Cartoline d’Italia (13) (da Costiera Almafitana, da Napoli e da Palermo)

Elisabete Figueiredo

IMG_5625Acanto a te…*

Hoje, se soubesse como, podia escrever uma cartolina cheia de poesia. A vida é bastante, no entanto. Quero dizer, há bastante poesia em toda a parte e isso talvez seja suficiente. É de certeza suficiente. E asseguram-me que assim é, de muitas maneiras, as pessoas, certas pessoas, as canções do Paolo Conte que hoje cantei, com alguém, muito alto, enquanto seguíamos a Costiera Amalfitana, o sol da terra do mezziogiorno, o mar em volta a refletir a cor de um profundo olhar. Sim, é verdade, há poesia bastante em toda a parte e lontano a te no se pò stare**. E, mais que no mar, ali ao fundo, do ‘mare scuro che si muove anche di notte e no sta fermo mai’*** o que deveria acontecer era mergulhar, tuffarmi negli tue ochi**** e ficar, lá no fundo, a enlouquecer devagar.

Alguém de quem gosto muito fez hoje sete horas (andata e ritorno) de viagem só para me mostrar a Costiera Amalfitana. Deve valer a pena, pensei. E nela demorámos, a valer a pena, devagarinho, um pouco mais de tempo. Alguém que conheço há muito tempo e canta comigo e me faz rir e me oferece girassóis, só porque gosta de me ver contente. Alguém que raramente me disse outra coisa além de todas as palavras certas. Mesmo se estiveram, algumas vezes ou muitas, fora do tempo ou dos lugares ou me tenham parecido erradas. [Read more…]