«experiência, capacidade, carisma e sentido de Estado não lhe faltam»

Contudo, falta-lhe o mais importante. Falta-lhe saber que “agora facto” NÃO “é igual a fato (de roupa)”.

Pelo fato

Well, I miss, really, silly things about Manchester. I miss the kind of things that nobody would understand why they could be missed, I miss the grey slate of the sky. And I miss silly things about Manchester people.  But you’re Southern, you wouldn’t understand. When you’re Northern, you’re Northern for ever and you’re instilled with a certain feel for life that you can’t get rid of.
Steven Morrissey

***

Pelo fato de quê? Tendes de ler no sítio do costume. Quando? Desde Janeiro de 2012.

***

Efectivamente, um cê dá muito jeito e faz imensa falta

–Looka there… They don’t care…
Frank Zappa

Me and Tim Ford stole a car once in San Bernardino. One of those early Austin Healeys with red leather tuck and roll and wire wheels.
Sam Shepard

L’arc aboli de tristesse élancée
Dans une lutte imperceptible, ultime
Se raffermit conjointement, minime ;
Les dés sont à demi lancés.
Michel Houellebecq

***

Exactamente.

Embora, como sabemos, haja quem não saiba.

Apresentada mais uma excelente recaída do Expresso, resta-me desejar-vos a continuação de uma óptima semana.

***

A doutrina Santana Lopes continua a dar os seus frutos

é preciso o fato
Mário Cesariny

***

É verdade que é importante estar atento à cruzada do Governo de Portugal e da Câmara Municipal de Lisboa, em nome do reforço da língua inglesa como língua de comunicação internacional. Todavia devemos continuar a prestar atenção a outros assuntos importantes, como o “agora facto é igual a fato (de roupa)” de Santana Lopes, que continua na ordem do dia no sítio do costume.

Exactamente. Efectivamente.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O Júri pode exigir o quê?

They are dumb proposals.
Frank Zappa

***

O novo ano lectivo começa na próxima semana. Felizmente, como nos garantiram há uns anos, a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 corre sobre rodas.

***

Nótula sobre o estado actual da relação entre o Governo da República Portuguesa e a língua portuguesa

I don’t know why.
— Kurt Cobain, “Stay Away

Se me não ponho a milhas lixo-me: não fica aqui
mais ninguém senão eu.
— António Lobo Antunes, “Memória de Elefante

***

O Governo gosta de mandar na forma como grafamos as palavras. E, só para não abdicar desse imenso e intenso prazer, até ignora pareceres de quem, ao contrário dele, percebe da poda. Outros, mais pequenos, mas com poder, são extremamente afoitos e, embora não saibam que uma rosa pegada pelos espinhos não é bem a mesma coisa que um touro pegado pelos cornos, mostram sem medo o mesmo apetite voraz dos muito poderosos pelo policiamento dos hábitos linguísticos dos falantes. Ia rematar este longo parágrafo com um breve comentário sobre o Manifesto 2014, mas convém que não nos desviemos ainda mais do assunto.

Em matéria linguística, o Governo lá vai andando, tem-te-não-caias, rumo a lugar nenhum. Por um lado, manda-nos grafar para em vez de pára, ação em vez de acção, maio em vez de Maio, diapnoico em vez de diapnóico, etc., tudo em nome do reforço do “papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional“. Por outro lado, o Governo manda-nos descarregar uma aplicação portuguesa com nome em língua inglesa (StayAway Covid). Provavelmente, o Governo da República Portuguesa prefere reforçar o papel da língua inglesa como língua de comunicação internacional. Assim sendo, há esclarecimentos a prestar.

Convém lembrarmo-nos deste triste episódio, quando membros do Governo voltarem a defender o Acordo Ortográfico de 1990.

Nótula: Luiz Fagundes Duarte dá-nos algumas ideias para pormos o vírus a léguas em português — e alguns dos comentadores têm feito aditamentos. A lista vai longa. Até agora, todas as propostas são melhores do que a promovida pelo Governo.

***

Nas Regiões Autónomas e na Infopédia também há “contatos”

Lisboa é Portugal, mas o resto não é paisagem. O país, tirante a capital, não é apenas uma cara bonita que Lisboa pode apresentar ao parceiro de negócios estrangeiro. O resto do país tem, igualmente, direito a “contatos”, também por não ser menos que a Eleven Sports.

As Regiões Autónomas fazem parte do resto do país, porque a autonomia não é à vontadinha. Como a globalização é grande e o acordo ortográfico é o seu pastor, os “contatos” já chegaram aos Açores e à Madeira. Sim, podemos dizer, em termos ortográficos, que já chegámos à Madeira ou que isto é a casa da Mãe Joana.

Nos Açores, o gabinete da Vice-Presidência do Governo dos Açores usa duas vezes “contatos”. O gabinete do Presidente, por sua vez, tem “contactos”, mas é mesmo assim que deve ser, porque a ortografia medieval é variegada e, portanto, avariada.

Na belíssima página Visit Madeira, da responsabilidade da Direcção Regional do Turismo, também há – todos juntos, agora! – “contatos”!

As imagens que provam a existência dos “contatos” insulares vêm mais abaixo. Não é preciso agradecer, é para isso que cá estamos.

O jovem português em idade de formação poderá ficar com a impressão de que se pode escrever das duas maneiras ou poderá optar pela que está errada, mesmo sendo difícil saber qual é que está certa. O estrangeiro desejoso de aprender a escrever a nossa língua tem à sua disposição uma grafia dupla, mas poderá escolher a que mais lhe agradar, porque, com o AO90, há liberdade, mesmo que não haja ortografia. [Read more…]

Rui Gomes da Silva lança o quê?

If collectors who don’t play guitars didn’t buy them, their value would be based on what players feel they’re worth. But when the people who would really use them don’t get the chance, it’s a real shame.
John Frusciante

***

A situação é grave e os responsáveis, depois de terem ignorado os avisos, encolhem agora os ombros perante o desastre.

Depois dos contatos de ontem e do reto de hoje, de facto, não há condições.

Vou de férias.

Até breve.

Actualização (16h56 de Bruxelas): O reto já tem pê.  E o abruto também. Mas o que causa os retos e os abrutos mantém-se. Não vamos lá com cirurgia estética.

***

A Eleven Sports tem “contatos”

Na página da Eleven Sports aparece a grafia “Contatos”, como se pode verificar pela imagem e como poderá verificar qualquer internauta mais corajoso, se se abalançar por esses mares ortograficamente tormentosos do mundo virtual.

Sendo uma página dedicada ao desporto-rei, os visitantes serão mais do que as mães, tendo muitos deles interiorizado uma grafia que tem alternado nos últimos anos com “contactos”. Foram muitos os avisos para a queda de consoantes articuladas por influência visual da queda de consoantes mudas e necessárias (que a mudez não é razão suficiente para se descartar pessoas ou consoantes). A culpa é de quem impôs um alegado acordo alegadamente ortográfico.

A Eleven Sports surgiu num momento em que Portugal deixou de ter uma ortografia para ter apenas escrita, porque Portugal, neste assunto, não é um país, é um lugar mal  governado.

«Porto vai celebrar o verão com música ao ar livre nos Jardins do Palácio»

Aguarda-se informação acerca dos festejos de verei, verás, verá, veremos e vereis. Exactamente.

Viagem ortográfica à Idade Média

Nas escolas, está afixado o documento que podeis ver na fotografia, com a tripla chancela da República Portuguesa, do Serviço Nacional de Saúde e da Direcção-Geral de Saúde.

Nesse mesmo documento, ao alcance de milhares de alunos, podemos ver que a mesma palavra, ao que tudo indica, surge grafada de duas maneiras diferentes: “antissética” e “anti-séptica”.

Nos documentos emanados das chancelarias medievais, também era possível assistir a este fenómeno das duplas grafias, numa época em que a ortografia era, tal como hoje, uma utopia, ou seja, um não-lugar, uma inexistência. [Read more…]

Factura rima com

contractura. Contratura rima com magistratura.

A dimensão do contato

This is not a playable instrument.
Flea

***

Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 não funciona. Se ainda houver dúvidas, o Diário da República esclarece-as. Para uma visão pormenorizada do assunto, podeis recorrer à etiqueta sítio do costume.

Com votos de um óptimo fim-de-semana, eis o pano de fundo musical dos últimos dias, distinguindo-se um toque de deliciosa assimilação progressiva no primeiro verso:

Ainda há (pelo menos) seis dúvidas no Orçamento Suplementar

Efectivamente, há (pelo menos) seis (cinco mais uma) e não (pelo menos) cinco.

Nuno Santos tentou fazer uma recepção

Levantávamos a cabeça e tínhamos jogadores a voar por todo o lado
Aimar, o Poeta

Eddie, I spilled some coffee in the kitchen. I’m sorry. I’m apologizing now.
Chris Cornell

***

Ao contrário do que se depreende das deturpações feitas pelo jornal A Bola, o futebolista Nuno Santos não se referiu nem a receção, nem a janeiro. Aquilo que este magnífico jogador, campeão pelo FC Porto e pelo maravilhoso Benfica, escreveu há dias na sua conta do Instagram foi o seguinte:

Grafias impecáveis: não há reparos a fazer. Nuno Santos, segundo sei, não pratica profissionalmente o acto de escrever. Nuno Santos ganha a vida a dar pontapés e cabeçadas numa bola. Mesmo assim, como se viu, escreve bem.

Todavia, ao lerem estes disparates, escritos por quem é pago para escrever e transcrever,

os leitores do jornal A Bola ficarão a julgar que o jogador Nuno Santos trata o portuguez lingua escripta como ele é tratado no jornal A Bola: ao pontapé e à cabeçada (o Estebes diria “à cabeçada e ao pontapé”). Já sabemos que A Bola preferiu comer e calar, em vez de colaborar no desenvolvimento de uma sociedade livre e moderna. Mas nós não temos culpa das altamente duvidosas opções cívicas da direcção do jornal A Bola. Além disso, esta mania de andarem por aí a deturpar a óptima grafia dos outros, francamente, é inadmissível. Obviamente, Nuno Santos está à espera de um pedido formal de desculpas do jornal A Bola.

Nótula: Um grande abraço ao excelente leitor do costume.

***

Vejo imensa gente preocupada por António Costa ter dito que os vírus se combatem com

antibióticos. Vejo muito pouca gente preocupada por Santana Lopes ter escrito que “agora facto é igual a fato (de roupa)“.

Supremo confirma multa ao FC Porto por comportamentos correctos de adeptos?

Segundo o Record, houve “comportamentos incorretos”. Ora, como sabemos, correto não é correcto. Logo, um comportamento incorreto é correcto.

João Cotrim Figueiredo tem razão

Efectivamente, embora por outras razões, o OE suplementar é “complicado, incoerente e opaco”.

O Orçamento Suplementar para 2020 é uma treta

Europe has now become the world’s beating heart of solidarity.
Ursula von der Leyen

Wir haben jetzt angeboten, daß 1000 freie… freiberufliche Interpreten
Florika Fink-Hooijer

***

Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA [https://bit.ly/2CrHxJP]

De saída do Governo, não satisfeito com um OE2020 que é uma mentira e uma vergonha, Centeno anexou-lhe um Orçamento Suplementar que é uma treta. Este Orçamento Suplementar da treta, aprovado anteontem, foi apresentado pelo estreante ministro João Leão. O PS votou a favor e fez mal. O PSD, o BE, o PCP, os Verdes, o PAN e Joacine Katar Moreira abstiveram-se e fizeram mal. O CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal votaram bem, mas infelizmente não foi pelas melhores razões ortográficas. Efectivamente, o pacote anteontem aprovado faz jus ao caos orçamental iniciado com o OE2012, provocado por gente deslumbrada com a RCM n.º 8/2011 que o Governo decidu mandar pôr em cima de uma oliveira, para gáudio dos crentes.

Aquilo que anteontem se aprovou na Assembleia da República foi uma proposta (pdf), onde se refere, por exemplo:

  • respetivo sector de atividade” (p. 35);
  • “entidades do sector público” (p. 38);
  • “solidariedade sobre o setor bancário” (p. 41);
  • “suportada pelo setor financeiro à que onera os demais setores” (p. 41);
  • “passivos por ativos não desreconhecidos em operações de titularização” (p. 43);
  • “Ambiente e Ação Climática” (p. 28).

A proposta traz com ela mapas (pdf), nos quais encontramos “RESPECTIVOS SERVIÇOS SOCIAIS” (p. 2).

Além disso, temos o sempre esclarecedor relatório (pdf), no qual podemos rever estas deliciosas e correctíssimas grafias:

  • acção social” (p. 10);
  • activos financeiros (excepto privatizações)” (p. 14).

O pacote anteontem aprovado é uma enjoativa salada orçamental suplementar e deveria fazer corar de vergonha quem a aprovou e quem com ela é conivente.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

No jornal A Bola, escreve-se à bruta

EVH. Now, we had an eleven-point deal and three points went to Ted, our producer.
DLR. Ted still makes more money than I do on those first two records.
EVH. Oh yeah, he makes more than all of us.
AVH. But he’s still Ted.
— VH (2012)

***

Ia aproveitar o serão para escrever umas notas sobre este diálogo entre Steve Jones e Kim Thayil:

Steve Jones. … and we’re here with Kim /feɪl/ — am I saying that right?
Kim Thayil. Yeah, pretty much.
Steve Jones. OK. How would you say it?
Kim Thayil. /θʌɪl/.
Steve Jones./fʌɪl/!
Kim Thayil. /θʌɪl/.
Steve Jones. Like a file [fʌɪl].
Kim Thayil. No. Thayil rhymes with ‘smile’, I suppose. TH. I’m sure my family pronounces it incorrectly, I’m sure there is a traditional Indian pronunciation.

Todavia, as minhas voltas foram trocadas pelo jornal que gosta de resistir em silêncio e ceder, em vez de viver plenamente uma vida democrática.

Efectivamente, em vez de me debruçar sobre o interessantíssimo TH-fronting, vi-me obrigado a perder tempo com um título escrito à bruta.

***

Walcott para quatro semanas?

Claro que não. Walcott pára quatro semanas. Efectivamente, A Bola não adopta o AO90.

Preconceito e racismo, diz ela

[João Roque Dias]

Hoje, volto ao embuste de continuar a haver gente que acha que português e brasileiro são a mesma língua. Este achismo tem uma explicação simples: os achistas deste achismo acham que sim, porque sim. A apoiar o seu achismo, os achistas apresentam um argumento que tem, contudo, algo de verdade: como há ainda muitas parecenças entre o português e o brasileiro, os achistas ficam-se por aqui e acham que sim, que as parecenças são suficientes para acharem que têm razão. Quanto ao facto de uma e outra língua não servir para comunicação – natural e pronta, como devem ser as línguas – fora do seu espaço original, os achistas fazem de conta que não é verdade. Mas é! E quanto mais a língua, uma e outra, serve para comunicação especializada, mais verdade é. Como vamos ver, os achistas continuam a achar que não é, e acham que resolvem o problema com “glossários”.

E hoje, o embuste vem até profusamente ilustrado por uma achista com doutoramento e tudo, Margarita Correia. Conta ela, hoje, 9 de Junho de 2020, no Diário de Notícias (“E por falar em racismo…”), o seu encontro com uma brasileira, a Juliana, e as vicissitudes desta com a língua que, como ainda tem parecenças com a sua, ela achou até que era a mesma. E mais. Achou até que podia usar livremente, e com proveito, a sua língua (numa espécie de salvo-conduto), em Portugal. E foi a realidade, que é teimosa, que se encarregou de lhe demonstrar quão errado, e perigoso, é insistir neste achismo: [Read more…]

O confinamento voluntário do poder político português

O que quer que aconteça na vida não se reduz nunca ao facto do seu acontecer.
— António de Castro Caeiro, ‘Epidemia’ e ‘pandemia’: manifestações de totalidade (pdf)

I believe it was inevitable
VH

nothing but an ego[‘s]-trip, yeah!
Bach

***

Em primeiro lugar, esta comparação entre Cristiano Ronaldo e o ministro das Finanças — seja ele Centeno, seja ele Leão, seja ela Alburquerque ou seja ele Gaspar — é inadmissível e ridícula. A culpa inicial é de Schäuble, sim, mas não vale a pena perpetuar o delírio: já chegam as vaidades patrocinadas pelo Expresso. Estou de acordo com Tennessee Williams, não nos devemos intrometer nas vaidades dos homens — embora o maravilhoso dramaturgo só tenha chegado a esta conclusão depois de satisfeito com a tareia dada à ego-trip de Menotti. No entanto, a vaidade de um maestro ainda é como o outro: mas um ministro, efectivamente, não é um maestro.

Passando àquilo que interessa, sabemos que é inevitável. Abre-se o Diário da República e… ei-los.

Continuai no vosso confinamento voluntário, encolhei os ombros, assobiai para o ar, tapai o sol com a peneira, escrevei Orçamentos do Estado vergonhosos, dai-nos música sobre a língua, blá, blá, blá, e, principalmente, mantei-vos no vosso buraquinho, muito escondidinhos, bem distantes da realidade, para que o vosso faz-de-conta tenha um ar bastante sincero.

***

Nótula: Segue-se um desabafo em forma de nótula, com reactivação dos primeiros apontamentos para este meu texto publicado na Torpor. Por mero acaso, tropecei neste debate entre Jack Lang e Éric Zemmour. Estava tudo a correr relativamente bem, até aparecer a história do pai de Zemmour. Enquanto os intelectuais que se pronunciam sobre tradução se mantiverem preguiçosamente encostados ao bordão do traduttore tradittore, continuaremos a assistir a debates vazios, travados por quem insiste em discutir pela rama assuntos efectivamente sérios. Como podereis reparar, o “traduire, c’est trahir” de Zemmour é acompanhado por aquela expressão corporal do “não se fala mais sobre o assunto“. Como diria Finkielkraut, “cette arrogance est absolument insupportable”. Quando políticos discutem língua, já se sabe que há despistes, mas, francamente, “idiot utile” (ou “inutile”, vai dar ao mesmo) não se admite e a réplica “idiot calculé“, passados uns dias, é igualmente inaceitável.

***

A GNR chama a atenção para a *contrafação

E o que é a *contrafação? É a contrafacção contrafeita.

A sessão ortográfica

It was a new breed of men, created by the Renaissance cult of the individual, who embarked on these hazardous voyages of exploration.
Gustav Jahoda

You’re perfect, yes, it’s true.
Mike Patton

***

Já aqui se reconheceu a vantagem de sexão em relação a secção, por não haver cê à mão de semear para suprimir. Ou seja, enquanto secção é uma presa fácil, sexão é uma grafia à prova de bala. Há uns anos, secção começou a transformar-se em seção na consciência grafémica de determinados escreventes e chegámos ao ponto de sessão. De facto, no caso aqui apreciado, a doutrina alternativa de 1990 — a do n’importe quoi, estimulada por pérolas como “agora facto é igual a fato (de roupa)” ou “se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’” — dividir-se-á entre duas interpretações extremamente sofisticadas: por um lado, a sexão de voto e, por outro, a sessão de voto.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2), cf. Aventar, 26/5/2019 (https://aventar.eu/2019/05/26/sexao-seccao-secao/)

Tudo começou a descambar [Read more…]

O fim-de-semana da RTP

No outro dia, a RTP enganou-nos, dizendo que a semana de calor estava a acabar.

Hoje, a RTP recuperou a forma ortográfica clara.

Todavia, pouco depois, sabe-se lá porquê, a RTP arrependeu-se.

Dizem por aí que está tudo bem.

É provável.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

O tom de Trump

Novoselic escreve direct, mas a Blitz traduz direto. Como diria Cobain, “I don’t know why“. É directo. Lembrai-vos dos One *Diretion.

«BCE faz teste de stress a maiores bancos para quantificar impatos da pandemia»

Nuno Pacheco denunciou estes *impatos do Expresso. Impatos? Do professor Expresso? Efectivamente: impatos da pandemia.

«Kestão ou cuestão, eis a questão»

Por Eduardo Affonso.

O problema n.º 4 só aparece daqui a uns meses

Tende paciência. Entretanto, ide-vos entretendo com o problema n.º 1, o problema n.º 2 e o problema n.º 3.