
Foi a 30 de Novembro de 2009. Lembro-me como se fosse hoje. O Porto de Bruno Alves, Falcão, Hulk e Meireles, orientado por Jesualdo, enfrentava o Atlético de Paulo Assunção, Forlán, Aguero e Simão Sabrosa. Era o jogo grande do grupo D da Champions. E eu tinha um convite para ver o jogo no camarote.
Cheguei em cima da hora, estacionei o meu velho VW Polo entre Bentleys e Porsches, e apressei o passo. Localizado o elevador, corri para apanhar a porta que se fechava. O jogo estava prestes a começar. Entro esbaforido, capaz de ficar entalado na porta, e dou de frente com Jorge Nuno Pinto da Costa. Ofegante e star-strucked, não consegui dizer uma palavra. Disse ele:
- Respire que ainda vai a tempo. Eles não começam sem nós.
E sorriu. Eu também sorri, mas não consegui emitir um único som. De todas as pessoas que me podiam ter aparecido no elevador, esta era a única que eu não esperava ver. E quem me conhece sabe que não sou pessoa de me acanhar com ninguém, famoso ou não. Mas Pinto da Costa não era um tipo famoso. Era um ícone. E a sua presença impunha-se de uma forma avassaladora. Voltei a cruzar-me com ele, inclusive naquele elevador, mas esta é a memória mais bonita que guardo dele.
Devo a Pinto da Costa outras memórias bonitas. Algumas de um tempo em que era alheio à existência do futebol. Outras dos anos loucos entre a adolescência e o início da idade adulta, durante a década de ouro em que o Porto se consolidou como potência do futebol europeu e mundial, capaz de se bater olhos nos olhos com qualquer tubarão multimilionário.
Ver o meu Porto conquistar a Liga dos Campeões, em 2004, é algo que nunca me sairá da retina. Mas enumerar as conquistas da era Pinto da Costa é um exercício que não me interessa fazer. Já muitos o fizeram, nas últimas horas, e a cobertura internacional dada ao falecimento do eterno presidente fala pela grandiosidade dos seus feitos. Um deles é precisamente esse: Pinto da Costa deu dimensão mundial incontestável ao Futebol Clube do Porto, arrastando a cidade consigo. Essa foi, a meu ver, a maior das suas conquistas.
Largos dias tiveram os 42 anos da sua presidência. Dias de celebrações, troféus e de uma afirmação irreversível. Sabemos que nem todos foram soalheiros. Parece-me justo admiti-lo. Mas hoje não vou por aí. Prefiro usar o meu tempo e palavras para recordar o homem carismático, o vencedor insaciável e o dirigente inigualável. Para recordar o homem culto e inteligente, dono de um requintado sentido de humor, partidário de uma sociedade mais justa e igual.
Mas Pinto da Costa foi mais que um dirigente desportivo de enorme sucesso. Foi um símbolo de emancipação do Porto e do Norte de Portugal, com um papel fundamental na afirmação da nossa região e da cidade que deu nome ao clube. Inconformado e vocal, assumiu a missão do combate ao centralismo. À hegemonia de Lisboa. E quebrou-a no futebol.
Pinto da Costa conquistou a eternidade em vida.
E será imortal por direito.
Descansa em paz, presidente.







Acho curioso que ou era culpado de todos os males do desporto, ou pôs a cidade do Porto no mapa e impôs a descentralização. Não tenho grande opinião definida, mas penso eu de que está muito longe de qualquer dos extremos. Parece-me a mim que a comunidade e cultura à qual cultivou o crescimento não deixaram de ter sido feito de forma torpe por necessidade de respeitinho pelo posto e pela caridade. Da mesma forma que o génio na escolha de jogadores e treinadores dificilmente podia durar quando o desporto se industrializava.
É saudável reconhecer que se tornou pequeno porque quis e fez por isso, tal como se tornou um gigante porque quis e fez por isso. Apesar de tudo, hoje em dia é bem mais do que muitos que andam por aí.
“Foi um símbolo de emancipação do Porto e do Norte de Portugal”, sempre nos interesses próprios e do FCP, desrespeitando o facto que o Porto e a região Norte estar muito para além do FCP, e quem não era portista foi sentindo isso na pele.
“À hegemonia de Lisboa. E quebrou-a no futebol.”, nada contra, desde que o tivesse feito de forma licita e honesta.
Provavelmente a sic, o benfica e o sporting não se lembram de quando os chamados três grandes de lisboa e do país nomeavam o presidente da federação por rotação entre eles. Se Pinto da Costa tivesse sido um anjinho esses privilegiados continuariam a andar impunemente no topo do quero, posso e mando. Ao contrário, ao combater essa casta de intocáveis o FCP com o seu presidente subiu bem mais alto sem fazer parte do ninho dessa casta de aliados confrades artilhados de capas de sacaria de lixo remendadas e chapelaria saloia de cobertura.
Pois, evitava era de o ter feito com base no desrespeito, ódio, bimbalhice, ilicitude e criminalidade.
Não conhecia outros métodos. Estava-lhe no ADN e toda a gente no clube sabia.Agora estão todos a reescrever a história desde o tempo do canal caveira
Quem semeia ventos colhe tempestades:
https://www.jn.pt/3291875734/minuto-de-silencio-a-pinto-da-costa-em-guimaraes-nao-foi-respeitado/
Clubes do Norte, adeptos do Norte
Mas alguns adeptos do clube que foi roubado em 6 milhões por uma quadrilha de bandidos disfarçada de claque, não concordam.
Mas perguntem á família de Pedroto que foi desprezado pelo chefe dessa quadrilha de malfeitores, qual a opinião que têm sobre o dono do macaco e terão surpresas para reflectirem
Que estranho, até são todos conhecidamente do Salgueiros em Guimarães!
Cada um comenta o que vive, como vive e o que sente.
Parabéns pelo seu comovente texto, um pouco à laia de despedida. Gostei muito. Só lamento o desrespeito de quem só sabe ver defeitos, como se todos fossem santos…
Boa noite!
Não bastaria fazer-se e dizer-se grande?
Fazer-se grande por dizer-se tratado por pequeno, sempre me irritou.
Mal sabia tal vir a ser acolhido pela doutrina do coitadinhos…
What????
Fucking nazi!!!!
Sun of a bitch !
Holy sheet
Estar sempre a pensar no Andrézinho é patológico.
What ???
Pois, mas o pior…
É que a doutrina dos coitadinhos, se lhe derem azo, acolhe tudo!
Foi assim que Vosselência lá foi parar, quando falou dos “pecadilhos” do Oliveira da Cerejeira como sendo consequência dos ventos História e do “bullying” internacional…
Logo se ouviu dizer: “coitadinho do Menos, salazaresco tão dedicado, que tão tristinho está com os 50 anos da democracia…”
Vendo bem, é de uma ternura, simplesmente, comovente: “o Grande Menos, sempre tão pequenino, com os dedinhos pequerruchos sempre em ação…por vezes, até no teclado…”
Gostei do que disse ontem Rui Santos , algo como “Os Homens que não tem medo da morte podem ter tudo” , apesar da citação referida não ser de Tolstoy , subscrevo.
A “grandeza” dos que dirigem Sporting e Benfica fica muito aquém da Grandeza das instituições que dirigem.
Joana Quelhas
O Benfica e o Sporting só tem grandeza para o que vos convém.
Morcões, quem não os conhecer que os compre.