Não basta aos idosos serem velhos

Em artigo anterior fiz a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), frente à Exploração Capitalista da Saúde. Esta reflexão, contudo, não é tanto em relação ao SNS que existe, mas ao que o SNS poderia vir a ser, se houvesse vontade política. Ao que o SNS poderia vir a ser se houvesse uma vontade séria de eliminar os seus defeitos, as suas imperfeições e as suas carências, no sentido de o programar para um profundo desenvolvimento, indispensável à saúde de um povo.

Hoje, o conhecimento e a experiência médica são muito grandes. A investigação científica atingiu uma dimensão incalculável e a sua aplicação prática trouxe avanços inimagináveis na assistência aos doentes. Existem muitíssimos profissionais idóneos, com excelente formação técnica e humana e com grande vontade de colaborar nesse promissor futuro que seria um SNS de alto nível. Assim como existem instituições vocacionadas para a defesa dos profissionais, dos doentes e do correcto exercício da medicina, com uma consciência mais viva da nobreza da sua missão. Tudo indica, infelizmente, que este valioso património profissional, científico, social e humano será desprezado e destruído pelos poderes governativos vigentes. [Read more…]

SNS e Exploração Capitalista da Saúde (ECS)

A destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um facto e pode considerar-se um crime de traição, um crime de lesa-Pátria que ficará na História deste Portugal de quase mil anos.

Tudo isto pela força-fraqueza de políticas de direita, muitas vezes ditas socialistas, ignorantes, insensíveis, medíocres, incompetentes e tantas vezes corruptas, e com a falta de moral e desprezo social indispensáveis ao dobrar de joelhos perante os poderes diabólicos que as comandam.

O embrião do SNS começou a gerar-se há meio século, quando Miller Guerra era Bastonário da Ordem dos Médicos. Posteriormente, o Relatório das Carreiras Médicas foi um passo gigante no caminho do que, uma década depois, se haveria de tornar num dos mais modernos serviços de saúde pública. Apresentado por António Arnaut, o diploma criador do SNS foi aprovado no parlamento. Em trinta anos, o SNS transformou a saúde em Portugal, conseguindo aproximar este país dos países mais avançados do mundo em termos de saúde pública. [Read more…]

A Maria nunca mais apareceu

 (porm. de quadro de adão cruz)

Os olhos, vindos do outro lado do mundo, fundos de ausência, casavam o branco e o negro para dizerem o que a boca não conseguia. O nariz afilava de um só traço o rosto magro, e os cabelos errantes fugiam da testa, cada pedaço para seu lado. A pele transluzia uma imagem por detrás dos vidros, imagem baça do avesso da vida.

Uma dor subtil desenhava os lábios maduros, finamente trémulos, como se estivessem prestes a chorar. Nunca alguma lágrima por eles correu ou voou algum beijo. Apenas o cigarro acendia e consumia a sua virgindade. [Read more…]

Cadi

( Já publicado anteriormente)

(Desenho de Manel Cruz)
Cadi era uma mulher esbelta. Uma verdadeira Balanta-Bravo. Não tão bonitas como as Futa-Fulas, as balantas tinham um corpo de fazer inveja a quaisquer outras. A Cadi era o ver-dos-olhos de soldados, sargentos e oficiais. Mas apenas o ver-dos-olhos. Mais do que isso Cadi não permitia. [Read more…]

As palavras

(Adão Cruz)

 Tenho muito respeito pelas palavras e pela verdade nuclear que as constitui.

Tenho muito medo de poder esvaziá-las ou atraiçoá-las.

As palavras, elas mesmas, têm necessidade de serem ditas, senão não passam de palavras, e eu tenho necessidade de as saber dizer, senão não passo de mero dizente.

Por outro lado, se as palavras têm um sentido para aquele que as diz ou escreve, podem não o ter para aquele que as ouve ou as lê.

O conceito de sentido é fundamental na comunicação. [Read more…]

Apresentação

Lançamento dos livros de Adão Cruz e de Eva Cruz (texto de Augusta Clara)

(Fotografias de Elisabete Silveira)

(da esquerda para a direita Carla Romualdo, Augusta Clara, Adão Cruz, Susana Fernando e Marcos Cruz) [Read more…]

A ponte

(Adão Cruz) 

   O Homem é um ser uno e indivisível, muito complexo. Ele é, no entanto, composto por uma infinidade de sub – unidades, todas elas intimamente ligadas entre si. A mais importante de todas, se assim podemos dizer, a unidade soberana, é o cérebro. Este órgão, bem guardado numa caixa óssea, feita da substância mais dura do corpo humano, é constituído por cerca de cem biliões de neurónios em permanente actividade, através dos quais se processam em cada momento, provavelmente, triliões de neuro – transmissões. O nosso esquema cerebral é idêntico em todos nós mas o conteúdo de cada cérebro é totalmente diferente. [Read more…]

Convite

ADÃO  CRUZ – VAI O RIO NO ESTUARIO

EVA  CRUZ – CORCONTE

Caros amigos

Estes são os dois livros que vamos apresentar na nossa casa das Figueiras, em Pinheiro Manso, Vale de Cambra, no próximo dia  07 de Julho de 2012,  Sábado,  pelas 16 horas.

Ao fim de uma vida, cada um tem o seu património. Um património de relações de vida, tecido com as mais diversas texturas. E é esse rico património que queremos saudar, com amizade.

Por isso, a todos os amigos que nos queiram acompanhar, lembramos que a sua presença é, para nós, um enorme prazer.

>>>>>> O Vale de Cambra  >>>>>> O Pinheiro Manso  >>>>>> O Figueiras

Telem.:  914736641  e  919673380       e-mail:  adaocruz@oniduo.pt   e   orlandoeva@sapo.pt

Uma moedinha por favor

(Pormenor de quadro de Adão Cruz)

O homem subia a Rua da Restauração, a qual, apesar do nome, nada restaurava, antes o desconjuntava ainda mais com a subida íngreme. Apoiado numa bengala arrastava a perna direita, desacertada por um AVC. Passava-se isto perto do Bairro Ignês, o bairro dos Erasmus, junto à casa abandonada do velho médico dos olhos, onde eu esperava os meus netos para a festa do primeiro aniversário da Carmen.

Filhos da puta enfiaram-me no banco de trás do carro, lá no fundo da rua, e disseram Ó meu, passa para cá o carcanhol. Limparam-me dezoito euros e deixaram-me aqui. O velho dirigia-se a mim fazendo esforços para lacrimejar. [Read more…]

Ao soar das horas mortas

(Adão Cruz)  

Ao soar das horas mortas neste outro modo de ser hoje
recolho as asas à saída do corpo asas de voo natural sublime
acima das coisas

Para lá do nevoeiro sei que moram os dias claros e as
nirvânicas noites e apetece‑me gritar menino‑pastor da
noite menino‑pastor da noite

Vestido de tempo sem espaço e de espaço sem tempo tento
fundir a neve com o calor da minha nudez mas o cansaço
e a ideia do lado de fora de uma teia sem olhos são fios que
tecem mais tarde ou mais cedo o gélido mundo das sombras

A respiração acabou e o poema nasceu fechado cianótico
asfixiado

No imediato corpo tão longe e tão perto um frio azul
anidrido carbónico encharca as palavras secas

Velha semente sem terra nova terra sem semente um tal
dizer feito de gestos e o prazer de supor que a água ainda
corre nas entrelinhas da secura

A escala consente

(Texto de Marcos Cruz )

(Quadro de Adão Cruz)

 A Joana Vasconcelos é, de acordo com o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, “uma artista de uma modernidade assustadora”. Ele lá saberá por que acha isso. A frase, em si, pouco diz. Cada um de nós, face ao conhecimento que tem quer do SEC quer da JV quer do meio artístico quer da conjuntura nacional quer seja do que for que conte para o caso, pode interpretá-la como lhe apetecer. Na minha opinião, o SEC pretende dizer: a JV é uma artista à frente do seu tempo, visionária. E não: a modernidade que consagra a JV como artista é assustadora. A mim, porém, faz-me mais sentido esta segunda hipótese. [Read more…]

O tempo fora do tempo

 (pormenor da Ribeira Negra) 

 O verão entra hoje, lembrou a velha a comer um pedaço de pão. à porta da padaria.

Meio triste por vir tão cedo, meio contente por vir tão tarde, já que a primavera o deixa de mãos a abanar com este tempo sem tempo. Ainda agora caiu um aguaceiro que fez as gaivotas encolherem-se e o rio cobrir-se de um espesso véu.

O verão está à porta como a velha na padaria. Nem entra nem sai.

Também à porta passa o eléctrico na sua lenta e gemida marcha de outros tempos, que nada tem a ver com as velocidades de hoje. O tempo fora do tempo. [Read more…]

Ateísmo

(Adão Cruz)

Correm por aí vários posts e muitos comentários sobre ateísmo e religiões, nos quais não tenho intervindo, por razões que se depreendem do pequeno texto que se segue.

No entanto, gostaria de deixar aqui a minha posição e a minha visão muito geral sobre o tema.

Sou ateu, racionalmente ateu há quase meio século. Até essa altura, foi dura a luta que travei para me libertar das peias e das grilhetas com que a igreja católica aprisionou a minha infância e a minha juventude, quase destruindo o meu cérebro, a minha mente, o meu pensamento e o que de mais precioso a vida me deu, a minha razão. O dia em que me virei para dentro de mim mesmo e senti, honestamente, um magnífico cheiro a lavado, foi o dia mais feliz da minha vida. [Read more…]

Um gesto de silêncio

(Adão Cruz)

Todos nós temos os nossos desertos pequenos ou grandes e
todos nós temos os nossos labirintos pequenos ou grandes
simples ou complexos

Os caminhos e os percursos entre os nossos desertos e os
nossos labirintos mais rectos ou mais sinuosos são ao fim e
ao cabo os caminhos da nossa vida

E esses caminhos são feitos predominantemente de silêncio

A grande força da nossa vida reside no silêncio [Read more…]

Carta à mulher do presidente

(Já lá vão uns anos, mas é sempre actual )

Minha Senhora, estava eu a jantar quando vi no telejornal as imagens do bombardeamento sobre a aldeia de Korisa.

Imagens da vossa bravura, imagens da coragem e determinação do seu marido.

Corpos carbonizados, dilacerados, fumegantes, esventrados, cabeças estouradas, pedaços de vida feitos em pedaços de carne morta.

Cem pessoas abatidas e muitas outras feridas gravemente, enquanto o diabo esfregou um olho.

Cem inocentes que Deus sacrificou às mãos de quem tanto reza, cem refugiados a caminho da longínqua esperança, olhos postos no fictício horizonte da solidariedade humana. [Read more…]

As palavras estão gastas

(ilustração de Manel Cruz)

As palavras estão gastas estão gastas as palavras.

Mesmo gastas as palavras são olhos de distância e água as palavras são sopros de horizonte as palavras são bonitas são bonitas as palavras ditas e não ditas.

São boas as palavras por dentro e por fora mesmo as palavras más. [Read more…]

Ele há coisas!…

   (adão cruz)

Quem se tenha dado ao trabalho de ir lendo as historietas que por aqui se escrevem, lembrar-se-á, porventura, da Giraldina, a moça roliça que morreu de amores pelo Isabelino.

Pouco tempo depois da sua morte, a mãe apareceu no café, como foi relatado, chorando amargamente a perda da filha. Mas depois levou sumiço, nunca mais apareceu. [Read more…]

Londres – 2012, as Olimpíadas do Medo

Porta-aviões no rio Tâmisa: parte de pacote que inclui vigilância intensa sobre cidadãos e armas sônicas para dispersar manifestações.

Aparato de segurança nunca visto controlará cidadãos durante os Jogos. Eles terão se tornado cavalo-de-tróia para medidas de controle social? [Read more…]

Palestina

Não há sol nos céus da Palestina não há luz nos olhos da Palestina roubaram o sorriso à Palestina

São de sangue as gotas de orvalho da madrugada e o vento só é vento quando as balas assobiam roubaram as manhãs à Palestina

O céu de chumbo esmaga as almas e os ossos e é de lágrimas a chuva quando cai não há sol nos céus da Palestina

Do ventre da lua cheia de aço e de amargura nasce a cada hora um menino com bombas à cintura mataram a infância na Palestina [Read more…]

Limão e malagueta

      (adão cruz)

A malagueta nasce verde verde como o limão olham-se verde no verde ela cora e ele não.

Um empalidece outra faz-se rubor há qualquer coisa de astuto qualquer coisa de comum entre os dois e o amor.

A malagueta abre-se à cor em carne viva ardendo da penetração quente do sol da carícia de febre luz vibrada e tacto de seda.

Não fenece enquanto à sua volta tudo morre e envelhece.

O limão nem mole nem duro sumo de virilidade sumo de alegria denso de seiva sabor amargo ou doce ao sabor dos descuidos da verdade e da melancolia. [Read more…]

Resumo do programa da Syriza:

 

 1) Conceber um escudo para proteger a sociedade contra a crise

Nem um único cidadão sem um rendimento mínimo garantido ou subsídio de desemprego, assistência médica, proteção social, habitação e acesso a todos os serviços públicos.
Medidas de proteção e alívio para as famílias endividadas.
Controlo de preços e reduções de preços, redução do IVA e abolição do IVA sobre bens necessidade básica. [Read more…]

Acertar à primeira

   (adão cruz)

 O Sr. Dr., quando chegar ao lugar dos Couços, pergunta pela casa da Rosa da Eira que toda a gente conhece. Ela não se pode dizer que esteja muito mal, mas diz que tem fisgadas no baixo ventre que lhe causam trupos no coração. E que há que Deus, tem de ser vista pelo Sr. Dr.

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Música e poesia

    (adão cruz)

 Passei o dia a ouvir música

Passei o dia a ouvir música sempre a mesma alternando Madredeus e Erik Satie
Como foi possível parecerem-me tão semelhantes
Que percebe de sons este monocórdico espírito
Mas foi o mesmo o que produziram em mim a sensação amarga de ter atirado fora uma paveia de sentimentos [Read more…]

O tempo muda os caminhos

 (adão cruz)

O tempo muda os caminhos

 mudam as aves o rumo

 com o chegar do nevoeiro

 e pousam as gaivotas nos telhados

 bem longe do mar.

 Já os cães não ladram

 já não cantam os grilos

 e os galos não dão pelo madrugar.

 Que mais vai mudar

 no lento caminhar

 deste passo a passo cansado

 pela estrada que foi caminho

 pelo caminho que foi atalho

 pelo atalho que foi silvado?

Mãe

 (adão cruz)

Mãe a palavra universal a palavra mais consensual da humanidade

Nem Deus… Deus é de uns e não de outros Deus é conceito de muitos e negação de outros tantos

A mãe não a mãe é de todos sem excepção

A mãe é de todos e é só nossa a mãe é do crente e do ateu a mãe é do pobre e do rico do sábio e do ignorante [Read more…]

Fátimas e Holocaustos II

        (adão cruz)

 Nestes lamentáveis dias de encenação da tragicomédia de Fátima, torna-se imperiosa a leitura do capítulo 20 do impressionante livro de Avro Manhattan, o Holocausto do Vaticano, onde se expõe de maneira admirável, ainda que a tradução seja má, a fabricação do maior embuste do século XX. Não deixem de ler, se têm respeito pela transparência do vosso pensamento e se acreditam que vale a pena a gente saber as linhas com que se cose… ou melhor, as linhas com que nos cosem.

Pessoalmente, eu não tenho direito a desrespeitar quem quer que seja que acredite no que quiser, e não o faço. A minha vida prova-o. Pelo contrário, tenho todo o direito de combater as crenças, sejam elas quais forem, como homem de pensamento livre e cidadão de razão e consciência, quando tais crenças se apresentam, através de irrefutáveis provas, como falsas e geradoras de profundo obscurantismo, nefasto ao desenvolvimento saudável do homem.

Num mundo extremamente desenvolvido do ponto de vista científico, num mundo de inimagináveis infinidades, num mundo cujas minúsculas descobertas científicas recentes, nos dizem que há, numa galáxia que não é a nossa, de entre triliões de galáxias, biliões de planetas aparentemente com condições semelhantes às da Terra, arranjem e acreditem no Deus que quiserem, mas, “por amor de Deus”, não caiam no ridículo de acreditarem num deus do Universo que tem, como ministros e seus representantes, Ratzinger e o Bispo de Leiria.

 

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Fátimas e Holocaustos

Em nada me interessa a Igreja católica em si mesma. Porém, como cidadão, não posso ficar ao lado dos fenómenos que afectam, positiva ou negativamente, a sociedade e a humanidade. Desde há muitos anos que me arrepia o paganismo que se fabricou em Fátima, a monumental impostura que se ergueu no nosso país. Mas muito mais do que o paganismo me arrepiam os crimes de toda a ordem que estão na sua génese. [Read more…]

Inadmissível atentado ao Pingo Doce na esquina do Bonjardim

  (Porm. Ribeira Negra de Júlio Resende)

A pobre mulher tinha lágrimas nos olhos.

Pudera!

Encostada à carrinha da polícia, aguardava a elaboração do auto, que o agente escrevia, com ar de gozo. [Read more…]

O sol quando nasce…

   (adão cruz)

Primeiro 
Único
Verdadeiro
Maio acordado
Penoso
Duro [Read more…]

AntiDeuteronomio II

  (adão cruz)

AntiDeuteronómio II

No tempo em que as sardinheiras das varandas dos pobres faziam parte dos nossos sonhos florindo em poemas de sol e de cor no tempo em que as andorinhas teciam grinaldas de vida nos beirais no tempo em que os rios bordavam a terra de areia branca no tempo em que a brisa sussurrava por entre as flores e as fontes murmuravam seus amores a aurora da nossa inquietação tinha o cheiro a maçãs e o pulsar das coisa vivas e o levíssimo sorriso dos jardins do paraíso tudo amávamos em nobre sentimento de exaltação [Read more…]