Quando alguém se manifesta contra o modo como o problema das construções ilegais em Loures (não) foi resolvido, há uma multidão de fanfarrões que grita em todos os cantos das redes sociais “Leva-os para tua casa!”
Ora, a questão não é bem essa, boa gente! Criticar, com mais ou menos razão, a decisão do presidente da câmara de Loures implica defender uma sociedade que se organize para defender ou ajudar os desfavorecidos, sem pôr em causa a lei ou a segurança e sem distinguir seres humanos com base na cor ou na nacionalidade.
A resolução de problemas desta natureza não pode, portanto, depender da boa vontade individual, numa espécie de mercado livre da caridade.
É verdade que há uma apreciável quantidade de eleitores que gosta de um certo marialvismo, eleitores que, aliás, na sua maioria, são capazes de falar em valores, especial e estranhamente valores cristãos.
Esse cristianismo, no entanto, será aquele sucedâneo que foi e é fonte de violência, o cristianismo das cruzadas e da Inquisição, assente num nacionalismo que é apenas uma forma de desumanização, um tribalismo troglodita. O meu cristianismo, mesmo não sendo crente, é outro e não se compadece com grunhidos e rosnados.
A questão, portanto, não está em trazer ninguém para minha casa, está em transformar países em casas.






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