“Multipliquem-se”, disse ela

marialuisalbuquerqueLuís Manuel Cunha

Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos”. A transcrição pode ser lida no Livro de Génesis do Antigo Testamento.

E pôde ouvir-se a semana passada da boca de Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças. A senhora começou por afirmar, num colóquio qualquer organizado pela JSD, que o país tem os cofres cheios, supõe-se que de euros. É certo que estava a falar para débeis mentais que são hoje os espermatozóides que darão origem aos marcos antónios costas de amanhã.
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O 25 de Abril em Barcelos

jornal-de-barcelosO 25 de Abril na capa do Jornal de Barcelos na sua edição de amanhã, inteiramente ilustrada por alunos do Mestrado em Ilustração e Animação do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (Barcelos).

A propósito das praxes académicas

Luís Manuel Cunha

enjoy-praxeDe momento, é o que está a dar. Bater nas praxes académicas exigindo a sua extinção tornou-se o objectivo principal do lixo jornalístico chamado Correio da Manhã, da esquerdalhada convertida ex-MRPP (Maria José Morgado, por exemplo), dos resquícios intelectualóides de outros ex-esquerdistas agora refundados no PSD (Pacheco Pereira) ou do snobismo queque da inutilidade autoconvencida do eixo Lisboa-Cascais (Paulo Teixeira Pinto, Constança Cunha e Sá), sem esquecer o moralismo “fracturante” da “esquerda caviar” em que se transformou o BE. Para citar apenas alguns destes “actores” de opereta convertidos em corifeus da “sua” moralidade e dos “seus” bons costumes. Sem deixar de referir os audiovisuais nomeadamente a TVI, que deveria preocupar-se mais em resguardar os telespectadores (se bem que estes, se calhar, até sejam os mais culpados) da exposição pública dessa verdadeira “sala de ordenha” que é a Casa dos Segredos – Desafio Final, um exercício de voyeurismo de um bordel em plena laboração 24 horas sobre 24 horas, um verdadeiro lupanar com “meninas” a “quecar” (releve-se a originalidade do neologismo utilizado por uma dessas “meninas” intervenientes activas na queca visualizada) perante um país inteiro que só não assiste se não quiser! [Read more…]

Da importância político-religiosa do cu

vai-tomar-cu Luís Manuel Cunha

Advertência – o texto que se segue não é propriamente um texto edificante. Menos ainda escrito em português suave, pelo que mereceria talvez uma bolinha vermelha no canto superior direito da página. Depois, não me venham dizer os leitores que não foram avisados. Vamos lá então.

Francisco José Viegas, ex-secretário de Estado da Cultura deste Governo de fedelhos amaricados que governa Portugal, escreveu que, no exacto momento em que um fiscal mais zeloso lhe perguntasse, enquanto consumidor final, pela facturinha do café acabado de tomar, dir-lhe-ia simplesmente: “Vai tomar no cu”. Como era suposto acontecer, logo se insurgiram contra ele as costumeiras almas púdicas. E até o inócuo catedrático da verborreia lusíada, Marcelo Rebelo de Sousa, decretou, com aquele ar manhoso de tudólogo sonso, que Viegas acabaria apenas por tornar-se conhecido mercê desta reacção tornada pública. Esqueceram-se todos, como muito perspicazmente refere Ricardo Araújo Pereira, que o cu em que Viegas manda tomar não passa de um cu simbólico, “uma metonímia de vários outros cus” bastante mais poderosos, numa espécie de “hierarquia de cus” até chegar ao “cu-mor, responsável último pela ideia da fiscalização das facturas.” [Read more…]

Uma crónica do manicómio

Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 13 de Fevereiro de 2013.

“Independentemente do maior ou menor requinte habitacional da capoeira, a nossa galinha é um animal feliz

galinha-felicidade

Era uma vez um cão chamado Zico. De raça perigosa, um pitbull. O cão matou uma criança. O que era sensatamente evidente era que o cão deveria ser exterminado para evitar que viesse a molestar mais alguém. Qual quê? Levantaram-se contra o abate do cão assassino toda uma legião farisaica de fundamentalistas defensores da bicharada: os das baratas, os das moscas varejeiras, os dos ratos, os das galinhas poedeiras e a mais recente associação de defesa da pulga indígena. E a Associação Animal avançou mesmo com uma providência cautelar contra o abate do bicho, coitadinho! Se bem que nenhum dos defensores do dito se tenha disponibilizado para o levar para casa. Diziam estes “ditadores dos animais” que o bicho “merece uma segunda oportunidade” até porque “se atacou, algum motivo teve para o fazer”! Devem ser os mesmos acérrimos defensores da bicharada que empunhavam um cartaz onde um touro, de lágrima escorrendo do canto do olho, garantia que “também tinha sentimentos”! Recordo uma vez mais um poema de Sophia de Mello Breyner: “As pessoas sensíveis não são capazes / de matar galinhas / porém são capazes / de comer galinhas”. Estes fundamentalistas animais não matam galinhas. Mas comem-nas porque têm quem as mate por eles. Não são sensíveis. São apenas ridículos.

Depois do cão, o porco[Read more…]

O Aníbal, a Maria, o Pedro e a Laura

Luís Manuel Cunha

cavaco-maria-pedro-passos-coelho-laura

Há descobertas verdadeiramente surpreendentes. Há dias, li no Público uma reportagem sobre a formação ministrada na Escola Superior de Polícia. Nela se dizia que aos instruendos, futuros oficiais, era obrigatória a leitura de Eça de Queirós (As Farpas) para que, através dele, tivessem uma noção do que é o Portugal de hoje. Fiquei, confesso, estupefacto. Mas compreendo bem a decisão dos responsáveis da Escola. Dizia Eça que o país vivia numa “pobreza geral”. Esta pobreza geral, continua o escritor, produz um aviltamento na dignidade que leva a que todos vivam na dependência. E, desta forma, nunca temos a atitude da nossa consciência, mas sim a atitude do nosso interesse. Ora, o indivíduo assim rebaixado, “tendo perdido a altivez da dignidade e da opinião, habitua-se a dobrar-se (…). Dobra-se sempre. Propõe injustiças e aceita-as” e, por isso, “julga o favor, a protecção, a corrupção, funções naturais e aceitáveis.” Era assim Portugal em 1871. Ontem como hoje. O país cretinizou-se. Tornou-se raquítico, medíocre, inculto, boçal. Basta atentar nas mensagens de Natal de Cavaco Silva e de Passos Coelho. [Read more…]

Pão das Almas 3

Todos os Santos.
Cossourado, Barcelos.