Lisboa, 3-4-1994) talvez porque este filósofo, ensaísta e pedagogo pretendia mudar o mundo a partir de dentro, pelo espírito e não por fora, com retórica política ou cocktails molotov. Agostinho da Silva nasceu, viveu e morreu como os da sua espécie, desde o padre António Vieira, passando por Sebastião da Gama ou Sophia de Mello Breyner: discretamente arrumados para um canto, ofuscados por conveniências do politicamente oportuno e do pretenso discurso renovador dos Espertos, essa classe transversal à sociedade portuguesa. Ele, que não era do Heterodoxo, nem do Ortodoxo, mas do Paradoxo devia estar mais perto da Certeza. Nós, humildes aprendizes ou convictos ignorantes, achamos que não. Em todo o caso, neste tempo convulsivo convém reler algumas das suas obras e reflectir sobre as suas palavras, como as que se seguem, retiradas da biografia sobre Frederick William Sanderson (1857-1922):

A revolução obriga a um dispêndio de energias que não estão de modo algum em relação com os resultados obtidos; a ilusão de todos os revolucionários da história tem sido a de que, depois do movimento, se encontrariam num mundo perfeito, absolutamente de acordo com a construção teórica ou respondendo ao impulso de generosidade que os levou à acção; o estudo da história mostra, segundo Sanderson, o contrário: depois de todo o tumulto em que os melhores se perdem, depois de toda a confusão das derrocadas, verifica-se que foi mínimo o progresso e que os homens que atingem um nível de repouso não estão na realidade, muito longe do ponto de partida. [Read more…]

Como Filmar uma Revolução

Pode ser que isto venha a ser necessário nos próximos tempos.

 
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Pedro Reis, isto já não vai lá com pequenos remendos pá

Fui  ver quem era o novo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo, um tal de Pedro Reis, e sai o homem que coordenou  “Voltar a Crescer”, o livro que Passos Coelho dizia antes das eleições não ser bem o seu programa de governo mas afinal era o seu programa de governo.

Pedro Reis é um revolucionário, neste vídeo, ainda na fase projecto de pote, assume que precisamos de uma revolução..

Infelizmente não domina a linguagem das revoluções e sendo assim tentei traduzir o seu pensamento para Otelo Saraiva Carvalhês.

O estado é um abafador da economia, pá, isto a economia é como jogar ao berlinde, empurra-se daqui, dá-se um piparote acolá, e o mais forte ganha, agora pá, vem o estado e abafa, tá mal pá, por exemplo os impostos, um gajo ganha uma pipa de massa e vai logo parar ao escalão mais elevado do IRS, fora o que discretamente mandou para os offshores, não pode ser pá, eu tenho que ser ajudado no meu rendimento pá, eu sou um criador de emprego e um agente económico pá, claro que é preciso pagar impostos, não vamos tão longe, mas no IVA, eu quero lá saber se o leite paga 6 ou 23%, para mim isso são tostões, agora não é justo que esses gajos que ganham mal e porcamente paguem menos impostos sobre o rendimento do que eu pá, [Read more…]

O presente, essa grande mentira social. IV – Socialismo heterogéneo

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Capítulo Quarto. Socialismo Heterogéneo.

Falar de socialismo, é referir um conjunto de alternativas para entender o que está dentro do conceito. A primeira ideia, é a de ser um movimento de inconformismo, como refiro no primeiro capítulo, que despertou no meio da população operária, e não só, a aparição da relação social denominada capital. E digo não só, porque aparecem uma série de intelectuais a lutar pela igualdade das pessoas, e outros que fazem do objectivo socialismo, um objectivo de vida para quem assim pensa. [Read more…]

O estado da nação

Hoje de manhã tinha dois convites no facebook: um para a “Revolução Portuguesa / Portuguese Revolution,” o outro para o “Fim do Mundo!“.

Em princípio vou ao da revolução, e de qualquer forma o fim do mundo é logo a seguir.

Abril pode ser no mês que um homem quiser

Uma explicação:  à revelia dos meus colegas aventadores (sim, o 25 de Abril começou por ser um golpe de estado) espalhei hoje por aqui várias cantigas que têm sido armas, excluindo propositadamente os clássicos da música dita de intervenção. Comemorar o 25 de Abril é muito bonito, ficar pelo saudosismo (que o tenho) ou pela discussão sobre o que foi ou não cumprido, é feio.

O passado de nada nos serve no presente se no presente nada fizermos pelo futuro. Quase 40 anos de governos repetidos trouxeram-nos a mais uma crise (estamos em crise desde 1973, banalizámos a crise, mas ela existe). No mundo, admito a possibilidade de o capitalismo superar esta convulsão, que passa pela transferência do imperialismo dominante dos EUA para a China, mas ensina-nos a história que nunca tal sucedeu sem guerra.

É um tempo de guerra o que vamos viver na próxima década. Pode ser, e espero bem que seja, uma guerra lenta, espaçada, de veludo mais ou menos frio. É um tempo de miséria o que temos pela frente, tal como sucedeu na década de 30 do séc. XX (e já assim tinha sido no séc. XIX). Mas é também um tempo onde aos homens e mulheres competirá decidirem do seu destino. As revoluções hoje podem não se fazer como no século passado. Podem ter mais ou menos sangue. Podem ser Tunísias, mas também podem ser Líbias ou Sírias ou Bahreins. Mas fazem-se, e vão fazer-se. A história nunca viveu sem elas e a história não acabou.

Eu fui à rua em Março – Música Rui Rebelo, Letra Miguel Castro Caldas

Esta cantiga, e outras, descobria-as no facebook, essa invenção reaccionária que por vezes vira revolucionária, num grupo que uma amiga em boa hora criou: (Banda Sonora para) Uma R E V O L U Ç Ã O. Passem por lá, para matar saudades do passado mas também para terem saudades do futuro que aí vem.

Os nossos governantes

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Devia ter começado pela pergunta: quem nos governa, ou, por outras palavras, quem leva e conduz as redes do poder supremo dentro de um grupo social: o estado?

Há várias formas de impingir a lei ou os costumes entre os povos do mundo: por sucessão monárquica, na Europa; por sucessão real entre os oceânicos, como os Massim da Kiriwina, ou os Mapuche do Chile, comandados por um rei ou lonco, que na língua deles, mapudungum, se diz Toqui; ou por postos de chefia sem réplica no longínquo oriente como na China, no Tibete, no Paquistão, ou na Índia; ou por ditaduras no oriente próximo, como na Líbia, na Síria, no Iémen, ou no Egipto, entre outros. [Read more…]

Não Sabem O Que São Sacrifícios

Desde há trinta e cinco anos que a abundância chegou às nossas casas. Só quem viveu durante anos nos anos anteriores a 1974, pode saber do que estou a falar.
Os ordenados eram baixos, as ferramentas existentes para enfrentar a vida eram escassas, o espírito de sacrifício geral era enorme.
Quem tivesse tido a sorte e o engenho (porque só os melhores de entre os que tinham tido essa hipótese o conseguiam) de chegar a ter um curso superior, atingindo o patamar de ‘licenciado’, sabia que esse era o momento imediatamente anterior ao patamar de ‘estar empregado’. Nos dias de hoje, os dias em que existe uma overdose de qualificações, nos dias em que todos são doutores, essa relação já não existe. Banalizou-se o facto de se ser licenciado, havendo quem possua uma licenciatura mas não tenha as qualificações certas ou mais adequadas ao que o mercado necessita. Há cursos superiores para tudo e mais alguma coisa, mas não há mercado de trabalho correspondente. [Read more…]

Os canalhas nunca são do seu próprio povo

A canalhice é como a estupidez, universal. Tal como a estupidez, torna-se tanto mais perigosa quanto mais poder tem o canalha. É nessas alturas que se vê com quantos paus se faz um canalha.

Chegados ao poder, os canalhas submetem povos, não lhes pertencem. Chegam a acreditar que o povo e respectivos pertences lhes pertencem. É por isso que o canalha bombardeia o seu povo, com bombas, se preciso for.

Por vezes, há pessoas sérias que abraçam os canalhas e declaram publicamente amizades profundas tão eternas como eternos são os amores enquanto duram e juram que os canalhas não são canalhas ou que não se deve meter o nariz nas canalhices dos canalhas, como a colher entre marido e mulher. O que dirão as pessoas sérias se os canalhas forem castigados pela sua canalhice?

Adoro o cheiro do povo na rua pela noite, pela manhã

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O suor, o fedor a povo, a comunhão humana que só as revoluções fabricam, a solidariedade, a fraternidade.

Adoro revoluções naturais, sem partidos da classe operária e outros aditivos tóxicos.

A terra dos escravos que ergueram as pirâmides, dos camponeses que lavraram o vale do Nilo, pela primeira vez é sua, deposto o último faraó.

Que seja mesmo o último. Façam o favor de não gritar o povo unido jamais será vencido, conselho de amigo, dá azar.

Eu vejo este povo a lutar

Anda tudo tão entretido com o Egipto (não confundir com “Egito” que é nome de pessoa, ainda por cima de poeta) que nem se repara no rei da Jordânia que demitiu o governo (antes que o demitam a ele, 1 de Fevereiro é um bom dia para regicídios) e na Síria que já tem a sua revolução marcada para 6ª feira.

2011 começa com um Janeiro a saber a Abril. Dá-me a nostalgia, privilegiado que fui por ter vivido uma revolução na adolescência,  “eu vi este povo a lutar“, e dão-me em cima com os viciados em pânico do costume: os ocidentalistas.

Os ocidentalistas tremem de medo perante o islamismo (como se as religiões não fossem todas iguais e crentes no mesmo deus), os mercados andam aflitos com o petróleo. Já os vi a arrancar o cabelo porque Portugal podia virar a Cuba da Europa (uma tolice pegada: URSS e EUA tinham o seu tratado de Tordesilhas e as jangadas de pedra são um conceito tecnologicamente muito avançado e por enquanto impraticável). É sempre assim. Eu gosto do povo a lutar.

Uma faísca incendiou a pradaria, como dizia o camarada Mao, o incêndio é muito mais rápido do que foi o último movimento revolucionário comparável, o que culminou no derrube do Muro de Berlim. Dali só podem vir coisas boas, porque o que ali estava tinha que ser derrubado. O mundo está a ficar melhor.

Da Weasel, o fim da banda da doninha

Os Da Weasel anunciam que a banda acabou. Quem nunca viu a doninha, já não vê. É pena, a menos que venham projetos melhores – sozinhos ou acompanhados. Aqui, Da Weasel com Manel Cruz, a seguir – carregue em Continuar a ler– bora lá fazer a puta da revolução e, outra ironia, nunca me deixes.

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O 25 de Abril, 36 anos depois, tem um rosto

Domingos Névoa, o homem da Bragaparques. É o rosto de um poder judicial que nunca julgou os juízes dos tribunais plenários do fascismo.  É a imagem dos patrões que temos, analfabetos (60% dos nossos empresário não ultrapassaram o ensino básico), tipos que emprestam 25 000 Euros a vereadores, colados à igreja (cuja responsabilidade em séculos de opressão continua branqueada).  É a construção civil em todo o seu esplendor, que vai tornado inabitáveis as cidades e cada vez mais feios os campos e as praias, num país que tem mais casas do que aquelas que necessita.

Não foi para isto que o povo saiu à rua e fez de um golpe militar quase uma revolução. Acho eu, mas quem sou eu para saber o que o povo quer?

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