Chegaram os bombeiros

Do Facebook da Areal Editores:

Hoje, dia 21 de maio, surgiram nas redes sociais considerações menos positivas sobre um exercício de Física que envolvia um gato que era largado de uma varanda, num caderno de atividades por nós produzido.
Temos de reconhecer que concordamos convosco, no que respeita à infelicidade do exemplo apresentado: é um exemplo infeliz, que em nada se coaduna com a nossa postura, e que passou despercebido às várias pessoas que produziram e reviram o texto.
O ser humano, por melhor que possa ser, também erra. Importante é que o erro cometido possa contribuir para melhorar tudo o que fazemos. As nossas desculpas são extensíveis a todos.
Podemos garantir que tal exemplo já não constará da versão que será disponibilizada aos alunos.
Obrigado pelo vosso contributo para a melhoria do nosso trabalho.

Publico isto porque escrevi isto. Lá vieram as relações públicas despejar o extintor sobre as chamas provocadas pela ausência de revisão científica e pedagógica dos manuais, feita por quem a deveria fazer. [Read more…]

Quando os animais escrevem manuais

António José Silva e Cláudia Simões escreveram o novo manual de Físico-Química para o 9º ano intitulado Zoom, publicado pela Areal Editores. Feito um zoom ao caderno de exercícios, encontra-se isto:
zoom areal editores

Na impossibilidade de largar o António José Silva da varanda, eventualmente cruzando-se com a Cláudia Simões empurrada de uma janela 2 metros abaixo, e de calcular os estragos que ambos causariam ao piso da calçada, tendo em conta a densidade de calhau rolado que ambos demonstram possuir, limito-me a sugerir que ninguém adopte este manual. É o mínimo, e manuais escritos por animais têm um bom destino: o zoológico.

Imagem roubada no Facebook a Luísa Coelho.

Adenda: a jornalista Clara Viana, com o seu habitual rigor quando se refere a assuntos denunciados no Aventar, descobriu que o exercício após a sua publicação numa página pessoal do Facebook, anónima, “foi replicado depois por uma série de blogues” e escreveu no Público sobre o assunto. A editora já pediu desculpa, o exercício será retirado, mas aos teocratas da Física (fisiocratas é outra coisa) que agora aqui vêm defender o indefensável aproveito para deixar uma citação do Carlos Fiolhais, e discutam lá a vossa ciência com ele, que por mim, assunto resolvido, acabou a pachorra, e já me falta muito pouco para começar a defender o Crato e a  Maria de Lurdes Rodrigues

Em declarações ao PÚBLICO, o físico Carlos Fiolhais, que também é autor de manuais escolares, considera que o exercício “é, por razões éticas, inadmissível do ponto de vista didáctico”. “Não se devem fazer experiências desse tipo com animais, uma vez que estes têm direitos”, especifica.
Fiolhais explica que o enunciado proposto nada tem a ver com o que é descrito no problema do “gato que cai”, um clássico da física onde se tenta perceber “por que razão os gatos caem normalmente com os pés para baixo depois de darem várias voltas”. “Para a disciplina em causa e para o nível etário em causa, qualquer objecto pode servir para exemplo. Dar um exemplo de ‘lançamento de um gato’ é inteiramente inaceitável”, conclui.