16 de Janeiro

Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.

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O PCP e outras mortes anunciadas

Há pelo menos uns 20 anos que ouço a direita, e também alguma esquerda, anunciar a morte do PCP. Over and over again. E os comunistas lá se vão “aguentando”, com o quarto maior grupo parlamentar num hemiciclo com nove partidos, que eram 10 no início da legislatura, e uma sólida terceira posição no mapa autárquico, só ultrapassado pelos dois partidos que controlam o sistema. Caso para dizer, parafraseando Mark Twain, que mais de duas décadas de notícias sobre a morte do PCP foram manifestamente exageradas.

Do outro lado do espectro temos o CDS, também ele fundador da democracia portuguesa. Esteve na AD, esteve nos dois governos de direita deste século, onde ocupou pastas importantes, tem presença autárquica significativa, ainda que, essencialmente, numa relação com o PSD cada vez mais idêntica àquela que Os Verdes têm com o PCP, e, não há muito tempo, a sua anterior líder, Assunção Cristas, afirmava estar preparada para governar o país.

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Sentido de Estado e a memória curta da direita: o caso do irrevogável Paulo Portas

Agora que o chumbo está consumado, e voltando ao spin dos últimos dias, a propósito das críticas que foram sendo feitas à postura do BE e do PCP, esses bandalhos que estavam a enganar o país com uma encenação desavergonhada, confortavelmente instalados no bolso das moedas de António Costa, e que acabariam por vender o seu voto e a sua integridade por cinco tostões, mas que lá se juntaram aos seus detractores para sepultar o que restava da Geringonça – paz à sua alma! – vamos lá viajar até 2013. E vamos de submarino.

Aquando da demissão de Paulo Portas – que era irrevogável, assumia o próprio em comunicado – o país mergulhou numa crise política que significou um aumento de 8% dos juros da dívida pública, qualquer coisa como 2,3 mil milhões de euros. Foi este o preço da birra do último governo de direita: 2,3 mil milhões de euros. Acontece que as convicções de Portas, mais a irrevogabilidade da sua demissão, tinham, também elas, um preço, que Passos Coelho decidiu pagar: promoveu Portas e vice-primeiro-ministro e cedeu mais um ministério ao CDS-PP, desta feita o da Economia, com a pasta a ser entregue a Pires de Lima. E o irrevogável deixou de o ser.

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Conversas vadias 32

Sejam bem-vindas, e bem-vindos, à trigésima segunda edição das “Conversas vadias”.

Desta feita, os vadios foram António de Almeida, Carlos Araújo Alves, José Mário Teixeira e João Mendes (que entrou em andamento). E, ainda, a assinalar, a ausência especial de António Fernando Nabais, por razões de sono estético.

Temas da vadiagem: o Orçamento do Estado; o cai ou não cai o Governo; o papel e o futuro dos partidos políticos da Esquerda à Direita; líderes partidários e candidatos; o papel(ão)do Presidente da República; os desejos íntimos (políticos) de António Costa; bazucas e bombas avulsas; impostos e serviços públicos; a crise e a transição energéticas e os caminhos da Europa; e Rabo de Peixe e o inquérito aos crismandos adolescentes (incluindo sobre sexo fora do casamento ou até mesmo com animais). Para finalizar, as habituais sugestões que contaram com cinema, música e televisão (lulas incluídas).

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Conversas vadias 32







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Cavaco, algures entre o ódio e a mentira

Na ânsia ressentido e ressabiada de atingir o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, Cavaco Silva decidiu reescrever a história e afirmar que o governo do Syriza, “arruinou a economia do país”. Sucede que a economia grega há muito que estava arruinada, após anos de desgovernos do PASOK e do Nova Democracia, mais as épicas manobras de engenharia financeira que permitiram ao país, com a ajuda do Goldman Sachs, ludibriar as autoridades europeias para garantir a adesão da Grécia ao Euro. Foi aqui que começou a destruição da economia grega, em 2001, não em 2015, quando o Syriza chegou ao poder. O Syriza é criticável por inúmeros motivos, mas não foi esse governo que destruiu a economia grega. A economia grega estava em frangalhos há mais de 15 anos. Cavaco sabe-o, perfeitamente, mas opta pela fabricação de “factos alternativos” à la Trump. Não surpreende. Este é o mesmo Cavaco que disse ao país que podíamos confiar no BES, dias antes do estouro, e que praticamente insultou uma jornalista que o confrontou com essas palavras. A honestidade não lhe assiste. Nunca assistiu. Nem que nascesse duas vezes.

Não é vitória. É castigo

Em 2001, Fernando Gomes perdeu a Câmara do Porto, por castigo.

Foi o preço por ter aceite trocar a cidade do Porto, pelas delícias do estatuto de Ministro-adjunto e da Administração Interna na capital do império em 1999, em pleno mandato de Presidente da Câmara do Porto.

As gentes do Porto não gostaram da troca. E, tal como a mulher abandonada que vê à porta o marido regressado da casa da amante, porque as coisas não deram certo, as gentes do Porto bateram-lhe com a porta na cara.

Rui Rio, contra os oráculos, tornou-se presidente da Câmara do Porto, porque Fernando Gomes foi castigado pela infidelidade.

Ontem, as gentes de Lisboa não deram a vitória a Carlos Moedas: castigaram Fernando Medina.

O socialista, há poucos dias, tinha sido considerado pela esmagadora maioria dos inquiridos numa sondagem, como mais arrogante do que Carlos Moedas.

Foi a permanente arrogância de Fernando Medina, a principal razão do castigo. E o caso das informações às embaixadas – e, pior, o modo como lidou com todo o processo a salvar o seu gabinete de apoio e queimar na praça pública um funcionário -, caiu mal. Muito mal.

Até porque os valores de Abril, são queridos por muita gente que não é comunista ou sequer socialista. É gente de um centro social-democrata que sem cravos ao peito, defende, também, a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito à manifestação, à privacidade, à inviolabilidade da sua correspondência e o respeito pela dignidade da pessoa humana. E, também, não suporta bufice. [Read more…]

Social-fascismo?

Retirado da página de Facebook “Página Miguel Viegas”

Miguel Veiga talvez seja desconhecido da maioria. Mas façamos a apresentação.

Miguel Veiga é dirigente do PCP em Ovar e Aveiro. É, também, candidato do PCP à Câmara Municipal de Aveiro. Foi dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e, entre 2009 e 2013, exerceu as funções de deputado na Assembleia Municipal de Ovar. É, neste momento, dirigente associativo no clube de canoagem de Ovar. É, portanto, alguém que, mesmo sendo desconhecido da maioria, ocupa e ocupou, no passado, cargos que o deviam fazer pensar duas vezes antes de abrir a boca. O facto de ser, nestas autárquicas, candidato a uma Câmara Municipal (reitero: pelo PCP, não pelo Chega), deveria reforçar esse sentido de responsabilidade, especialmente quando representa o partido que representa. [Read more…]

Silêncio que se vai aumentar o combustível

Em plena pandemia, os combustíveis subiram em flecha. Sobem há 12 meses. GPL incluído.

As pessoas ficaram em casa, e os combustíveis aumentaram. A produção industrial arrefeceu, e os combustíveis aumentaram. Diminuiu o tráfego rodoviário, e os combustíveis aumentaram. Diminuiu o tráfego aéreo, e os combustíveis aumentaram. Há menos turistas, menos carros alugados, menos caldeiras de hotéis a trabalhar, etc., e os combustíveis aumentaram.

Perante a evidente especulação, o barulho é pouco. Muito pouco. Aliás, até soa a silêncio.

O BE não faz grande barulho, porque defender combustíveis não é ser “esquerda moderna”. O PCP também não, porque não são “direitos dos trabalhadores”. O PAN  também, porque não vai defender o consumo de combustíveis, nem o assunto interessa ao bem-estar animal. O PSD também não faz barulho porque… porque, enfim, este PSD não é muito de fazer barulho. O CDS pouco barulho faz, porque não é matéria suficiente para exigir uma demissão ministerial. O mesmo se diga da IL porque, se calhar, ainda não conseguiu arranjar modo de conseguir um bom “soundbite” à custa disso. E o Chega não se rala com o que não pode culpar ciganos, migrantes ou refugiados. E não me esqueci do PS. O PS é que se esqueceu de o ser, e não é de agora.

Enquanto isso, quem tem de trabalhar, de se mover, sem que tenha transportes alternativos excepto o individual, paga cada vez mais caro por isso.

Valha-nos o facto de se estar a salvar a TAP, pois conto com ela para me levar da Areosa à Rotunda da Boavista. A preços módicos, claro.

PCP continua agarrado às negações que lhe convém

Sabemos como o PCP é lesto a denunciar atropelos à Democracia, à liberdade e à precariedade dos assalariados em países onde estão instaladas ditaduras que consideram de direita ou fascistas. No entanto, também não é espanto para ninguém a sua postura negacionista face a violações dos mais básicos Direitos Humanos em ditaduras que considera mais próximas de si a que costumamos apelidar de comunistas.
É deplorável que democratas, sejam eles de que origem ideológica forem, não se unam para denunciar e combater qualquer regime ditatorial.
Vem isto a propósito do título da última edição do jornal Avante, onde se pode ler, e cito, “A farsa de Tiananmen”, mesmo que em letras mais pequenas imediatamente acima se leia “Documentos publicados pelo Wikileaks revelaram”.

A edição do jornal é paga e, por isso, não tenho acesso ao desenvolvimento de texto, mas fui procurar o que a Wikileaks divulgou acerca [Read more…]

XII Convenção do Bloco de Esquerda: Justiça na Resposta à Crise

Fotografia: LUSA

Realizou-se este fim-de-semana, em Matosinhos, a XII Convenção do Bloco de Esquerda.

Depois de quatro anos de “geringonça” e de acordos firmados à Esquerda com o Governo do Partido Socialista e depois de mais quase quatro anos de oposição a um Governo teimosa e prepotentemente minoritário do mesmo partido, o Bloco de Esquerda reuniu-se a Norte para aferir o pulso aos seus militantes e à sua direccção. Catarina Martins, apesar de algo contestada interiormente, venceu e parte assim para pelo menos mais dois anos à frente do partido.

Mas vamos ao fundo da questão. Depois de quatro anos em que o objectivo foi, em conjunto com o PCP e com o PS a governar, reverter a maioria das medidas da Troika, o PS partiu para as eleições de 2019 a apostar em dois trunfos: um, o primeiro, o da maioria absoluta; esperança acalentada até ao fim, tratada como tabu publicamente, mas objectivo premente nas hostes internas; o outro, menos significante para António Costa e Cª, a da continuação dos acordos à Esquerda. Contudo, findado o acto eleitoral de 2019, decidiu o PS governar sozinho, minoritariamente, julgando que podia ceder à Esquerda e à Direita quando melhor lhe conviesse, arregimentando, assim, votos de um lado e do outro, e secando a oposição. Podemos dizer, ainda assim, e tendo por base as sondagens que têm vindo a público, que a estratégia do Partido Socialista não tem saído, de todo, furada – mas, neste ponto em concreto, teríamos base para outro texto.

Fazendo jogo duplo, julgou o PS que, chegada a hora da votação do Orçamento de Estado, tudo se decidiria sem sobressalto. Enganou-se. Para o OE’21, o Bloco de Esquerda insistiu num x número de medidas – que, diga-se de passagem, nem eram todas quantas o partido idealizaria -, entre as quais o reforço do SNS (através da contratação de mais profissionais, sejam médicos, auxiliares ou enfermeiros), a reversão das medidas do Governo PSD/CDS, impostas pela Troika, no que diz respeito à Lei Laboral, e um aumento da rede de protecção social, para prevenir o desemprego e ser possível responder ao aumento anunciado do mesmo, face à situação pandémica. A nenhuma destas propostas atendeu o PS, preferindo, todavia, ceder noutras matérias propostas pelo PCP e contar com a abstenção dos comunistas (e do PAN). Teve azar, o Partido Socialista, pois no Bloco de Esquerda nunca nos contentamos com pouco. Mesmo quando o contexto é mais apertado e complicado, sabemos é que é possível ir mais além e conceder mais a quem trabalha. Ao contrário do PS, não está o Bloco de Esquerda, (bem ou mal, dependendo do espectro político e dos valores ideológicos de cada um) preso às imposições neo-liberais da Comunidade Internacional, encabeçadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América. Está, isso sim, interessado o BE em dar mais condições a quem trabalha, a quem está à margem, a quem não vê reconhecidos os seus direitos nas áreas do trabalho, da educação, da saúde ou da segurança social. E isso basta-nos para sabermos dizer “não” às pretensões do PS de colonizar a Esquerda. [Read more…]

Catarina Eufémia sempre, fascismo nunca mais!

Foi assassinada com três tiros nas costas, por um agente GNR, há 67 anos. Por se manifestar por condições mais dignas de trabalho. No tempo pelo qual alguns suspiram, quando os “portugueses de bem” prendiam arbitrariamente, espancanvam, torturavam e assassinavam qualquer um que ousasse desafiar a indigência, a miséria e a ignorância impostas pelo autoritarismo salazarista, que a nova extrema-direita, com o apoio de alguns “moderados”, pretende, a todo o custo, reeditar. Não passarão. Fascismo, independentemente das veste e da propaganda, nunca mais.

João Gonçalves: Do pronunciamento à democracia imperfeita

(João Gonçalves, Jurista)

O que é que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974, uma quinta-feira levemente brumosa em plena Primavera já não “marcelista”? Para sermos rigorosos, deu-se um pronunciamento. Seguindo de perto Vasco Pulido Valente em “Os militares e a política (1820-1856)”, INCM, 2005), o pronunciamento caracteriza-se fundamentalmente pelo seguinte:

  • é uma intervenção de oficiais de carreira e de unidades para substituir um governo ou um regime sem violência;
  • tal intervenção procura alcançar a colaboração, activa ou passiva, da totalidade ou da maioria dos ramos das forças armadas, fundamentalmente o Exército, no caso, para subsequentemente impor a vontade dos militares ao poder político vigente.

O 25 de Abril, nestes termos, foi aquilo a que poderíamos designar como um pronunciamento militar clássico em consequência das circunstâncias político-militares da época, a saber, a guerra dita colonial que se desenrolava há mais de uma década na África portuguesa. Se atentarmos na primeira comunicação da Junta de Salvação Nacional, já na madrugada de 26, existe o cuidado em fazer referência explícita a Portugal, e cito de cor, “no seu todo pluricontinental”.

Interesses corporativos do oficialato médio, de carreira, por um lado, e alguma penetração político-ideológica em alguns extractos desse oficialato, por outro, criaram o “caldo” necessário à realização do pronunciamento, para, numa frase que ficaria famosa, acabar “com o estado a que isto chegou”. E a prova de que não existiam intuitos violentos reside no avanço, de Santarém para Lisboa, das “forças” comandadas pelo autor da frase, o capitão de Cavalaria Salgueiro Maia, constituídas maioritariamente por soldados em instrução. As metralhadoras G3 que a maioria carregava não disparavam um tiro. Politicamente, a “arma” mais emblemática usada no pronunciamento foi uma viatura Chaimite que recolheu o essencial do poder político vigente, no seu bojo, entre o Largo do Carmo e a sede operacional do MFA na Pontinha.

Tudo se passou rapidamente após o pronunciamento. A moderação inicial, de que o General de Cavalaria António de Spínola era o rosto principal enquanto Presidente da República, soçobrou no final do Verão de 74. No livro “Rumo à vitória”, o secretário-geral do PCP, o partido mais duradouro e consistente na oposição ao Estado Novo decaído, tinha explicado, com meridiana clareza, como é que tudo se devia passar.

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Os donos de Abril

25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais. Upssss:

#istoaindanãoéacoreiadonorte

Pod ser ou nem por isso – A democracia e a ascensão dos extremismos

Nesta edição do “Pod ser ou nem por isso”, arrancamos com o grande ciclo de debates sobre Liberdade durante todo o mês de Abril com convidados dos mais diversos quadrantes. Falámos do estado da democracia e da ascensão dos extremismos em Portugal e na Europa. Tivemos connosco Adolfo Mesquita Nunes e Rui Tavares, que nos mostraram duas visões diferentes e importantes sobre a liberdade, a democracia e o Estado de Direito. Com moderação de Francisco Salvador Figueiredo.

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Pod ser ou nem por isso - A democracia e a ascensão dos extremismos







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Extrema-Insciência

Desde 2015, depois de Bloco de Esquerda e Partido Comunista terem feito um acordo de governação com o Partido Socialista, que se repete uma ladainha que, antes, não tinha a proporção extremada que hoje tem. Essa ladainha desonesta acentuou-se em 2019, depois da entrada do CHEGA na Assembleia da República, com a ajuda de outra direita que, no mesmo ano, também entrou pela primeira vez na AR. Curiosamente, estes dois novos partidos de direita têm como bandeira “acabar com o socialismo”. Onde é que já ouvimos esse discurso, na História?

Essa estória do diabo, dizem-nos os carrascos do socialismo, afirma sem pejo que BE e PCP são representantes da extrema-esquerda no Parlamento português; narrativa que nunca teve grande dimensão antes da entrada e ascensão da extrema-direita e dos ditos liberais no panorama político-ideológico português. Esta é uma narrativa pífia de argumentação válida, sem afirmações concretas sobre o extremismo de esquerda representado, na cabeça destes senhores, pelos dois partidos à esquerda do PS. Ignoram a diferença etimológica entre “extremista” e “radical”, e nem por haver uma extrema-direita que põe em causa a Democracia, as instituições e as leis fundamentais do país impressas na Constituição, conseguem os iluminados dos extremismos reivindicar duas características que sejam, desde que há regime democrático, exemplo do extremismo de esquerda, inversamente proporcional ao extremismo de direita de André Ventura e Cª. Se ao PCP, durante o PREC, se pôde apontar o dedo (como se pôde apontar o dedo às forças reaccionárias contra-revolução, como o eram o CDS-PP – e ninguém, hoje em dia, no seu perfeito juízo, considerará o partido democrata-cristão de extrema-direita), hoje em dia não faz sentido colocar no mesmo saco de extremos opostos o PCP, o BE e o CH, pelas razões que aponto no supracitado. [Read more…]

O pequeno-almoço dos comunistas

Se forem carnívoros, comem criancinhas. Se forem veganos, comem bonsais.

Junta de Boys ou a Intolerância Política à Lactose

Em 2018 um conjunto de bracarenses criou um programa de autor na RUM – Rádio Universidade do Minho, chamado “Junta de Boys”. Sublinhe-se a originalidade do nome para um programa divertido com o fito de analisar a realidade local. Segundo sei, um (ou mais) dos seus autores pertenceram, nos idos de 90/00, ao blogue “Avenida Central”, um dos melhores blogues locais/regionais da época e que foi uma enorme dor de cabeça para a Câmara Municipal de Braga liderada, à época, por Mesquita Machado (PS). Aliás, sobre isso, cito um dos autores:

Já não é primeira que um projeto de discussão da política local em que participo é objeto de censura súbita… O primeiro caso teve a ver com as Conversas Desbragadas, do ProjetoBragaTempo, em 2001. O objetivo era debater a cidade de Braga com especialistas, de forma informal, com entrada livre e participação do público. Parece simples mas gerou – e ainda hoje geraria – imensa animação que foi bem aproveitada pelos muitos jornais que tinham sede ou delegação em Braga em tempos de cinzentismo mesquitista. As Conversas realizaram-se no salão do Ferreira Capa e, no dia da 3ª Conversa, avisaram-nos que seria a última. Claro que as Conversas não pararam e mudaram-se logo para o antigo Nosso Café [que nunca pôs quaisquer entraves]. Muitos anos depois foi a vez da Revista Rua. Com o propósito assumido da polémica nascia a rubrica Avenida da Liberdade. Eu escrevia à esquerda e o Rui Moreira à direita. Escrevemos o que entendemos sobre o mesmo tema durante várias edições até que a direção nos pediu uma pequena pausa… Até hoje! Coincidência: logo depois, a Rua entrevistou com grande destaque o Presidente da Câmara e passou a celebrar contratos com o Município… (Luís Tarroso Gomes, Junta de Boys)

Ora, nestas coisas o poder político lida sempre muito mal com a crítica. E nestas matérias, nenhum partido é virgem. O mesmo Luís Tarroso Gomes explica: “A origem da censura também é difusa, e normalmente, radica em interesses económicos indiretos. Por exemplo, a Câmara de Braga não dá dinheiro à imprensa, através das mais diversas vias e contratos, para que a imprensa se cale. O que faz é dar quantias suficientemente generosas para que esses órgãos de comunicação, frágeis pela quebra de receitas publicitárias, fiquem agarrados a esse apoio. E por sua vez estes tornam-se mansinhos para assegurar a renovação do apoio assim pondo em causa a fiscalização democrática. Se fosse num governo seria um escândalo. Mas a nível local pode fazer-se quase tudo sempre em perfeita impunidade“. Nesse aspecto, o chamado “Poder Local” aplica a censura com uma facilidade impressionante. O caso de Braga não é único nem novo. E nem tão pouco é distinto do que se passa em autarquias rosa, laranja, azuis ou vermelhas.

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Conversas vadias 5

A quinta ronda vadia em torno do Futebol Clube do Porto, do bairrismo, Miguel Carvalho, centralismo, PCP, bandeiras e Aliados, o vermelho e o encarnado, Nuno Melo, Carlos Guimarães Pinto, comunismo, capitalismo, nazismo, religião, Marcelo Rebelo de Sousa e o bairro da Jamaica, TAP, banca e intervenções do Estado, bazucas e fisgas, a conquista liberal da Holanda, vacina, António Costa e a baixa médica, o tiroteio nos EUA, BE e Moçambique, Maçonaria e Opus Dei,

Isto com os vadios Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Orlando Sousa, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo e António Fernando Nabais.

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Conversas vadias 5







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Esquerda Direita Volver 5 – O centésimo aniversário do PCP

A quinta edição do debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez dedicado ao centésimo aniversário do PCP.

A debater, os aventadores Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, José Mário Teixeira e João Mendes. E com a ausência especial de Francisco Salvador Figueiredo.

Com a moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 5 - O centésimo aniversário do PCP







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Conversas vadias 4

Mais um périplo dos  vadios pela passagem do Porto aos quartos-de-final dos Campeões Europeus, pelas emoções e pelas azias, passando pelo PCP e pelo PS, a Comunicação Social e suas (in)tolerâncias, Tancos, Sporting, Santana Lopes, o Calimerismo, O Independente e Cavaco Silva, Roquete e o vinho, confinamento e a Via Norte.

Os aventadores vadios são António Fernando Nabais (moderador/provocador), Fernando Moreira de Sá, Orlando de Sousa, José Mário Teixeira e João Mendes. Tudo com a assessoria do ausente especial Francisco Miguel Valada.

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Conversas vadias 4







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O exagero dos liberais

Desde já, alerto que este texto irá conter vestígios de bairrismo e de sentimento. Todos nós temos as nossas hipocrisias e, por muito que eu gostasse de ser totalmente racional, não consigo. Prefiro admitir desde já em vez de tentar arranjar razões forçadas para justificar os meus sentimentos.

Ontem, o meu Porto acordou diferente. A Avenida principal da cidade, que até contém a estátua do Rei Liberal, estava de uma ponta à outra repleta de bandeiras comunistas. Eu não sou contra a existência do Partido Comunista nem sou contra propaganda comunista, mas sou completamente contra este tipo de propaganda. Faria este texto se fosse o PAN ou o PSD? Sim. Seria tão chocante para mim? Não.

Os liberais nunca se revoltaram com cartazes comunistas, mas ontem sim, porque quem não se sente não é filho de boa gente. A disposição daquelas bandeiras lembra perfeitamente um regime comunista típico de Século XX. Uma coisa é um cartaz na berma da estrada, outra é ocupar a Avenida dos Aliados com bandeiras de um partido. E não, não é um partido qualquer, é um partido comunista. Um partido que defende Estaline, que comemora hoje 68 anos como comunista bom, um partido que defende Lenine, um partido que não condena o regime ditatorial existente na Coreia do Norte, entre outras barbaridades. Mas que se engane quem acha que isto é “só lá fora”. Como muito proclama, o PCP não lutou pela liberdade, lutou para impor a sua ditadura. Isto não é querer a liberdade, é querer o poder. Mas aos comunistas é fácil perdoar tudo sob a desculpa de ser apenas uma parvoíce ou uma utopia. Ainda na última festa do Avante se ouviu que é necessário acabar com o capitalismo pela força. Facilmente, se passeiam camisolas de assassinos como Che Guevara e Fidel. Isto não é admissível num partido democrático. [Read more…]

Notas sobre as Presidenciais 3: hecatombe à esquerda?

À medida que os resultados iam saindo, a narrativa da hecatombe à esquerda foi sendo construída, por painéis essencialmente feitos de fazedores do opinião alinhados à direita, que toda a gente sabe que a comunicação social é controlada pela esquerda.

Mas será que foi mesmo assim?

Comecemos pelos resultados PCP, responsáveis pelo primeiro momento de vergonha alheia da noite eleitoral, com assinatura de Rui Rio, que fez questão de dar grande ênfase, no seu discurso, ao facto de João Ferreira ter ficado atrás André Ventura, apesar de tal se dever, essencialmente, a votos do PSD.

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PCP tem medo de ficar atrás de Tino de Rans?

Imagem: RTP/Renascença

Já tinha ficado com a pulga atrás da orelha quando, no debate entre ambos, Vitorino Silva pediu a João Ferreira que aceitasse o convite para debater no Porto Canal. O candidato apoiado pelo PCP não respondeu. Soou estranho.

Hoje, o director de informação do Porto Canal, Tiago Girão, deu conta no Twitter (e mais tarde no próprio canal) que a candidatura de João Ferreira fez uma participação à Comissão Nacional de Eleições sobre os debates de Vitorino Silva contra os restantes candidatos, alegando que esses debates se transformariam numa vantagem de tempo de antena, favorecendo a candidatura de Vitorino.

A CNE emitiu, então, um parecer propondo à ERC uma medida provisória que impeça os debates em questão.

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E a Festa do Avante, pá?

Num ápice, a Festa do Avante deixou de ser tema. E só voltará a sê-lo, apenas e só, caso seja identificada alguma cadeia de contágio que possa ser comprovadamente associada à festa comunista. E porque deixou a Festa do Avante de ser tema, assim, num ápice, depois de meses a fazer manchetes atrás de manchetes, a alimentar indignações de Rui Rio e outros notáveis militantes do PSD e do CDS-PP, para não falar na fachosfera, para gáudio de uma certa turba embrutecida? Porque o Santuário de Fátima conseguiu fazer incomparavelmente pior que o PCP, que, apesar de tudo – e estou perfeitamente à vontade para o dizer, visto que me opus à realização da Festa do Avante – foi exímio a organizar a sua festa. Já o Santuário de Fátima meteu tanta água, no passado 13 de Setembro, que, a meio das cerimónias, viu-se obrigado a impedir a entrada de fiéis no recinto do Santuário, que se acumularam no exterior, gerando mais um foco de confusão e de potencial contágio. [Read more…]

O Avante em tempos de Covid

Quero começar por dizer que, da parte que me toca, sou tão favorável à realização da Festa do Avante como a favor das praias a abarrotar sem controle algum, das portas escancaradas ao turismo no Algarve, com os seus holandeses e ingleses ela semear covid-19 no Algarve e o aeroporto de Faro a rebentar pelas costuras, das peregrinações em Fátima, dos concertos no Palácio de Cristal, das manifestações contra o racismo e a favor dele, ou até de algumas enchentes verificadas nas feiras do livro do Porto e Lisboa, para não falar nos comícios do Chega, onde a malta da extrema-direita, que ainda olha para o problema pela óptica bolsonariana da “gripezinha”, faz questão de se apresentar sem máscaras. Isto para vos dizer que, na minha opinião, qualquer organização, de qualquer natureza, que dê origem a grandes ajuntamentos não deveria ser permitida. [Read more…]

História? Verdade? Não são importantes

Uns pândegos, estes gajos do PCP. Bem, pândegos, é capaz de ser pouco. São, mais, uns trafulhas nojentos. Para quem a verdade é um conceito tão plástico que pode ser, interesseira e cobardemente, moldada de maneira a servir o que se quer demonstrar.

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Estou completamente farto de comunistas e quejandos

Acho, sinceramente, que está na altura de dizer “basta” (não, não é “chega” porque nem suporto o “cartilheiro” nem dou cobertura a um partido que não diz o que pensa, mas sim o que acha que as pessoas querem ouvir, apresentando soluções estapafúrdias ou nem sequer apresentando o que quer que seja).

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Marcelo Rebelo de Sousa, o 1º de Maio e a direita trauliteira

MRS

Ainda sobre as comemorações do Dia do Trabalhador, aqui vai um excerto do decreto presidencial (Presidente da República = Marcelo Rebelo de Sousa) que renova o estado de emergência para a sua terceira e última fase. A renovação foi aprovada com os votos do PS, PSD, BE, CDS e PAN, as abstenções do PEV e do Chega, e os votos contra do PCP, IL e Joacine Katar Moreira.

O decreto, que não está sujeito a aprovação parlamentar, é da exclusiva responsabilidade de uma pessoa: Marcelo Rebelo de Sousa. Não vou transcrever o que está escrito na imagem, parece-me claro e o destaque é objectivo, mas vou dizer isto: resumir esta situação a uma cedência do governo ao PCP e à CGTP não é apenas um absurdo. É, apenas e só, mais um exercício de manipulação da direita trauliteira do costume, ancorada nos observadores e no Twitter. [Read more…]

Assim se vê a hipocrisia do PCP…

Um trabalhador luta pela manutenção do posto de trabalho, que várias vezes nos dizem ser uma conquista de Abril. Agora mesmo em tempos difíceis, várias vozes à esquerda defendem a proibição dos despedimentos. Desde que não lhes seja aplicável, está bom de ver…

Sangue comunista

No noticiário da TVI, anuncia-se que Fernando Medina tem “sangue comunista”(quem diria, hein?) – por ser “filho de dois históricos do PCP”. Com este contributo, a ciência política ganha uma nova dimensão. Não sei bem onde devo situá-la: se no domínio da hereditariedade se no da hematologia.