Competições e inferioridades

Há muitos, muitos anos fui viver para uma cidade onde a grande maioria das pessoas andava – e anda – de bicicleta, nuns passeios próprios e confortáveis, exclusivos para as biclas.

Chegada de fresco, demorei um pouco a habituar-me àquilo de andar sempre e só de bicicleta, até porque chovia com frequência e às vezes nevava, mas acabei por acostumar-me e passei a gostar da liberdade de pedalar para todo o lado. Na mesma altura, um conhecido meu foi também viver para esse sítio e passou pelo mesmo processo. De vez em quando íamos a qualquer lugar, e claro, sempre montados nas nossas respectivas biclas.

O que me surpreendia imenso e era para mim hilariante, é que, quando seguíamos pedalando lado a lado descontraidamente, caía o Carmo e a Trindade se por acaso um qualquer outro ciclista desconhecido nos ultrapassasse. O meu conhecido lançava-me um “ai o cabrão!”, desatava a pedalar à desfilada e não descansava enquanto não voltava a ultrapassar o dito “cabrão” que tinha tido o descaramento de o deixar para trás. [Read more…]