Brexit

É claro que quase ninguém conhece antecipadamente o resultado de uma votação. Mas mais claro ainda é que jamais, em circunstância alguma, o Império Britânico decidiria por referendo qualquer questão política determinante para a sua própria estabilidade.

Um super-Estado sem rosto chamado Europa

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«A Europa está a transformar-se num continente anti-democrático onde a força conta mais que a lei»

«Na actual arquitectura do poder em Bruxelas, apenas as empresas com implantação global e os lobbies das indústrias multinacionais parecem deter influência. Para os negócios, isso significa que é quase impossível negociar com a Europa, a não ser que o negócio tenha uma mega-dimensão ou haja a intenção de dissolver interesses específicos na agenda de um determinado sector de actividade – negócio que, entretanto, será mediado através de sequências de camadas protocolares. Mas para os cidadãos individualmente considerados é pior ainda. O único poder real de influenciar as enormes estruturas burocráticas da Europa tem de ser expresso através de um de dois canais: o Governo britânico e o Tribunal Europeu. A Comissão não responde perante o Parlamento e o Banco Central apenas parece responder a Angela Merkel. (…) Este problema de poder é de tal ordem que ambos os lados no referendo têm interesse em ignorá-lo. Mesmo saindo o Reino Unido da UE, continuará a ser também um problema britânico que o desequilíbrio de poder entre os povos e as instituições no interior da UE se mantenha. A facção pró-UE parece disposta a tolerá-lo, permitindo que gerações e gerações de europeus venham a viver numa semi-democracia. O verdadeiro poder, entretanto, está nas mãos das grandes empresas, dos bancos e das elites.» [Paul Mason no The Guardian]

Paul Mason é o Editor de Economia do Channel 4 News