Inutilidades

Hoje, ao ler o Aventar, lembrei-me de Caeiro e de Pratt.

A utilidade, a empregabilidade, em determinadas áreas é uma questão que não faz sentido: qual é a utilidade da Música, da Matemática pura, dos Estudos Clássicos que destruíram em Portugal, e da Filosofia, que quiseram destruir mas não conseguiram? São coisas que têm a ver com o exercício da liberdade humana. Para mim, a ideia do livro nunca foi a ideia do útil, mas sim a do imprescindível, do amigo. Perguntar para que serve a Filosofia é o mesmo que perguntar para que serve um amigo: para tudo e para nada.

            – António de Castro Caeiro

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Gastar tempo em coisas que não servem para nada

Pelos vistos o Parlamento quer limites à remuneração dos gestores públicos, vai daí aprova mais uma daquelas resoluções que de tão genéricas e subjectivas não servem para nada.

Por exemplo, a proposito do nº de administradores diz que devem ser “considerando-se apenas justificável alargar a sua composição para cinco administradores quando a empresa desenvolver uma actividade complexa e a nível nacional e ou internacional”.
O que quer dizer actividade complexa? Qual o indicador de complexidade que definiram para aplicar automaticamente a todas as empresas de forma a perceber se tem actividade complexa ou não?

Continua a proposito das remunerações dos administradores, “que devem ser definidos níveis de remuneração para os gestores públicos que não podem deixar de ponderar as condições económicas e financeiras do País”.
Isso quer dizer o quê mesmo? Traduz-se em quê? Se o crescimento do PIB e valor da despesa for Y então já só pode haver salários de Z?

Também diz que “A utilização de cartão de crédito deve ser erradicada”… claro é melhor passar para gastos em dinheiro vivo, assim é mais dificil perceber onde é que foi gasto.

Ah! E claro, convém criar uma comissãozita para verificar que isto é mesmo implementado
“O Parlamento propõe ainda a constituição de uma comissão de supervisão do sector empresarial público composta por um membro indicado pelo Tribunal de Contas, um membro indicado pela Direcção -Geral do Tesouro e Finanças e um membro por cada tutela sectorial.”