As 1001 mentiras de André Coisinho e os Liberais a aproveitar o restolho

André Ventura foi ao Twitter dizer que, qual mártir da honestidade, abdicou do salário de deputado municipal “com enorme desapego”, cargo para o qual foi eleito nas últimas autárquicas.

Acontece que tal é impossível, pois o salário de deputado municipal…não existe. Pessoalmente, também não costumo ter apego por aquilo que não existe. Mas isso sou eu, um patego!

Não ter um pingo de vergonha na cara: lição 2348

Noutra notícia, nada relacionada: então parece que a Iniciativa Liberal quer pescar no Chega? Sabemos que a extrema-direita é o Plano B do Neo-liberalismo. Só não sabíamos que iria ser tão rápido.

João Cotrim Figueiredo, em declarações à LUSA, aqui citadas pelo pasquim da Manhã

Quando o Pai – que é como quem diz, o PSD – espirra, os filhos – que é como quem diz, o CH e a IL – constipam-se. E tudo isto com o primogénito – que é como quem diz, o CDS – em fase terminal num Hospital Privado. 

O silêncio também fala

A vida é feita de acasos.

“Enquanto há Moedas, há amigos”: a noite eleitoral onde todos ganham e ninguém perde

A vitória de Carlos Moedas em Lisboa, apoiado por uma coligação com pelo menos uma mão cheia de partidos, teve um condão: o de fazer esquecer o PSD da estrondosa derrota autárquica que teve.

Se hoje lermos o que dizem militantes e simpatizantes do PSD, parece-nos (e confunde-nos) que o partido foi o grande vencedor da noite eleitoral. Não foi; está no lote dos 3 maiores derrotados, ao lado da CDU e do meu BE.

Em sentido contrário, pelo que lemos e vemos, parece que o PS foi o maior derrotado, quando, analisados os resultados, pode até ter saído reforçado destas eleições. Sim, a CM de Lisboa é a maior Câmara do país; mas não é a única, e tampouco é mais do que qualquer outra. No geral, podemos dizer, apesar dos resultados do BE e da CDU, que a esquerda ganhou as eleições, à boleia do PS (o que se pode repercutir nas próximas legislativas). A direita, por seu turno, teve vitórias residuais (PSD em Lisboa, Coimbra ou Funchal, por exemplo) e, no restante, foi à boleia do Chega (este último que consegue índices interessantes de votação em territórios onde grassa mais pobreza e falta de alfabetização). [Read more…]

Saudosismo i-liberal

TERRA DAS OPORTUNIDADES Há 70 anos, dois jovens deixavam a Beira Alta rumo a Lisboa à procura de uma vida melhor. Hoje vivemos com menos liberdade porque cada vez menos ouvimos histórias felizes onde as pessoas são as personagens principais! #EstáNaHora da esperança voltar!

Saudades de 1954, quando podíamos escrever o que queríamos naquela rede social, a ‘Fascisbook’!

Um partido. Dois sistemas.

Não é que seja surpresa, pois quem está do lado dos poderosos e é fraco com os fortes e forte com os fracos, sujeita-se a estas figurinhas para conseguir chegar ao poder. Ora vejamos.

Iniciativa Liberal em Lisboa:

Mas, mais acima no mapa, passou-se isto (pelo menos é o que se diz por aí):

Obviamente, como íntegros que são, os Liberais nunca apoiari… espera aí!

Iniciativa Liberal no Porto:


IL: um partido, dois sistemas.
ou: IL, Incoerência Liberal.

Combater a extrema-direita? Nem com setas de brincar.

Acho muito bem que o Iniciativa Liberal tenha feito um alvo com as caras dos seus adversários políticos. Um pouco veneno nunca fez mal à política. É, aliás, transversal a toda a sua existência. E, se pensarem bem, o acto em si acaba por prestar um bom serviço à causa pública que é a de contribuir para uma sociedade mais transparente. Ao colocar Catarina, Rio e Jerónimo entre os malvados socialistas, deixando de fora Ventura, ficamos um pouco mais esclarecidos sobre quem são os verdadeiros adversários e as prioridades da IL. Combater a extrema-direita não parece ser uma delas. Nem com setas de brincar.

Tiro ao alvo: o CEO vai nu

Eduardo Couto, estudante de Educação Social e militante do BE   

Arraial liberal: ‘morte aos traidores’ ou a MRPPização da IL?

Ninguém deveria estar neste alvo da Iniciativa Liberal. Mas a pergunta que me ocorre é a seguinte: porque estão Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e até Rui Rio, mas não está André Ventura?

Para bom entendedor, um alvo e uma flecha bastam…

Chega até a ser cómico… a IL alega que não faz acordos com o Chega, argumentando que é com o PSD que têm um acordo nos Açores. Todavia, coloca Rui Rio no alvo mas não coloca a pessoa com quem tanto nega dialogar.

Coerência: procura-se!

Arco e flecha e um ‘morning wood‘ liberal. Imagem de Pedro Vieira.

O Cotrim mentiu-nos…

E o Público também. Recentemente, surgiu uma notícia do Público a alegar que o João Cotrim Figueiredo “não vê porque não repetir modelo dos Açores” com PSD e Chega. Vá lá, meteram as aspas até Açores, mas este título trata-se claramente de mais uma tentativa de descredibilizar a IL e colocá-la como braço direito do Chega. Não há uma entrevista que seja feita ao líder da Iniciativa Liberal sem uma referência ao Chega. Se querem escrutinar o trabalho da IL, ao menos que se faça com verdade. Questionem o porquê da abstenção em medidas pró-LGBT, por exemplo. Que já agora também discordo, porque deveria ser voto contra, visto que orientação sexual nunca deve ser um fator de desempate. Achar que a IL é contra LGBT é quase o mesmo que achar que a IL é contra aviões ou bancos. Questionem a abstenção em relação à audiência do Rui Pinto. Tenta coisa que têm, mas a única forma que encontraram para tentar melindrar liberais é falar do Chega. Ora, liberais dão palco a fachos por irem a umas palestras, mas trazer o Chega para a conversa todas as entrevistas é mero escrutínio.

Depois disto, ainda há pessoas que não perceberam o que se passou nos Açores. Não percebem que o acordo da IL é apenas e só com o PSD. Querem um desenho? Então tomem um desenho. Pode ser que seja desta.

E agora chegamos à parte mais grave. Cotrim mentiu-nos e não há como fugir às evidências. Ainda em tempos de legislativas, Cotrim disse não se juntar ao Chega.

Mais tarde, diz o mesmo numa entrevista ao Expresso.

Desta vez, não foi o JCF, mas sim Tiago Mayan a afirmar que não há hipótese para iliberais.

E agora, chegamos à mentira. JCF disse no Polígrafo SIC que seria a última vez que afirmava que não haveria acordos nenhuns com o Chega.

Ora, pois… É mentira. Infelizmente, repetiu dia 17/05 com Miguel Sousa Tavares.

E como se não fosse suficiente, ainda repete na RTP1, no 5 Para a Meia Noite.

Felizmente, temos esta excelente recolha do Myles. Para deixarem de perguntar e mentir sobre as posições liberais, talvez o Cotrim tenha de tatuar na testa “Chega é merda”.

Espero que da próxima vez, não haja resposta. Obviamente, virão os donos da virtude dizer que quem cala consente, mas não há motivo nenhum para repetir isto. Lamentável que os OCS dêem tanto palco a um partido como o Chega que apenas tem um deputado. Mas depois, os mesmos que acham isto normal são aqueles que gritam normalização a cada esquina.

Conversas vadias 16

A décima sexta edição destas “Conversas vadias” rondou: Reino Unido, Lista Verde, pandemia, Portugal, turismo, Champions, tio Joaquim, Lisboa, Porto, PSP, traduções, SIC Notícias, vacinas, EUA, Bélgica, Regionalização, poder local, história, ciência, José Gomes Ferreira, teses, conspirações, BES, Sérgio Conceição, China, Tiananmen, homenagens, Benfica, Jorge Jesus, pandemia, “pandumia”, planetas, Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, censura, Iniciativa Liberal, controlo de informação, liberdade, internet, e as recomendações dos vadios a não perder.

E quem foram os vadios? Foram António Fernando Nabais, Carlos Araújo Alves, Francisco Miguel Valada, João Mendes, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa. Mais a ausência especial de Fernando Moreira de Sá, que está à espera que chova para regressar ao meio de nós (ámen).

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas vadias 16







/

Libera-lol

TAKE 2

No país com iniciativa liberal.

Expectativa: 



Realidade:

 

Se os liberais fossem tão bons na coerência como são a fazer ‘memes’ no Facebook e em outdoors populistas ‘cool’

O que vale é que, assim, vamos sabendo mesmo com quem contar. E não contamos com o Iniciativa Liberal.

Com inimigos assim, quem precisa de amigos?

Expectativa:


Realidade: 

Deputado do Iniciativa Liberal abstém-se sobre uma eventual ida do hacker Rui Pinto à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ao Novo Banco.

A cabeça vai ficando cada vez mais calva. E quanto mais se destapa, mais fácil fica ver o couro cabeludo. Portanto, o que escondem?

«As cúpulas que vão abaixo!
Gritam eles, para impressionar; 

Mas estes profissionais do tacho 
Ainda acabam de cúpula ao ar»

Quem quer casar com a Venturinha?

“Atrás do mel correm as abelhas”

O liberalismo, agora, já é fascismo maquilhado?

Ou será que o Cotrim se vai maquilhando para seduzir o amigo saudosista achegado e, desta forma, convencer o homem dos derrames cerebrais que comanda o PSD a, futuramente, formar Governo? [Read more…]

Rafael Corte-Real, candidato da Iniciativa Liberal a Gondomar: Vamos a isto, putinhas


Nas palavras de Maria Leonor Figueiredo: «machista, homofóbico, violência sexual como tema humorístico. Com orgulho.»
É o candidato da Iniciativa Liberal a Gondomar. Está apresentado.
Ele e o Partido que o apresenta.

IL 5% antifa – à maneira dela

“Maria Castello Branco [dirigente da Iniciativa Liberal] desconfortável com Ventura rompe com o MEL”

«Mas decidi que não posso participar numa Convenção que parece querer federar as direitas, sem primeiro colocar a nu as posições dos seus vários constituintes e sem lançar os seus líderes em franco debate. Ao invés, parece querer forçar respostas claras ao que se nos apresenta como um projecto de federação desenhado nas sombras.»

 

O candidato é da Iniciativa Liberal, o discurso é do Chega

Como em qualquer partido, existe, no IL, gente boa e gente menos boa. Pessoas honestas e trafulhas. Gente trabalhadora e parasitas sociais. Pessoas verdadeiramente liberais e aspirantes a tiranetes, para quem o liberalismo se resume a pagar menos impostos e a impor uma selva económica onde impere a lei do mais forte, restando ao mais fraco o tradicional “desenmerda-te”.

Não sei em qual das categorias se insere o candidato da IL à CM de Viseu, se é que em alguma, mas sei isto: alguém que se refere às suas adversárias políticas como “as mal fodidas das fachistas feministas de género” não fala o idioma do liberalismo. Fala o da extrema-direita. E não, não se trata de um caso isolado. Não é a primeira vez que Fernando Figueiredo usa este tipo de discurso onde o ódio, a misóginia, o insulto e/ou a javardice em bruto andam de mãos dadas. Talvez por isso a sua conta no Twitter tenha sido desactivada. Porque se o candidato é da Iniciativa Liberal mas o discurso é do Chega, não estamos apenas perante uma incoerência. Estamos perante uma fraude ideológica. Ou, quiçá, perante uma tendência que vamos vendo um pouco por toda a Europa, protagonizada por autocratas que desprezam a liberdade e a democracia, mas que não deixam de servir os interesses económicos da elite que nos comanda. Liberais na economia e fascistas – assim mesmo, com “sc” – nos costumes.

É por estas e por outras que o MEL tem tudo para correr bem. Em particular para André Ventura.

Conversas vadias 13

A décima terceira edição das “Conversas vadias”, andou à volta de cabras, cabritos e cabritas, Sporting, festa, tesão, Palestina, polícia, tomates, F. C. Porto, final da liga dos campeões europeus, Amorim, Benfica, Luís Filipe Vieira, audição parlamentar (ou para lamentar?…), João Cotrim Figueiredo, Iniciativa Liberal, soundbite, Mariana Mortágua, Paulo Querido, João Galamba, Twitter, Fátima, lenços brancos, Jesus, Maria João Abreu, carpe diem, Branca de Neve, Marretas, Astérix, Fausto, U2 e museus.

Quando aos vadios: António Fernando Nabais, Fernando Moreira e José Mário Teixeira.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas vadias 13







/

É este sopro humano Universal/Que enfuna a inquietação Liberal

Fechar acordos parlamentares à Direita, incluindo e legitimando a extrema-direita, num arquipélago “distante”, tudo bem. Dá para disfarçar.

Ficar sozinho, lado a lado com o Chega, no pedido de uma revisão constitucional? Isso não, dá muito nas vistas.

Dito por quem me fez chegar a notícia: “Quando percebes que estás a embarcar num jogo do qual só podes sair chamuscado”. E sabemos: quem brinca com o fogo, queima-se.

Ps. Um pedido de desculpas pela profanação da obra de Miguel Torga. Por tal, deixo a estrofe que dá nome ao texto, aqui, na íntegra:

Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.

(…)

Foto: LUSA

Diane Keaton e a coligação IL-Chega

Woody Allen, numa homenagem a Diane Keaton, explicou ao público que a cidade natal da actriz é tão reaccionária que ajudar um cego a atravessar a rua é considerado socialismo. Parece uma piada, é uma piada, mas, como geralmente acontece com as piadas, não é absurdo. Entenda-se, aqui, “absurdo” como algo necessariamente inexistente. O curioso do absurdo é ser real. A realidade, aliás, é sempre mais improvável do que a ficção (e do que o humor, uma das suas manifestações).

Ontem, na Assembleia da República, António Costa destacou a importância dos valores democratas e cristãos, na esteira do papa Francisco, considerando que este não era socialista, o que provocou uma reacção de discordância de João Cotrim de Figueiredo e de André Ventura (este com mais entusiasmo, é verdade) – o papa, para estas duas luminárias, não anda longe do socialismo, o que, nestas bocas, não é um elogio. O amor anda no ar – Cotrim e Ventura já acabam as frases um do outro.

A direita, que, em Portugal, assume, frequentemente, uma essência católica, é, com a mesma frequência, pouco cristã, especialmente se seguir a cartilha liberal. Para esta gente, não há desfavorecidos, há preguiçosos e parasitas. Do mesmo modo, não há privilégios, apenas mérito. O ideal (também cristão) de que uma sociedade justa seja um sistema solidário e redistributivo causa-lhes alergia e tudo aquilo que lhes cause alergia, incluindo ácaros, é socialismo – no fundo, são como os conterrâneos de Diane Keaton: o cego que se desenrasque. E o papa que se deixe de cristianismos.

É tudo muito liberal, mas…

… quando o assunto é o capital, a coisa muda de figura.

A prestação do deputado João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, durante a sessão de inquérito de ontem, em que foi ouvido Luís Filipe Vieira, para mim não foi uma desilusão. Porquanto, só se desilude quem iludido está.

Antes, foi uma confirmação do que eu penso da Iniciativa Liberal: “vinho novo em odres velhos”.

Por isso, quanto ao que aconteceu ontem na audição parlamentar de Luís Filipe Vieira a instâncias de João Cotrim Figueiredo, eu até poderei ser suspeito para falar do deputado da Iniciativa Liberal.

Mas, o nosso Fernando Moreira de Sá, não

Aquela tentativa, a que o nosso Francisco Salvador Figueiredo chama de momento de humor, por parte de João Cotrim Figueiredo, ao dizer “Nesta segunda ronda vou aproveitar para fazer a segunda pergunta que os portugueses mais querem saber, sendo que obviamente a primeira é saber como é que se gasta 100 milhões numa época e se fica em terceiro“, foi infeliz, mas propositada.

Enquanto português, por mim, o Benfica até pode gastar 500 milhões e ficar em último: desde que nenhum desse dinheiro saia do meu bolso ou do Orçamento do Estado, é-me totalmente indiferente.

Falo por mim, sabendo que falo, também, o que muitos outros portugueses pensam. Incluindo liberais, que defendem que tal matéria diz respeito aos privados e não ao Estado.

A questão é que com essa espécie de humor, João Cotrim Figueiredo acabou por brincar numa audição de uma comissão de inquérito, que visa, também, apurar quem e como enriqueceu à custa do empobrecimento de um povo. E, quando a Iniciativa Liberal, tanto apregoa moralismo sobre como se gasta ou deve gastar o dinheiro público.

Então, qual foi o propósito de  João Cotrim Figueiredo, ao brincar com um assunto grave e num momento sério, e que deveria ser caro à Iniciativa Liberal?

Não tenhamos ilusões: para conseguir mais um “soundbite”.

Porque, no fim de contas, é a isso que a Iniciativa Liberal se resume: cartazes e “soundbites”.

Mas, não pode brincar com coisas sérias? [Read more…]

Afinal é mentira, aldrabice, inveja, preguiça; ou leve 4 pague 1?

Há quem ache que quantidade é sinónimo de qualidade. E não estranha, não viesse tal devaneio de alguém que defende a acumulação de capital. Logo, quanto mais, melhor.

Mas vejamos: 3 anos nos cafés, 6 anos nos sumos de polpa, 6 meses a deter o BPP, 1 ano e meio na TVI, 2 anos no Turismo de Portugal e mais uns pares de anos em empresas de investimento e recursos humanos. Ou estamos a falar de alguém extremamente competente (e eu não duvido) em variadas áreas que nada têm a ver umas com as outras, ou de um saltimbanco.

Podemos dizer que a personagem em causa é um precário dos empregos de alto gabarito. Depois da “discriminação contra investidores bolsistas”, a precariedade dos nascidos em berço de ouro.

Comovente.

inserir arco-íris, gambuzinos e unicórnios liberais

Mas em que ficamos? Trata-se de mentira, aldrabice, inveja ou preguiça? Ou tudo isto e mais alguma coisa?!

A verdade da mentira – e variações em sol maior

Paródia liberal (imagem retirada dos confins da internet)

Antes de acusações de mentira, desonestidade e argumentos cheios de nada, vale mais cingir aos factos.

Aparentemente, ontem menti, num texto dirigido ao deputado único do Iniciativa Liberal, depois da sua triste figura na Comissão de Inquérito Parlamentar, enquanto questionava o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Só que tenho de deixar escapar uma inconfidência: não menti.

De facto, João Cotrim Figueiredo foi CEO da PH (Privado Holding) durante 6 meses, em 2009. De facto, em 2008, o banco pediu 750 milhões de euros ao Estado, tendo recebido 450 milhões (sim, foi antes da entrada do CEO do IL, mas não vejo no que é que isso muda todos os outros os factos). De facto, João Cotrim Figueiredo era CEO do banco durante o processo de reestruturação. [Read more…]

What a Wonderful World

João Cotrim Figueiredo, deputado do IL (Iniciativa Liberal), que em 2008, na qualidade de administrador da PH (Privado Holding), detentora, na altura, do BPP (Banco Privado Português), pediu ao Estado 750 milhões de euros (tendo recebido 450 milhões) e que uns anos depois, na qualidade de deputado, afirmou que “o Estado não pode salvar bancos”, está a questionar Luís Filipe Vieira acerca das suas dívidas ao Novo Banco.

«The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands, saying “How do you do?” They’re really saying “I, I love you”»

Imagem retirada da página “Uma página numa rede social”, no Facebook.

Ode, mira este Portugal

O que me diz toda esta polémica com o caso de Odemira? Que é o Portugal de sempre. O Portugal que assusta qualquer um que o “mire” de fora.

Num breve resumo: temos um empreendimento turístico que concorre de forma desleal com muitos outros na região. Cujo investimento foi feito com batota, ou seja, com empréstimos a fundo mais que perdido ou a fundo de amigo, via BES. Temos explorações agrícolas que concorrem de forma desleal utilizando mão de obra escrava. Temos um Estado que faz de conta que não vê nada. Reguladores que não regulam nada. Autarquias que não se preocupam com nada. E depois, quando a coisa dá para o torto temos o tradicional “não sabia”.

Reparem, o Senhor Zé tem uma exploração agrícola onde paga aos seus trabalhadores cumprindo integralmente as leis do trabalho a concorrer com o Zé S.A. que escraviza os seus trabalhadores. E vão os dois vender ao mercado em pé de igualdade e, claro, o Zé da S.A. consegue ter preços mais baixos que o Senhor Zé. Agora é substituir a exploração agrícola pelo restaurante, pela loja de roupa, pela mercearia e passar de Odemira para Lisboa, Porto, Braga, Vila Real e por ai fora. O mesmo se diga no tocante a “resorts” e o pequeno investidor que criou um turismo de habitação ou um Hostel. Quando vemos e lemos a “engenharia” financeira na base da criação do ZMar é todo um Portugal dos pequeninos, do amiguismo, das velhas famílias, dos chegados ao Terreiro do Paço. O BES empresta sem as garantias que exige ao comum dos mortais. As autoridades fazem de conta e deixam construir onde não é permitido ao comum dos mortais e quanto a impostos, vou ali e já venho. Ora, isto não é liberalismo económico. Nem se pode chamar a isto capitalismo selvagem. É pior, é crime sem castigo. É Portugal.

Ora, eu gostava de ver a Iniciativa Liberal a falar a sério sobre isto. A explicar que esta merda não é liberalismo, que esta merda nem capitalismo é. E sim, sou mais exigente com a IL do que com os outros nesta matéria. Porque dos outros já não espero nada. Trabalho escravo, violação das regras da concorrência, abuso de poder é o resumo do que se passa por estes dias nas notícias.

É Odemira a ser o espelho de Portugal.

4 de Maio de 2021 – A noite de horror dos Pablos

É preciso algum cuidado na análise aos resultados de ontem, em Madrid, de Isabel Ayuso. A sua vitória esmagadora não é uma vitória esmagadora do PP. Não. Nem é apenas uma derrota esmagadora de um Pablo, o Iglesias. O 4 de Maio ficará para a história da política espanhola como a noite de horror para dois Pablos. O Iglesias e o Casado. Por razões diferentes.

A cosmopolita Madrid derrubou de forma implacável um dos seus representantes. Pablo Iglesias é um produto dessa Madrid cosmopolita, moderna e jovem. Foi a partir de Madrid que Iglesias partiu rumo à conquista da esquerda espanhola. E foi em Madrid que se transformou naquilo a que hoje o apelidam muitos dos que acreditaram na banha da cobra que lhes vendeu, o “podemita”. E ser um “podemita” em Espanha é tudo menos positivo. Ser um “podemita” não é ser um militante ou apoiante do Podemos. Não. É ser alguém que traiu os seus eleitores, que traiu o ideal que, supostamente, defendia e representava. É o “podemita” que se transformou no inquilino de um luxuoso condomínio habitacional dos arredores de Madrid, que vivia no meio daqueles que tanto criticou, cujos vizinhos alimentam o voto franquista do Vox. É ser tudo aquilo que antes tanto criticou aos seus adversários.

A mesma cosmopolita Madrid que votou Ayuso mas não vota Pablo Casado. Porque lhe falta a ele o que ela tem para dar e vender: carisma e “huevos”. Isto escrito por alguém que não vai muito “à bola” com a senhora. Continuo a ter muitas dúvidas na estratégia de Ayuso na gestão da pandemia (a mesma estratégia, confesso sem qualquer hesitação, que lhe permitiu construir este resultado histórico). Aliás, ao dia de hoje, Madrid continua a ser um barril de pólvora quanto ao número de infectados e ao número de doentes nas UCI. Porém, mal ou bem (o futuro o dirá), Ayuso fez algo que em política é essencial mas que se tornou raro: escolheu um caminho e foi por ali fora sem pestanejar. Escolheu manter Madrid minimamente aberta, decidiu colocar-se ao lado dos comerciantes da sua região e dizer que não se pode combater uma pandemia matando com a cura. Enquanto que nas restantes regiões de Espanha o comércio estava fechado e as regras de recolher obrigatório eram (ainda são) duras, em Madrid eram flexíveis. Se nas Baleares fechava tudo (ou quase) às 17h, em Madrid fechava às 23h (ou mais). São opções. Que só o futuro dirá qual a mais correcta.

[Read more…]

Carlos Guimarães Pinto: Antigamente não era bom

(Carlos Guimarães Pinto, Ex-Presidente da IL-Iniciativa Liberal)
Salazar morreu pobre, dizem. Naquela casa eram todos pobres. A governanta era pobre, a cozinheira era pobre e o motorista era pobre. Salazar era tão pobre que até os seus empregados eram pobres. Também nunca roubou ou foi corrupto, como nos garante a falta de notícias e reportagens da imprensa “livre” da altura ou a falta de condenações do sistema de justiça “independente” do Estado Novo.
Salazar era um académico reconhecido de grande envergadura intelectual, dizem. De uma envergadura intelectual tão grande que nem precisou de fazer tese de doutoramento para receber esse grau. Já antes tinha sido nomeado professor ordinário da Faculdade de Direito de Coimbra sem necessidade de prestação de provas. Era de tal maneira bom que nem precisava de prestar provas da sua habilidade como académico para progredir na carreira (pelo menos o outro teve que fazer o exame a um domingo).
A democracia e a liberdade de imprensa com o escrutínio acrescido que trouxeram revelaram problemas crónicos da sociedade portuguesa: a corrupção, o domínio das elites e a falta de independência das instituições. Mas “antigamente” não era bom. Era pior. Para além da falta de democracia e liberdade de expressão, havia certamente mais corrupção, mais captura do estado pelas elites e ainda mais nepotismo, com a agravante de tudo estar suficientemente escondido para não se saber e se poder alimentar o misticismo de um regime de líderes impolutos que se mantém na cabeça de muitos até hoje.
Este misticismo no subconsciente e mesmo no discurso de alguns ajuda a manter uma ideia errada sobre os problemas estruturais do país. Esses problemas não se resolvem com homens providenciais. Resolvem-se com mudanças nas instituições que permitam que o sistema funcione qualquer que seja o líder, ou líderes, que temporariamente assume determinado cargo. Um país não pode depender tanto da qualidade dos seus líderes como Portugal hoje depende. Um país com instituições fortes, pode funcionar bem mesmo com maus líderes. Quanto mais fortes forem as instituições (imprensa livre, justiça independente, separação de poderes,…) menos importante é a qualidade dos líderes que temporariamente governam o país. Isto funciona para um país como para uma empresa ou outra organização qualquer.
O grande desafio da democracia não é eleger homens providenciais. Isso é muito difícil avaliar antes de os ver no exercício do poder e mesmo assim nem sempre a avaliação é correcta. O grande desafio da democracia é ter instituições à altura que tornem o país menos sensível a variações na qualidade dos seus líderes. Ironicamente, para se conseguir ter instituições fortes resilientes à qualidade dos seus líderes, precisaremos, temporariamente, de alguns bons líderes capazes de as implementar.

Chega, PSD e Iniciativa Liberal entram num bar salazarista

Do Chega nunca esperei grande coisa. Melhor: nunca esperei nada. Parido no PSD mais à direita de sempre, criado e educado na ignorância arrogante e autoritária da extrema-direita, um partido que é uma espécie de sociedade unipessoal de um Groucho Marx oportunista e sem espinha dorsal só poderia resultar nesta anedota populista e demagoga que se repete diariamente, arrastando consigo um pequeno exército de velhos fascistas a tresandar a mofo, depois de quatro décadas e meia no armário do saudosismo, e uns quantos indignados com a situação, demasiadamente revoltados para perceber no que se estão a meter e o tipo de práticas que estão a validar. Porém, independentemente de quem lá vai ao engano, uma coisa é certa: o Chega é um partido da extrema-direita neofascista, com uma agenda de extrema-direita neofascista, uma narrativa de extrema-direita neofascista, um programa de extrema-direita neofascista e uma postura de extrema-direita neofascista. And you know what they say: if it walks like a duck, talks like a duck…

[Read more…]

Os donos de Abril

25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais. Upssss:

#istoaindanãoéacoreiadonorte

Carla Castro: A liberdade chegou para os jovens? 

Carla Castro, Membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal.

Abril é considerado em Portugal o mês em que se celebra a liberdade. É uma boa altura para refletir sobre as liberdades que estão em perigo ou que não estão garantidas. Será que a liberdade chegou mesmo para os jovens?

Em traços gerais, hoje um jovem herda uma dívida pública castradora, sobre a qual vai ter de pagar um enorme défice, depara-se com um sistema de segurança social frágil, num país que está envelhecido e pobre e vai ter de suportar um dos mais elevados esforços fiscais no mesmo país que tem vindo a perder consecutivamente posições na tabela da competitividade. Este jovem vive num país que regista um consumo elevado de ansiolíticos e que apresenta, em todas as gerações, um estado de saúde mental deteriorado. Urge reerguer as condições necessárias para se percorrer individualmente o caminho da concretização de sonhos e, em sociedade, fazer-se um percurso de prosperidade. Tenhamos consciência de que, para se fazer esse percurso, o caminho tem de ser de liberdade.

Mas, como podemos nós falar de liberdade no início de vida quando:
– Não podem escolher a escola que querem frequentar, sobretudo se não tiverem um elevado nível socioeconómico; 

[Read more…]

Amamentação

Edição do jornal Sol, 10 de Abril de 2021

O choque, o horror, a surpresa.
Um liberal às costas do Estado?

Só pode ser mentira.

”Mais Estado” ou “menos Estado”, consoante os cargos disponíveis.

Para ler ao som de:

Quim Barreiros – A Cabritinha 

Quando o mentiroso é ideológico

«No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais.»

No preâmbulo do seu último artigo aventaresco, o meu colega Francisco Figueiredo decidiu ir pelo caminho da lama. Tendo o Francisco, como bom liberal que é, uns Stan Smith brancos calçados, desaconselharia o caminho lamacento, envolto em pó e poeira, pelo qual os liberais tanto gostam de caminhar. Desaconselho, por duas razões:

1 – O liberal Francisco Figueiredo não entendeu o texto que leu;

2 – Ao não o entender, mesmo assim, sentiu-se tocado pelas “mentiras de sempre sobre liberais”, cito, e, por tal, enfureceu-se escrevendo um rol de disparates ideologicamente mentirosos.

Vamos a factos. No seu artigo, lançado no primeiro dia de Abril, Bruno Maia, médico neurologista, intitulado “A ideologia liberal é antiga”, faz uma analogia entre o que hoje defendem os neo-liberais para a saúde (e basta consultar programas dos partidos para o aferir) e o que defendia e praticava o Estado Novo. O que defende, então, o Iniciativa Liberal para a saúde? Queremos mais liberdade para decidir onde queremos ser tratados.”: é o mote do partido para a sua defesa do reforço dos privados e o enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde; diga-se, é essa a proposta do IL: reforçar o capital, aumentar os custos e deixar morrer, aos poucos o SNS, mantendo-o magro e em serviços mínimos (sim, os Mr. Burns da política dir-vos-ão que não, que o objectivo será manter um SNS de serviços mínimos que garanta aos pobres o seu acesso e, por outro lado, dar mais autonomia aos privados – aqui, dir-vos-ão que o objectivo é que mais gente tenha acesso ao privado). Dado o mote, o partido discorre meia dúzia de medidas que acha necessárias para alavancar a saúde que defendem. Passo a enunciar um par delas: [Read more…]