Coisas da Cultura

Gustavo Peixoto*

Testemunhei hoje uma cena absolutamente hilariante no Museu de Serralves, onde está patente a exposição de Robert Mapplethorpe, tão falada nos últimos dias.

Observando atentamente, numa sala especial da exposição, uma das fotografias mais polémicas do fotógrafo, onde têm especial destaque um dos orifícios excretores do corpo humano e a parte do braço que vai do punho ao cotovelo, estavam dois indivíduos adultos, caucasianos, de estatura média, sendo que um era um homem que aparentava ter trinta e poucos anos, e o outro uma mulher na casa dos quarenta.

A dada altura, o indivíduo do sexo masculino interrompeu a observação silenciosa e atenta do truque contorcionista retratado na fotografia do artista e dirigiu-se, nos seguintes termos, ao indivíduo do sexo feminino que estava ao seu lado, absorto também na profunda maravilha da imagem:

“- Fazia-te umas cuecas de cuspo.”

A senhora chamou a polícia e fez queixa do ordinário, evocando o Artigo 170º do Código Penal, cuja recente alteração veio criminalizar o piropo.

*Curador

Câmara Clara

Não seria de espantar se um dia chegássemos à conclusão evidente de que a grande maioria das pessoas que temos ouvido opinar sobre a “questão Mapplethorpe” ouviu pela primeira vez falar do artista há quinze dias.

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Rosie

Rosie é o nome da criança de 3 anos que o “artista” Robert Mapplethorp fotografou de modo criminoso, abjecto e revoltante. Não será aqui reproduzido esse opróbio.
A questão não está em saber o motivo pelo qual o director do Museu de Serralves se demitiu. A questão está em saber por que foi admitido.

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