Guerra Fria 2.0

Pode ser uma imagem de o salão oval

Regressamos a um passado de má memória em que duas superpotências ombreiam numa nova corrida. A falta de melhor termo, vou referir-me a ela como A Nova Guerra Fria.
A diferença – uma delas – está nos protagonistas, com os EUA na figura do incumbente hegemónico, ao passo que a China assume agora a posição que outrora pertenceu à (felizmente!) extinta URSS. E, convenhamos, mal por mal, Xi Jinping não é tão monstruoso como Estaline. O que não faz dele um tipo frequentável.
Outra diferença está na corrida. Esta não é uma simples corrida ao armamento. É à tecnologia, à robótica e, claro, em busca da supremacia no culto messiânico dos nossos tempos: a inteligência artificial. Bem vistas as coisas, acaba por ir dar ao armamento também. E à vigilância. E a supressão de direitos. Tudo aquilo que temos direito.

Uma curiosidade: Pequim é, por estes dias, o centro mundial das relações internacionais. Num dia recebe Trump, no outro Putin. Até a líder do Kuomintang, Cheng Li-wun, passou por lá há dias. Segue-se o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que tem actuado como mediador diplomático do conflito no Irão. Mark Carney esteve lá. Keir Starmer também. E Macron. E Sanchéz. E Merz. Não se vê este frenesim na Casa Branca, que de resto passa os dias a fazer publicações tão surreais que parece ter as redes geridas pelo The Onion.
A corrida prossegue. Os americanos parecem liderar na IA, os chineses na robótica. Nunca saberemos ao certo, até pela opacidade do regime chinês. Mas a transparência americana não inspira. Não inspira pela natureza errática de Trump, não inspira pela mutação dos tech bros, que trocaram os arco-íris woke pela metrossexualidade da manosfera, e não inspira porque nos esperam obscenidades a vários níveis, a começar pela disrupção no mercado de trabalho, passando pelo aumento da vigilância e indo terminar numa desigualdade gritante e sem precedentes na história do pós-2GM.
A corrida será, no mínimo, tão distópica como a anterior. Com uma desvantagem: os EUA já não querem conquistar o nosso coração. Querem destruir as nossas instituições, o modelo social europeu e todas as pontes que construímos ao longo dos últimos 80 anos. E transformar a Europa numa extensão da oligarquia corrupta que tudo tem feito para abafar os ficheiros Epstein. Não esquecer que Ventura é um peão no grande xadrez desta gente. Um cheerleader incansável, a agitar os seus pompons em apoio desta oligarquia corrupta que esconde os crimes do maior pedófilo do século.

Comments

  1. War is coming, goodluck

  2. Eram, tempos terríveis!, em que havia declarações de independência, diálogo entre rivais, os genocídios, assassinatos, raptos, ou pirataria eram vistos como coisas más, a especulação tinha regras, e a vida de quem trabalha melhorava porque não tinha que pagar crises sucessivas. Têm que ser, senão o conluio cada vez maior com a América, independentemente da equipa, deixava de fazer sentido. Há que sancionar todos os seus alvos até ser irrelevante, a bem do virtue signalling.

    Falta outra diferença: o lado da “civilização” já nem armamento consegue construir sem precisar do lado dos “bárbaros”, muito menos de investir para que seja diferente, e a eficácia e quantidade é cada vez mais problemática.

  3. Realmente, os tempos da União Soviética foram tempos tenebrosos, até para a investigação científica.
    Como seria possível nesses tempos obscuros impedir cidadãos de ir trabalhar se não dessem um injeção de um medicamento envolvendo uma tecnologia inovadora nunca antes utilizada em vacinas?
    Como seria possível impedir essa gente negacionista, obscurantista, de frequentar um café, um restaurante, um cinema, um teatro, viajar e até abastecer o carro?
    Como seria possível condenar a mais de uma década de cadeia um cidadão por não se ter ido vacinar e alegadamente ter contagiado um vacinado que morreu?
    Como seria possível ameaçar idosos com muitas de mil euros ao dia se não aceitassem continuar a ser cobaias?
    Todas estas barbaridades aconteceram um pouco por toda a Europa.
    Foi na Alemanha, que nunca foi desnazificada que aconteceram o maior número de atrocidades incluindo apanhar cadeia por contágio.
    E ainda podemos agradecer ao odiado Putin pois que assim que começou a guerra na Ucrânia deixou de se falar disso.
    Achas mesmo que no tempo da União Soviética seria possível fazerem nos essas aleivosias todas?
    Afinal lá e que não havia liberdade e davam injeções aos velhos.
    Em resumo, não seria possível transformar toda a população da Europa Ocidental e Estados Unidos em cobaia usando chantagens terríveis.
    Nos Estados Unidos mais de 100 mil funcionários públicos viram a porta da rua, nos privados ninguém sabe.
    Pois aqui até crianças de seis anos levaram com a ripa, com consequências nefastas para a saúde de muitos.
    Aquela porcaria correu te bem, Mendes?

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