Um dia contra a violência que nos é familiar

A violência dentro de casa não tem género, embora tenha número e não é pequeno. Não me parece inteligente discriminar se quem leva porrada é gaja, gajo, cota, puto ou mesmo o canídeo: o problema é sempre o mesmo, o cá em casa mando eu, somado ao hábito secular de não se meterem colheres onde se gosta muito de enfiar o ouvido, na velha arte de cuscar e calar.

Estatisticamente as mulheres ainda apanham mais, embora a probabilidade de serem ultrapassadas pelos anciãos e respectivas velhinhas seja elevada, não falando da canalha que, convém lembrar, come bordoada com a legitimidade de muita alma desalmada ainda achar tratar-se de um método educativo,  também apanharam na tromba e só os fez crescer (a violência caseira tem muito de hereditário e fede a cruel vingança, é sabido).

Posto isto, o dia vale a pena e este cartaz é uma prima de uma obra, melhor que o original. O Leonardo, que provavelmente levou do companheiro aprendiz diria o mesmo, aposto singelo, contra um prato de dobrada.

E agora ia eu a ver se dava os créditos ao trabalho e descubro isto: Luís Silva – Portugal. Create4theUN: 2011 United Nations European Ad Competition to Say No to Violence Against Women.

Não é bem a mesma coisa

O Dia Internacional de Luta contra a Violência sobre a Mulher em castelhano europeu chama-se Día Internacional contra la Violencia de Género.

 

A data é aniversário do assassinato das irmãs Mirabal pela ditadura dominicana em 1960. Um crime político. Gosto mais de Día Internacional contra a Violência de Género. Desconfio que as três irmãs também.