Nota sobre as Caves de Vinho do Porto

Caves do Vinho do Porto/”World of Wine”. Imagem tornada pública pelos promotores do projecto.

Numa mensagem que me dirigiu através da caixa de comentários do Aventar, o Sr. Adrian Bridge, responsável da empresa The Fladgate Partnership, promotora do projecto imobiliário previsto para as Caves de Vinho do Porto, informa que uma das imagens que ilustra os vários textos que aqui publiquei sobre o assunto foi erradamente apresentada, pelo Município de Vila Nova de Gaia, como correspondendo ao projecto aprovado para o local.
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Câmara do Porto discutiu projecto de Gaia para as Caves

Fotografia: UP

Imagem: World of Wine

Numa declaração feita hoje nas redes sociais, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, afirmou que foi discutido em reunião do executivo municipal da cidade do Porto o projecto de 100 milhões de euros que a Câmara de Gaia se prepara para licenciar e que irá desfigurar a paisagem urbana do Centro Histórico e das Caves de Vinho do Porto, destruindo um valiosíssimo e intemporal património.

Segundo Rui Moreira “a Câmara do Porto não pode nem deve pronunciar-se”, sendo o assunto “da competência da Câmara de Gaia e, eventualmente, da Direcção Geral do Património Cultural”.

Recorde-se que o actual vereador do urbanismo da Câmara Municipal do Porto, o Arquitecto Rui Loza, afirmou numa conferência organizada precisamente pelo município gaiense, que a destruição das Caves de Vinho do Porto implicaria para a cidade do Porto a perda da classificação da Unesco.

Porto pode perder classificação da Unesco

Simulação do projecto para a Real Companhia Velha

A afirmação é do Arquitecto Rui Loza, actual Vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto e coordenador do processo de candidatura do Centro Histórico do Porto à inclusão na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Numa conferência organizada pela Câmara de Gaia em 2015, sob o lema “Cidades de Rio e Vinha – Memória, Património e Reabilitação”, o Vereador da Câmara do Porto alertava para o “risco de abuso cultural decorrente da desvitalização da vertente industrial das caves”, realçando que “há a tentação de construir [nas Caves] uma nova cidade com vistas para o Porto”.

Rui Loza chegou a afirmar que “há muita gente a colaborar com o processo de destruição em massa dos Armazéns [de Vinho do Porto]” que são o ex-libris do Centro Histórico de Gaia.

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Caves de Vinho do Porto: Gaia quer destruir património que antes quis classificar na UNESCO

A Câmara de Gaia, pelas mãos do seu presidente, prepara-se para licenciar a total descaracterização da Caves de Vinho do Porto, um património que ainda há dois anos anunciava querer candidatar a Património da UNESCO.

Eduardo Vítor Rodrigues afirmava ao Jornal de Notícias de 19 de Novembro de 2015 que “o prazo para a apresentação da candidatura termina no início de 2017. Mas vamos apresentar antes, no verão do próximo ano [2016]”. O autarca ainda acrescentou que “a equipa que irá preparar a apresentação da candidatura, que pretende incluir o Centro Histórico de Gaia, maioritariamente ocupado pelas Caves de Vinho do Porto, já foi constituída, estando já concluído o estudo de ordenamento do território naquele espaço”.

É preciso perguntar ao edil gaiense onde está essa candidatura e se realmente foi apresentada no verão de 2016, tal como prometeu. Deve igualmente esclarecer se o “estudo” apresentado à UNESCO contemplava a demolição de Armazéns de Vinho do Porto, a total descaracterização da encosta e a construção de um centro comercial de ferro e vidro, com mais de 30 mil metros quadrados e um parque de estacionamento para 150 carros.

A notícia que a seguir se reproduz é datada de 25 de Janeiro de 2015 e estava alojada numa página do site da Câmara Municipal de Gaia que entretanto foi apagada (arquivoweb.cm-gaia.pt/portais/_cmg/Imprensa.aspx?categoryOID…inicio=113…)

Nessa notícia, o presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, afirmava que “manter a imagem tem potencial económico” e que “a ambição da Câmara é valorizar este património, para que a imagem singular da encosta não se descaracterize”.  Agora afirma em tom irónico que  a zona das Caves “tem muito de tradição, de típico, de extraordinariamente histórico [sic], mas não é um espaço museológico”. No contexto das anteriores declarações (2015), o autarca de Gaia afirmou “querer fechar o triângulo”, associando a classificação pela UNESCO das Caves de Vinho do Porto à Serra do Pilar e ao centro Histórico da Invicta. A verdade, como a seu tempo veremos, é que este projecto demolidor para as Caves do Vinho do Porto colocará em causa a própria classificação atribuída pela UNESCO ao Centro Histórico do Porto.

Fica por saber o que terá levado Vítor Rodrigues a mudar de ideias em tão pouco tempo e de modo tão radical.

Eduardo Vítor Rodrigues devia ser preso (para sua protecção)

É que destruir as caves de Vinho do Porto, salvaguardadas as devidas distâncias, equivale à destruição do Palácio de Cristal. Passará à história como passou Lucínio Gonçalves Presa.

100 Milhões para destruir as Caves de Vinho do Porto

Projecto da obra

Beira-Rio antes do abate das Árvores (todas as árvores que se vêem na imagem, junto ao rio, foram cortadas)

A Câmara Municipal de Gaia, liderada pelo “socialista” Eduardo Vítor Rodrigues, prepara-se para “licenciar em dois meses” a desfiguração do mais valioso património material e imaterial de Vila Nova de Gaia – o seu Centro Histórico, as Caves de Vinho do Porto e a própria Marca de vinho mundialmente conhecida, que não deixará de ser negativamente afectada no caso de esta obra avançar.

O projecto privado apoiado pela Câmara Municipal e que toma o nome pomposo de World of Wine, é uma intervenção imobiliária que ultrapassará inicialmente os 30 mil metros quadrados e que prevê a total descaracterização de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo, enchendo-a de vidro e cimento, com um “investimento” previsto de 100 milhões de euros. Para justificar o elevado interesse turístico desta aberração urbanística, os promotores dão como exemplo a Cité du Vin, um equipamento cultural também dedicado ao Vinho, situado na cidade francesa de Bordéus. As diferenças, como se pode verificar pelas imagens que aqui se reproduzem, não podiam ser maiores. Até no preço. O orçamento inicial da Cité du Vin de Bordéus era de 60 milhões de euros, acabando a obra por ficar nos 81 milhões. Bastante menos do que o previsto para destruir a zona mais nobre de Vila Nova de Gaia. Cabe a cada um tirar as suas próprias conclusões sobre os motivos da diferença de custo entre a belíssima estrutura arquitectónica erguida na cidade francesa, perfeitamente enquadrada com o rio e a cidade, respeitando o seu património e a sua história, e a “praça” de cimento e vidro que a Câmara de Gaia quer deixar plantar sobre os escombros de Património cujo valor histórico não pode sequer calcular-se.


Acresce que a Cité du Vin – designação bem mais modesta do que o magalómano e provinciano Mundo do Vinho – é um Centro Cultural e turístico cuja construção se fez na zona do porto de Bordéus, afastado vários quilómetros do Centro Histórico da cidade, não interferindo minimamente com a integridade do património aí localizado, nem destruindo a Identidade ou a unidade arquitectónica do núcleo urbano antigo. Além disso, é um projecto maioritariamente financiado com dinheiros públicos (81%), estando ao serviço da população e do turismo, ao contrário do centro comercial com que se pretende eliminar toda a memória histórica de Vila Nova de Gaia e estender a esplanada do exclusivo Hotel Yeatman.

Aliás, não é a primeira vez que a Câmara de Gaia opta por colocar em causa o património da cidade, seja ele edificado ou natural, material ou imaterial, demonstrando uma total insensibilidade a questões tão importantes como o equilíbrio ecológico, arquitectónico e cultural que a todos cumpre defender. Já no ano passado, Gaia foi destacada na imprensa internacional a propósito da intenção de realizar um festival de música em cima da Reserva Ecológica do Estuário do Douro, facto que suscitou veementes protestos aos quais o jornal inglês The Guardian deu o eco internacional. Na altura, a Câmara Municipal foi obrigada a recuar. Espera-se que, desta vez,  as autoridades que têm por dever garantir a integridade do património nacional e a legalidade da actuação do poder local neste tipo de licenciamento, estejam atentas a todos os procedimentos e protejam o interesse das populações e do país, protegendo as Caves de Vinho do Porto.

 

O fim da Caves de Vinho do Porto

O jornal PÚBLICO noticia que arrancou hoje um projecto imobiliário e turístico no coração do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, implicando a destruição de centenários Armazéns de Vinho do Porto e uma intervenção que afectará uma área superior a 30 mil metros quadrados numa das mais belas e exclusivas paisagens urbanas do mundo.

De facto, esta zona da cidade de Gaia é conhecida mundialmente pela beleza da sua textura arquitectónica única, dominada pelos telhados dos seus Armazéns, as famosas Caves, que estabelecem com o Rio e o núcleo urbano da Ribeira do Porto um cenário cuja beleza não se repete em lugar nenhum do mundo.

O que se iniciou hoje foi o fim desse património intemporal, que se constitui como pilar da identidade não só desta região, mas do próprio país, e que agora se prepara para uma total descaracterização, vendo-se transformado num centro comercial a céu aberto, com o pomposo nome de World of Wine.

Segundo a notícia, o projecto previsto para o local, contíguo ao Hotel Yeatman e que implicará a demolição e total descaracterização dos antigos Armazéns, é uma espécie de Disneylândia do vinho, um corpo estranho ao perfil histórico, sociológico, estético e arquitectónico do local, onde abundará o cimento e o vidro, dedicado aos turistas e prevendo uma “Praça”, museus “interactivos”, 12 restaurantes e, como não poderia deixar de ser, um parque automóvel com capacidade para 150 viaturas. Tudo isto no coração do Centro Histórico de Gaia e com os portugueses a servir à mesa, como bons criados.

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