Cumpri recentemente sete anos sem fumar e avisaram-me que a data costuma vir acompanhada, tal como acontece nos casamentos, de uma crise a que nem todos sobrevivem. Admito que tenho saudades dos cigarros, já não direi todos os dias, que seria um exagero, mas todas as semanas. Sim, a saúde, a carteira. Escusam de dizer-me quanto ganho todos os dias, ou pelo menos quanto deixo de perder.
Sete anos sem fumar fazem lembrar os sete anos que Jacob de pastor serviu Labão, pai de Raquel, serrana bela. Sete anos de penitência para alcançar a recompensa final, tão almejada. E a minha recompensa, qual será? Dizem-me que ter deixado o tabaco me trará meses de vida, umas quantas páginas em branco a adicionar ao meu livro de bordo. É bom, mas é incerto. Acidentes, meteoritos, governos catastróficos, sabe-se lá o que me espera, que isto é tudo uma questão de probabilidades, tudo é acaso e sorte. Congratulam-me porque pouparei recursos ao depauperado SNS, coisa que me apoquentaria pouco, porque os impostos pagos pelos fumadores cobrem amplamente os seus hipotéticos enfisemas. E é certo que agora subo escadas que é uma beleza, e que o meu coração deve estar afinadíssimo, e as minhas artérias mais desimpedidas que uma antiga scut. [Read more…]






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