O mistério de um inocente convite (suspense 4)
Uma nova denúncia, começando já a engrossar o processo, dizia respeito a uma cunhada, que é ajudante de farmácia, e que teria dito à recíproca cunhada que o irmão comprara uma embalagem de viagra. Não, não, não fora de viagra mas de cialis de 20 mg, logo de 20 mg! Parece que faz mais efeito e mais prolongado. Tem uma duração de acção de 24 horas. Contando com altos e baixos, claro, como a bolsa.
-Pudera! Não se trata, muito provavelmente, de uma traulitada de coelho, mas de um bacanal de uma tarde inteira, quem sabe, se de um forrobodó a entrar pela noite dentro!
Lamentava-se uma outra esposa, sorumbática, enfiada na concavidade depressiva de um velho sofá, cuja actividade sexual se resumia aos dias santos. Não porque o marido respeitasse essas datas festivas mas porque a fé a levava a essa graça por invocação de um santo secreto que lhe falava em sonhos, assim de uma forma meio atrevida.
-Sete plásticas, número mágico ligado às sete cordas da lira e às sete cores do arco-íris, mágicas o tanas, de nada valeram. Basta um estranho e insólito convite, sem mulheres legítimas à perna, para ver o meu querido amor a rastejar, a rejeitar-me desde o Natal ao pentecostes e ainda por cima justificar:
-Coitado do meu amigo, como não tem mulher, não pode estar, sozinho, a aturar as mulheres dos outros. Além disso não pode convidar toda a gente, é um homem só, pau para toda a colher, é certo, mas do corpo lhe sai!
-Isso, isso, agora é que disseste tudo, pau para toda a colher.
-Mas foi uma compreensível opção, mulher, tens de aceitar.
-Aceito, eu aceito, mas como explicas que há dois meses, com dias santos pelo meio, não cumpres a tua obrigação da meia-noite, dizendo que estás muito cansado. Tens de te poupar, é? Tens de armazenar, é? Bruxo!. (Continua)






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