Começa bem

Fui à página do partido Iniciativa Liberal para ler o programa com que concorrem às próximas eleições legislativas e, entre puxa para cima e para baixo para o encontrar no meio dos slogans, reparei neste em particular.

CORRUPÇÃO

  • Diminuir o poder do Estado, para reduzir possibilidades de corrupção
  • Mais transparência e mais escrutínio dos agentes políticos

Deduz-se que não existe corrupção no sector privado. Talvez seja a juvenilidade do partido a contribuir para a falta de memória mas, sem ir mais longe, deixam-se aqui três casos que somam prejuízos equivalentes a cerca de um terço do dinheiro emprestado pela troika: BPN, BPP e BES.

Talvez os senhores liberais possam explicar como é que menos regulação, ou seja, menos poder do Estado, tal como defendem, teria evitado estes buracos sistémicos.

LIVRE, Iniciativa Liberal e Aliança: descubra as diferenças

PSL

Fotografia: Nuno Ferreira Santos@Público

O LIVRE existe desde 2014, participou em quatro actos eleitorais e é praticamente ignorado pela comunicação social.

O Iniciativa Liberal existe desde 2017, apesar de não ter ainda participado em qualquer acto eleitoral, e é literalmente ignorado pela comunicação social.

O Aliança existe há três meses e meio e teve um batalhão de jornalistas a acompanhar o congresso deste fim-de-semana. Teve ampla cobertura na imprensa escrita, com destaques de primeira página, e directos nos vários canais noticiosos.

Tal como o Aliança, o LIVRE e o Iniciativa Liberal também realizaram, recentemente, os seus congressos, dos quais praticamente não se ouviu falar. A diferença é que o Aliança, liderado pelo mediático Pedro Santana Lopes, que há um ano queria liderar e unir o PSD, é feito de dissidentes influentes e poderosos desse mesmo PSD. E poucas coisas são tão ilustrativas da forma como o regime trata os seus. Os outros que se amanhem, que este país não é para novos.