Modus operandi

Nada pior para um país que ser governado por um trafulha, hoje a contas com a Justiça, ao qual sucede um governo que não cumpre promessas eleitorais, para acabar governado, pelo menos a acreditar nas sondagens, por um grupo de trambiqueiros… A comprovar-se que as pessoas não deram autorização para a utilização de imagem nem foram pagas nos seus direitos, é grave, vergonhoso, mas não é de estranhar. Ainda recordo a noite em que o provável futuro Primeiro-Ministro de Portugal foi eleito Presidente da C.M.L., com o entusiástico apoio de apoiantes do… Alandroal. Esta gente não aprende, nem tem emenda!
Mentira

Sobre as propostas do PS

Programas eleitorais não são para levar totalmente a sério, uma vez que a experiência demonstra que os partidos avançam com promessas em tempo de campanha e posteriormente, quando eleitos apresentam um rol de desculpas, que a situação é pior do que esperavam, etc, pretextos para desculpabilizar o não cumprimento das propostas apresentadas ao eleitorado. Em matéria de vigarice ninguém leva a palma ao PSD, partido em que deixei de votar quando o cherne de má memória deixou cair o choque fiscal. Mas o passado do PS nesta matéria também não é brilhante.

Olhando para as medidas que o PS lança para discussão pública, verdade que ainda não é um programa eleitoral fechado, a questão da TSU é disso exemplo, avanços e recuos fazem lembrar os tempos da picareta falante, quando se prometia tudo para todos. Há no entanto algumas aspectos muito positivos que quero aqui realçar, o mais importante será a necessidade de 2/3 para adjudicar grandes obras públicas. Ninguém de bom senso poderá discordar, excepto talvez alguns políticos, construtoras e escritórios de advogados. Difícil será cumprir, pois terá muito provavelmente que ser matéria de revisão constitucional. Concordo também com o princípio do imposto negativo, mas não compreendo a sua implementação mantendo a existência do salário mínimo. Vou esperar para ver em detalhe essa medida. O bizarro parece ser a ideia da reabilitação urbana à custa da Segurança Social. Discordo totalmente do aumento da progressividade no IRS, que provavelmente complicará o sistema introduzindo mais escalões e alterará as deduções. Quanto mais simples, menos escalões, deduções e alterações melhor funcionará e fica compreensível ao cidadão. Mas a cada governo eleito, correspondem alterações e mesmo durante uma legislatura as mudanças são constantes…

Globalmente não me parece assim tão mau, pior é mesmo é ver alguns figurões junto do candidato a primeiro-ministro, quanto à credibilidade, direi que estará próxima da que elegeu Passos Coelho em 2011. Esperava pior do PS, mas veremos a prática, sem expectativas que Portugal possa mudar de vida, qualquer que seja o resultado eleitoral…