Uma crónica do manicómio

Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 13 de Fevereiro de 2013.

“Independentemente do maior ou menor requinte habitacional da capoeira, a nossa galinha é um animal feliz

galinha-felicidade

Era uma vez um cão chamado Zico. De raça perigosa, um pitbull. O cão matou uma criança. O que era sensatamente evidente era que o cão deveria ser exterminado para evitar que viesse a molestar mais alguém. Qual quê? Levantaram-se contra o abate do cão assassino toda uma legião farisaica de fundamentalistas defensores da bicharada: os das baratas, os das moscas varejeiras, os dos ratos, os das galinhas poedeiras e a mais recente associação de defesa da pulga indígena. E a Associação Animal avançou mesmo com uma providência cautelar contra o abate do bicho, coitadinho! Se bem que nenhum dos defensores do dito se tenha disponibilizado para o levar para casa. Diziam estes “ditadores dos animais” que o bicho “merece uma segunda oportunidade” até porque “se atacou, algum motivo teve para o fazer”! Devem ser os mesmos acérrimos defensores da bicharada que empunhavam um cartaz onde um touro, de lágrima escorrendo do canto do olho, garantia que “também tinha sentimentos”! Recordo uma vez mais um poema de Sophia de Mello Breyner: “As pessoas sensíveis não são capazes / de matar galinhas / porém são capazes / de comer galinhas”. Estes fundamentalistas animais não matam galinhas. Mas comem-nas porque têm quem as mate por eles. Não são sensíveis. São apenas ridículos.

Depois do cão, o porco[Read more…]