Sobre João José Cardoso

Maioria dos membros do comité central do Syriza rejeita o acordo

Declaração de 109 (entre 201) membros do CC do Syriza:

A 12 de Julho teve lugar um golpe de estado em Bruxelas, que demonstrou o objectivo dos dirigentes europeus: infligir uma punição exemplar a um povo que imaginou outro caminho, diferente do modelo neoliberal de austeridade. Foi um golpe de estado dirigido contra toda a nação de democracia e de soberania popular.
O acordo assinado coms as “instituições” foi o resultado de ameaças de estrangulamento económico imediato e representa um novo protocolo impondo condições humilhantes, odiosas, e uma tutela destrutivas para o nosso país e o nosso povo.
Estamos conscientes da asfixia das pressões que foram exercidas sobre a parte grega, mas consideramos por outro lado que a luta avançada dos trabalhadores aquando do referendo não autoriza o governo a renunciar sobre as pressões exercidas pelos credores.
Este acordo não é compatível com as ideias e os princípios da esquerda, mas acima de tudo não é compatível com as necessidades da classe operária.
Esta proposta não pode ser aceite pelos militantes e quadros do Syriza.
Pedimos ao comité central uma reunião imediata e convidamos todos os militantes , quadros e deputados do Syriza a preservarem a unidade do partido tendo por base a nossa conferência, as decisões tomadas e os compromissos em matéria de programa

Atenas, 15 de Julho de 2015

(traduzido a partir de uma versão francesa do texto original publicado por Stathis Kouvelakis)

A resistência grega

“A política na Europa tem de ser sempre de direita para manter a zona euro intacta” – José Gomes Ferreira (ligação para Facebook)

Era uma vez um consenso, entre a casta que domina a Europa dita democrática, e que mantendo a designação de socialista ou democrata-cristã bebe toda da mesma fonte, o neoliberalismo. Por esse consenso a escolha eleitoral dos povos estava restringida a eles próprios, excluindo obviamente a esquerda, esses perigosos comunas. Não Há Alternativa, declarou um dia um verme que proclamava não existir essa coisa da sociedade. E estava tudo a correr tão bem, os países mais ricos enriqueciam, os mais pobres enriqueciam alguns dos seus por conta de privatizações e do desvio dos fundos comunitários para negócios improdutivos. A Sul a corrupção alastrava, em toda a parte a alta finança especulava em liberdade. Estava tudo a correr tão bem, as desigualdades em crescendo, a liberdade de expressão presa na imprensa dominada pelos mesmos donos, a mesma casta, tudo assegurava a tranquilidade, a paz, um futuro brilhante.

Era uma vez uma fábula que um dia tropeça num país pobre, de ilhas e pedras. Onde um povo que sabe ter de seu o que conquistou disse que já chegava. Correu com os bandidos mais próximos, os dois ou três partidos que sempre a governaram, e escolheu um governo de esquerda. [Read more…]

2010-2011: Pedro Passos Coelho em campanha

Para os que não têm memória, para os que acreditam no mito dos mitos urbanos.

Maria Barroso, 1925-2015

Uma grande mulher, num país de fraca gente.

Ao cuidado dos filhos do governo

Os filhos do governo descobriram os referendos e também querem, para o que chamam ajudar a Grécia, como se a responsabilidade da transferência das dívidas aos bancos para os estados fosse culpa do seu actual governo.

Eu também queria.

Quando Passos Coelho me assaltou o ordenado, depois de prometer que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando Passos Coelho me aumentou os impostos depois de ter prometido que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando decidiram salvar o BPN, ou o BES, com o meu dinheiro, também podiam ter feito um referendo.

Nessa altura, que fizeram os filhos do governo? ficaram calados. Mantenham o hábito que só vos ficam bem.

Da Grécia, sem amor

vaso grego
Dedicado a Camilo Lourenço, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, José Rodrigues dos Santos e outros mentirosos, a todos os que por estes dias andaram por Atenas reduzindo o jornalismo a prostituição de rua, e sobretudo aos respectivos patrões.

O revolucionário do sofá

estaline mao

O revolucionário do sofá, tal como o treinador, está sempre disponível para analisar a vida política em qualquer parte do planeta. Não faz a mínima ideia do que está em campo, mas vaticina que esquerda no poder não é esquerda a menos que tenha lá chegado à porrada, e que as forças verdadeiramente revolucionárias estão concentradas naquele enorme partido de vanguarda que obteve zero vírgula qualquer coisa por cento de votos.

Para o revolucionário de sofá contemporâneo todos os males do mundo começaram com a morte de Estaline e continuaram com a de Mao. Fanático religioso, incapaz de entender Marx mas pronto a declamar as suas obras completas, só compreende a história com profetas, santos, heróis, gajos que fizeram tudo sozinhos mesmo que contra o seu povo e massacrando o seu povo, começando logo pelos comunistas que se opunham à ditadura unipessoal que instalaram. Depois caiu a URSS, fruto de uma tenebrosa conspiração internacional, a que escapa o detalhe de os povos por aqueles lados do mundo nem numa gaveta encontrarem o socialismo. Mentalmente estão ao nível infantil de quem acredita que o Muro de Berlim foi construído para evitar uma invasão pelos berlinenses de Oeste, malta desesperada e com a ideia fixa de ir viver para o outro lado.

A carreira de revolucionário de sofá é prometedora: pensemos num Barroso, num Fernandes ou num Espada, mas ele sabe que antes de dar o salto tem de demonstrar as suas capacidades. [Read more…]