As interacções, as interações, as iterações e as iteracoes

People like to say: “knowledge grows exponentially”. But they probably haven’t thought about what an exponent is.
John Searle

Septemberabend; traurig tönen die dunklen Rufe der Hirten
Durch das dämmernde Dorf; Feuer sprüht in der Schmiede.
Georg Trakl

I’ve experimented ad nauseam to find the right tone.
Steve Vai

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Há cerca de dez anos, enquanto escrevia este artigo (pp. 97-108), um caso muito concreto que bem lá no fundo me incomodava, no meio do pandemónio geral da aniquilação da letra ‘c’ nas palavras terminadas em -acção, era o processo sofrido pela palavra interacção, em interacçãointeracçãointeração. Porquê? Por causa da existência da palavra iteração. Por exemplo, a iteração do PPC ou a iteração de que vive a “poeticidade minimalista de Trakl“. Convém lembrar que entre os negociadores do AO90 se encontravam professores de Linguística e professores de Literatura (embora alguns com funções meramente administrativas, como a de “difundir o texto“). Ou seja, num caso e no outro, indivíduos cientes quer da existência quer do significado da palavra iteração.

Efectivamente, depois do AO90, temos duas palavras (interação e iteração) reduzidas à distância entre uma vogal oral e uma vogal nasal. Com efeito, sem AO90, a quantidade de distâncias entre iteração e interacção era maior: à da entre vogal oral e vogal nasal, acrescentava-se a da entre vogal oral central média baixa [ɐ] e vogal oral central baixa [a]. É sabido que interação mais não pode ser do que uma espécie de repetição ainda mais nasal, ou seja, uma iteração com monotongo inicial nasal (o ditongo nasal final, note-se, embora sem grande relevância para este ensaio, é comum a todas estas formas).

Há dias, recebi esta mensagem no telemóvel português: [Read more…]

Uma selecção

feita pela Rádio Renascença do encontro entre António de Castro Caeiro e Frederico Lourenço.

Um cacilheiro em Veneza II

cacilheiro II

Pavilhão de Portugal, Bienal de Veneza 2013 (http://bit.ly/11bu6yt)

Ainda estou a recuperar da machadada final  — golpe desferido sem dó, nem piedade — e da mágoa de não ter conseguido ver em directo aquilo que queria. Em diferido verei.

A propósito, quando leio ‘Taxing the rich’, lembro-me não só dos Aerosmith, mas também desta excelente versão e desta obra de arte.

Quanto aos Aerosmith da retentiva (sim, da retentiva) e para que não haja dúvidas, Krugman já esclareceu não se tratar nem de inveja, nem de desejo/vontade/intenção de castigar os ricos, apenas o reconhecimento da necessidade de o equilíbrio ser atingido através de compensações. Creio que se trata de algo tão elementar, como saber-se que atirar gente para o desemprego não é solução, antes pelo contrário: mas há quem discorde.

E, claro, desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Ao contrário de Veneza, mesmo sem o cacilheiro, o fim-de-semana sem hífenes (*fim de semana) não tem nem lógica, nem piada.

Inutilidades

Hoje, ao ler o Aventar, lembrei-me de Caeiro e de Pratt.

A utilidade, a empregabilidade, em determinadas áreas é uma questão que não faz sentido: qual é a utilidade da Música, da Matemática pura, dos Estudos Clássicos que destruíram em Portugal, e da Filosofia, que quiseram destruir mas não conseguiram? São coisas que têm a ver com o exercício da liberdade humana. Para mim, a ideia do livro nunca foi a ideia do útil, mas sim a do imprescindível, do amigo. Perguntar para que serve a Filosofia é o mesmo que perguntar para que serve um amigo: para tudo e para nada.

            – António de Castro Caeiro

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