Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (6) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

«Muitas pessoas de outros estratos, como os católicos, que se tinham radicalizado por via da luta anti-colonial, aderiram às Brigadas e deram um contributo importante sem que as questões ideológicas tenham contribuído para nos afastar», disse Carlos Antunes, dirigente operacional das BR.

CL – Já agora, e embora possa parecer uma pergunta um tanto provocatória, não resisto à tentação de lha colocar – se a acção directa sempre foi condenada pelo PCP, como se explica que o Partido tenha criado uma organização destinada a conduzir um tipo de luta que reprovava?

JB – As condições históricas justificam essa contradição. Desde 1962 que a luta contra a ditadura se vinha radicalizando aceleradamente. Junto da direcção do PCP cresciam as pressões para a luta armada. Pressões exteriores decorrentes do ambiente político e pressões da própria organização. Em 1964 Álvaro Cunhal mostrou-se favorável às «acções especiais» no contexto da «luta de massas» e empenhou-se, ainda que de forma cautelosa, na criação da estrutura que as pudessem desencadear sem envolver directamente as organizações do PCP. A ARA apareceu em 1970 principalmente porque o PCP não podia deixar o espaço da resistência armada nas mãos de outras organizações como a LUAR ou as BR, que entretanto surgiam. [Read more…]