Eufemismos

No alinhamento de um Portugal novo-rico, eduquês e politicamente-correcto, tem vindo a intensificar-se o uso do língua  portuguesa suave, do português eufemístico.

Por exemplo, no meu tempo chamava-se “drogado” a alguém que consumia drogas; o atributo concordava com a acção. Os drogados agora são “toxicodependentes”.

No meu tempo, um cigano era um cigano. Agora são “elementos de etnia cigana”. Um bêbedo era um bêbado, agora é um doente alcoólico. Quem viajava de comboio era passageiro, agora é cliente. Os trabalhadores eram trabalhadores, agora são colaboradores (mesmo os que só empecilham). O carteiro era o carteiro, agora é agente de distribuição postal. Um assassino era um assassino, agora é um homicida.

E, ainda no meu tempo, quem roubava era ladrão. Roubar dizia-se roubar. Agora diz-se tomar posse.