«Leva-os para tua casa!»

Quando alguém se manifesta contra o modo como o problema das construções ilegais em Loures (não) foi resolvido, há uma multidão de fanfarrões que grita em todos os cantos das redes sociais “Leva-os para tua casa!”

Ora, a questão não é bem essa, boa gente!  Criticar, com mais ou menos razão, a decisão do presidente da câmara de Loures implica defender uma sociedade que se organize para defender ou ajudar os desfavorecidos, sem pôr em causa a lei ou a segurança e sem distinguir seres humanos com base na cor ou na nacionalidade.

A resolução de problemas desta natureza não pode, portanto, depender da boa vontade individual, numa espécie de mercado livre da caridade.

É verdade que há uma apreciável quantidade de eleitores que gosta de um certo marialvismo, eleitores que, aliás, na sua maioria, são capazes de falar em valores, especial e estranhamente valores cristãos.

Esse cristianismo, no entanto, será aquele sucedâneo que foi e é fonte de violência, o cristianismo das cruzadas e da Inquisição, assente num nacionalismo que é apenas uma forma de desumanização, um tribalismo troglodita. O meu cristianismo, mesmo não sendo crente, é outro e não se compadece com grunhidos e rosnados.

A questão, portanto, não está em trazer ninguém para minha casa, está em transformar países em casas.

Comments

  1. Luis says:

    “A questão, portanto, não está em trazer ninguém para minha casa, está em transformar países em casas.”, e quem é que paga essas casas?
    Onde pensa ir buscar o dinheiro para construir essas casas?
    E depois, que tal se essas pessoas com dificuldades tivessem noção das mesmas? Por exemplo, terem em conta que já tem um vida dificil e que a mesma mais dificil será se tiverem filhos? E depois não é um, são sempre de dois para cima.
    Se têm dificuldades em se manterem a eles próprios, como estão a pensar criar e educar os filhos? Ah claro, normalmente são situações de progenitores femininos monoparentais para ajudar à festa.
    Alguns deles vieram de outros países para terem melhor vida, já devem ter percebido que não conseguem, então o que continuam cá a fazer?
    Ou seja, está a propor despejar o mar com uma chavena, até porque aos oriundos de Portugal se estão a juntar em enorme numero os que vieram de fora.
    Pretende dar casa a todos? Com que dinheiro? Acha que ainda consegue contribuir com mais para essa causa?
    Eu como a maior parte, pelo menos até há uns anos, sou cristão, mas o cristianismo nunca me sustentou, quando muito permitiu-me viver numa sociedade civilizada e respeitadora entre os seus membros.
    Sou totalmente a favor do Estado Social, mas há ter a noção que o mesmo não é ilimitado porque quem o suporta, todos nós, não temos recursos ilimitados.
    Para concluir, resolver os problemas que existem, mas tomar medidas para que mais não surjam e isso passa por cada um viver livremente dentro das suas possibilidades.
    São os que assim fazem que suportam o Estado Social para que os outros vivam sem pensar e usufruam do mesmo.

    • António Fernando Nabais says:

      São questões quase todas pertinentes, na minha opinião. Mas também há o outro lado: as barracas existem, a miséria também. A única solução é expulsar as pessoas? Se um estrangeiro tiver de ir a uma urgência em Portugal, vamos perguntar-lhe se tem dinheiro para pagar o tratamento ou vamos insistir em ser um país civilizado? Ninguém disse que era fácil, mas fácil é correr a miséria a pontapé.

    • Gosto muito do cristianismo que não pergunta como ajudar o próximo, do qual se deve desconfiar sempre, mas como o colocar ainda mais miserável para não se chatear. Percebe-se porque se chateiam com os muçulmanos.
      Quanto a que dinheiro, acaba de se aprovar uma descida de 1% a quem mais factura, a juntar aos 5% a enviar para quem nos aumentou a factura energética. São escolhas, entre muitas outras.

      • Luis says:

        Nem coloco em duvida que há dinheiro que é mal gasto numa primeira visão da situação, mas não sei quais as consequencias de por exemplo dos 5% da energia.

        • Não é 5% da energia, é 5% do orçamento do país, ou pelo menos 3,5%, para comprar as armas a quem rebentou com o gasoduto num projecto em que “a europa que se foda”. E qua faz com que hajam os tais de refugiados que a malta não gosta, já agora.

          • Luis says:

            Mas sabe quem é que rebentou com o gasoduto? A sua afirmação parece-me ser a da Russia.
            E quanto às armas, qual é a sua proposta? Não as comprar, abandonar a Ucrania acabando com a guerra borrifando-se para tudo o que isso significa? Ninguém quer a guerra, mas os pacifistas que oiço só apregoam paz no ocidente, não os vejo apregoarem paz em Moscovo, aí é que dava jeito já que a guerra e daí originária.

          • Sei eu e sabe toda a gente, faz de conta que não quando tudo o resto é impossível e não tem lógica nenhuma. Se associa o bom senso à Rússia, faz bem.
            Se ninguém quer a guerra, disfarçam muito bem, tendo em conta que não falam noutra coisa, onde o único continente que escapa é a América. Mas pode achar e acreditar o que quiser da palhaçada do projecto de leste, mas se a própria televisão fala em recrutar mulheres e crianças, se calhar é de pensar que já perdeu. Ou que a anémica produção bélica não vai melhorar só porque se atira dinheiro ao capital sem consequências por não cumprir, com boa parte a não ser particularmente útil.

  2. JgMenos says:

    Que bonito!
    Um tipo resolve sair de sua casa e ir para um país onde sabe que não vai ganhar o suficiente para sobreviver, habitar em termos aí tidos por adequados e enviar dinheiro para a família ou o mais que conste do seu projecto.
    Monta um barraco num monte e logo as almas caridosas se mobilizam para lhe dar uma casa para que cumpra o seu projecto…
    Isto sim, isto é espírito cristão…desde que outros paguem a conta!
    E quando os metem em contentores e criam uma cozinha comunitária, a indignação explode e logo o capitalismo é denunciado e questões de dignidade são invocadas, que isto de um T1 por cabeça é o mínimo admissível!

    • António Fernando Nabais says:

      Ora aqui está o cristianíssimo menos, a escorrer sensibilidade. Não é que alguém nos deva alguma coisa, por alguns de nós terem passado pelo mesmo, mas já reparaste que o teu comentário parece adaptar-se aos milhares de miseráveis que atravessaram duas fronteiras a salto para viverem em “bidonvilles” onde foram um bocadinho menos pobres? Eu sei que não reparaste, filho.

      • JgMenos says:

        Pois foi, coitadinhos!
        Eu reparei o quanto gostavam de falar francês e os quantos só os movia o pirarem-se da tropa.
        Uma coisa é certa, nunca os vi a reclamarem casa própria a não ser a que projetavam construir na sua terra com o fruto do seu trabalho e privações.
        É claro que os franceses não se comparam em sensibilidade aos abrilescos, essa casta de treteiros ao serviço dos mais elevados padrões do que ‘debe-de-ser’.

        • POIS! says:

          Pois claro!

          Não se preocupavam em ter casa por estarem de férias que, lá em França, se chamavam “vacanças”.

          O regime Salazaresco proporcionava programas de férias em diversas partes do mundo. Uma boa parte dos jovens varões preferiam os safaris em África, mas outros houve que resolveram experimentar o campismo em França, e gostaram tanto que ficaram por lá.

          E não queriam deixar o campismo, mas foram obrigados pela Lei Debré de 1964:

          “La loi du 14 décembre 1964, dite loi Debré, autorise les communes à exproprier les terrains sur lesquels sont installés les bidonvilles, afin de les aménager pour construire des logements. Alors qu’on dénombrait encore près de 400 bidonvilles en 1970, ils ont quasiment disparu 5 ans plus tard. “La digue des Français”, dernier grand bidonville de plus de 2000 habitants, à Nice, est rasé en 1976″.

          Foi tenebroso! Obrigarem cidadãos desportistas a irem para casas decentes, construídas através da expropriação dos terrenos do parque de campismo!

          Como diria o célebre “penseur” gaulês Jêgê Moins “À que çá est arrivé!”

        • E ainda constroem, barracas, que não há capital para mais nada.

        • Tuga says:

          Estimado Salazarento menor

          Daqui a pouco estas a dizer que os Bidonville em França, onde os emigrantes se alojavam depois de passarem a salto, nunca existiram. E logo tu que deves ter fotografias do teu tempo da escola da PIDE, pois a policia da ditadura de certo que tinha infiltrados e bufos nessas comunidades.

    • Asnonimo says:

      Aquelas pessoas têm de ser ajudadas
      O Estado Social tem de intervir
      Caso contrário assuma-se o cada um por si.

    • POIS! says:

      Pois, aceitemos, será difícil…

      Atingir a meta de um T1 por cabeça.

      Mas, pelo Menos, há já um que não será necessário. O do Menos, por falta de requisito essencial.

    • Porque existem ordenados que não servem para sobreviver é algo a não questionar, ainda bem que não acontece a nativos brancos.

      • Luis says:

        Bem, pela sua eloquência, não há nativos brancos a ganhar o ordenado minimo e estão também livres para construir barracs em qualquer lugar que nada lhes acontece.

        • Anonimo says:

          O P M é mais um desses falsos berloques de esquerda, que destruiram a verdadeira esquerda que defende a classe trabalhadora. Para ele, privilegiado, o cis hetero branco vive toda nas mordomias, enquanto explora as minorias.

        • O Menos é que segue o pastorinho a fazer de conta que é um exclusivo dos bárbaros que nos invadem, os escurinhos de vários sítios.

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor

      Pela tua verborreia, vê -se que depois do curso na escola da PODE em Sete Rios, nunca foste enviado para as Colónias em África. Se tivesses ido, percebidas que a vida lá e muito difícil e que as pessoas tentam emigrar e sujeitam-se a viver em condições péssimas
      De resto como os portugueses viviam nos bidonville em França para onde tinham que emigrar graças as “maravilhosas” condições que o teu botas dava aos portugueses.durante a ditadura.

  3. Existem tantos inumanos em PORTUGAL
    Que morram sozinhos e a grunhir como porcos no abate

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Só temos a louvar que Vosselência venha publicamente assumir a sua condição.

      E também teremos de respeitar a sua escolha quanto aos momentos finais da sua vida. A presença de curiosos, muitas vezes, só atrapalha.

    • Isacc says:

      Os porcos neste momento estão propositadamente a matar crianças à fome

  4. Joana Quelhas says:

    Qualquer pessoa percebe o esquema mental do pensamento comuna, mas muitas vezes não tem treino para discernir as suas dissimulações em casos concretos.
    Eu explico.
    Neste caso específico, vemos um comuna a evocar o cristianismo – no qual, segundo o próprio, não acredita – apenas na medida em que este lhe serve de argumento para sustentar a sua ideologia.

    Primeiro, afirma:
    “A resolução de problemas desta natureza não pode, portanto, depender da boa vontade individual, numa espécie de mercado livre da caridade.”
    E depois acrescenta:
    “Esse cristianismo, no entanto, será aquele sucedâneo que foi e é fonte de violência, o cristianismo das cruzadas e da Inquisição, assente num nacionalismo que é apenas uma forma de desumanização, um tribalismo troglodita. O meu cristianismo, mesmo não sendo crente, é outro e não se compadece com grunhidos e rosnados.”
    Deixando de lado os lugares-comuns habituais destes “intelectuais de bolso” — Inquisição, Cruzadas, etc. — porque não quero agora dispersar-me, é notória a contradição: invoca-se o cristianismo e, ao mesmo tempo, rejeita-se a solução cristã, que é precisamente a caridade individual.

    O cristianismo não defende soluções de grupo nem sistemas políticos; não pretende instituir formas de governo, mas sim promover a salvação das almas, que é uma questão individual. E aqui está o cerne da questão: o comuna quer uma solução centralizada, imposta por um ente terreno todo-poderoso – o Estado – enquanto o cristianismo faz depender a resolução dos problemas da boa vontade individual, “numa espécie de mercado livre da caridade”.
    Ou seja, o comuna invoca os valores cristãos, mas rejeita a solução proposta pelo cristianismo. Qual é o objectivo deste tipo de raciocínio? Pretende-se “matar dois coelhos de uma cajadada só”: por um lado, denigre-se o cristianismo e, por outro, apresenta-se a solução pronta — o comunismo.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois note-se que a Qwelllasss…

      É tu cá, tu lá, com Cristo. Andaram juntos na escola primária da Nazaré (*), sabe do que fala! E ouviu perfeitamente o Mestre pregar lá no cimo da Torre o Sermão do Prémio da Montanha onde afirmou:

      “Bem-aventurado seja o rico que doe a sua fortuna ao pobre, que assim ficará rico e irá doar a sua fortuna ao pobre que antes era o rico e fique novamente pobre e fique á espera que o rico, que antes estava pobre, lhe volte a doar toda a sua fortuna e fique pobre”.

      Nessa altura, ao lado da Qwelllhhhasss estava um inglês que lhe disse “tenho uma ideia melhor” e levantou-se para sair. Quando lhe perguntou o nome, este respondeu qualquer coisa como Roubim Húde, o que deixou a Qwellllhasss um tanto intrigada.

      (*) Onde Cristo aprendeu técnicas de surf com prancha submersa, daí aquela história de caminhar sobre as águas.

    • É o cristianismo à lá carte, tal como o catolicismo que não gostam dos papas; não apoia comunidades centralizadas, excepto as várias igrejas, nem sistemas políticos, excepto aqueles que violentam quem aborta, relações homossexuais, ou colocar a mulher como serva da casa. E que adora a usura e os vendilhões do templo.
      Valores europeus judeo-cristãos, como lhes chamam, a criar cada vez mais nojo dentro e fora. Continuem.

      • Luis says:

        De facto os judeus-cristãos são um horror, felizmente há países de maioria muculmana onde tudo isso é não só “tolerado e respeitado” como também “protegido”. São sempre uma opção para fugir do nojo interno e externo.

        • Isaac says:

          Serás marrano ?
          Já mataste alguma criança?
          A bomba ou a fome.
          Nisso os marranos são especialistas

          • Luis says:

            Não sou marrano, no teu caso não sei.
            Mas sem qualquer duvida que usas cabresto e está bem apertado como o teu freio.

          • Nortenho says:

            Luis

            Se não sabes o que é um marrano vai ver na wikipedia, não mostres aqui a tua ignorãncia
            Podes também procurar por marrã

          • Luis says:

            Caro Nortenho,

            Obrigado pela preocupação da minha eventual ignorância relativamente às palavras em apreço. Não te preocupes, sei o significado de ambas.
            Isso não invalida que tenha escrito o que escrevi, se leres melhor, talvez entendas.

        • É às vezes a forma de resistência possível, ou então são os nossos aliados depois de rebentarmos, literalmente, com o comunismo. Está longe de uniforme, e está a mudar rapidamente, pelo menos em indiferença, com a prosperidade onde ela é permitida existir.

    • Jesus says:

      Dona Joana

      O que é o cristianismo. ?
      Será aquela religião inventada por um sujeito, que dizem ser filho de uma mulher casada com um carpinteiro e que que teve um filho de um espírito santo e que ficou virgem ?
      Uma treta que só idiotas concebem dentro das cabecinhas

  5. Se é para voltar à inspiração do mais maior grande português de sempre, as barracas têm que fazer parte, naturalmente. Avante, que as casas ainda serão todas propriedade estrangeira, para que o tuga volte a ser pobre e vassalo, perdão, honrado.

  6. Luis Coelho says:

    Inteiramentr de acordo!
    Diga pf como se faz e quem paga!

    • Faz-se assim: escolhe-se um modelo económico de baixo investimento, baixo valor acrescentado, e baixo salário, alta especulação no que o capital estrangeiro quiser, que qualquer dia alguém há-de entrar no mercado para resolver os problemas de quem só tem dívidas em nome dele. Ainda têm órgãos como o útero e filhos para pôr a render, não é verdade?

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading