Louise Bourgeois: A Senhora das Aranhas Gigantes

Robert Mapplethorpe, Louise Bourgeois, 1982

Só hoje soube da morte de Louise Bourgeois. O primeiro contacto que tive com a sua obra ocorreu por volta de 1990, em Zurique. Tratava-se de uma exposição de desenhos, muito simples, quase infantis. Levei muito tempo a digerir esses desenhos, talvez mais do que ela gostaria, se nos guiarmos por estas suas palavras: “Se a obra de arte não toca o espectador é porque falhei.”

A verdade é que me tocou e, mais tarde, quando conheci algumas das suas esculturas, tocou-me ainda mais profundamente. As aranhas, os falos, as mãos , os pés, os membros amputados ou a nascerem das próprias esculturas, as teias.

Faltou-lhe pouco mais do que um ano para completar um século de vida. A julgar pela obra que deixa, parece ter vivido mais.

Louise Bourgeois, Maman