PodAventar Especial — A questão do Ultramar

Um debate evitado por muitos, mas do qual o Aventar não foge. Três perspectivas em confronto. Uma discussão animada e esclarecedora entre aventadores, com António de Almeida e as estreantes nestas andanças do PodAventar Ana Moreno e Matilde Pinhol. A moderação do debate é de Francisco Miguel Valada.

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PodAventar Especial — A questão do Ultramar
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Saudades do império

Augusto, o menino guineense  Exposição Colonial Portuguesa 1934

Os colonialistas sem colónias querem os brasões imperiais que rondam o mamarracho de Cottinelli Telmo viçosos e tratadinhos. Indignam-se as bestas, que querem apagar a História, valha-lhes o deus em que acreditam.

Apagar a História é esconder séculos de genocídios e escravidão que não orgulham um país civilizado, são pelo contrário a sua vergonha. É esquecer que aqueles brasões insultam quem nos visita e é natural dos países que sofreram a nossa ocupação. É também a ignorância dos que metem no mesmo pacote os Jerónimos e a Torre de Belém (uma mera fortificação defensiva), que não provocam ninguém. É fingir que a memória dos impérios europeus ainda hoje mata, através das fronteiras traçadas a regra e esquadro nas conferências coloniais.

Este revisionismo cultural mostra como a arrogância dos antigos colonizadores e a sua auto-desculpabilização permanecem. É ver como em Oslo causa protestos uma bem engendrada recriação de uma daquelas expos em que os europeus visitavam os pretinhos em suas jaulas. Saudade do pretinho Augusto, que terá deliciado os portuenses, saudade da divisão dos humanos entre supostos civilizados e selvagens a quem tratavam como animais. Os canalhas restam saudosos de si mesmos, e convinha percebermos porquê.