E a Espanha ali ao lado


E entanto, Espanha, mais quente do Portugal, arde menos.
Adenda: parece que a informação divulgada pelo jornal i, aqui citado, não está correcta.

Helmut Kohl, 1930-2017

Caro Helmut Kohl,

Obrigada,

Uma Cidadã Europeia.

Um banho de realidade

Temos novos santos, temos velhos santos e até heróis verdadeiros. Somos imensamente bons, vivemos num país belíssimo, seguro o bastante (até ver) e, numa escala apreciável, materialmente (estou a ser benévolo) indigente.

Efectivamente, de acordo com os últimos dados do INE, mais de 25% da população residente em Portugal no ano de 2016 – cerca de 2,6 milhões de pessoas – estava em risco de pobreza ou de exclusão social.

Para a aferição deste risco definiu-se, no âmbito da estratégia económica de crescimento (estratégia Europa 2020), um indicador relativo à população em risco de pobreza ou exclusão social que conjuga os conceitos de risco de pobreza relativa – pessoas com rendimentos anuais por adulto inferior ao limiar de pobreza – e de privação material severa, com o conceito de intensidade laboral per capita muito reduzida.

Considera-se no limiar da pobreza o cidadão europeu que não obtenha 60% do rendimento médio por adulto equivalente no seu país, correspondendo a proporção dos que não atingem esse limiar à taxa de risco de pobreza.

Sem querer retomar agora a discussão sobre se é legítimo padronizar desta forma a pobreza, introduzindo uma medida da qualidade de vida das pessoas que não leva em devida conta o custo de vida de cada país – uma vez que o rendimento médio pode, como sucede em Portugal, indiciar já a carência dos recursos financeiros necessários para assegurar aquela qualidade de vida, visto ser muito inferior ao rendimento médio, não dos países mais ricos da Europa, mas da média dos países da UE a 28 -, o facto é que mesmo os dados assim obtidos são de tal modo graves e socialmente insuportáveis que não podem deixar de requerer uma permanente e consequente mobilização política e social contra a pobreza.

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Elegia a Stefan Zweig

stefan-zweig-cafe

No final do Grand Budapest Hotel, o narrador diz a propósito do protagonista, Monsieur Gustave, o concierge do hotel: I think his world had vanished long before he ever entered it. But I will say, he certainly sustained the illusion with a marvelous grace.

Stefan Zweig, cujos livros inspiraram o filme de Wes Anderson, também sustentou diversas ilusões com uma extraordinária graciosidade. O filme de Maria Schrader Vor der Morgenröte ou em Francês, Adieu l’Europe, pretende mostrar isso. Vemos Zweig com uma educação e polidez de outra época, uma luzinha de civilização num mundo cada vez menos civilizado. O filme escolhe sublinhar este aspecto – a forma como Zweig se relacionava com os outros – em detrimento de uma reflexão mais profunda sobre o pathos que guiou os últimos anos da sua vida. Infelizmente, é precisamente por isso que o filme se torna numa banalidade.

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Leituras

the euro

Como uma moeda comum ameaça o futuro da Europa.

Ainda Soares

Faz hoje um mês que Mário Soares morreu*. Na altura não escrevi nada porque já tinha dito o suficiente mas ao longo destas semanas foram-me ocorrendo vários pensamentos não apenas sobre Mário Soares, mas também sobre uma geração de homens e mulheres políticos que estão claramente em extinção.

Seria cansativo e contraproducente falar da questão da descolonização e dos retornados. Eu conheço de muito perto esta realidade e não pretendo menorizar o drama ou o sofrimento daqueles que foram obrigados a regressar. Contudo, é evidente para qualquer pessoa que perca duas horas da sua vida a tentar ler alguma coisa sobre o assunto, que a academia – e atenção, aqui falo das ciências sociais e não da literatura – não se debruçou ainda sobre esta questão. Ou seja, em relação aos retornados (isto é um post para outra altura) é inútil dizer que são todos uns reaças de primeira água. Tal como é inútil dizer que o retorno provocou uma fricção indelével na sociedade portuguesa. Em relação à primeira afirmação, é impossível saber porque há pouquíssimos estudos sobre o fenómeno do retorno em Portugal. É consensual que o processo do retorno português foi bem-sucedido mas de resto, não se sabe a configuração social dos brancos das colónias. Não há estudos que definam com exactidão quais as diferenças entre a sociedade branca de Moçambique e aquela de Angola. Não há estudos que explicitem o posicionamento político dos portugueses das colónias, nem se havia diferenças entre aqueles que foram para lá nascendo na chamada metrópole e os que já nasceram em África.

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Uma Europa inspirada em Publius Clodius

Corria o ano de 62 a.c., mais precisamente a 1 de Maio, quando a jovem e bela Pompeia Sula organizou uma orgia báquica, exclusivamente feminina, em honra de Bona Dea, deusa da fertilidade e virgindade. Ao que consta, ainda os François Fillon desta Europa não teriam nascido, muito embora o jovem e rico Publius Clodius, tenha traído a confiança da seriíssima mulher de César, ao introduzir-se clandestinamente na festa disfarçado de tocadora de lira. Descoberto pela mãe de César, é expulso a tempo de deixar Pompeia Sula sem mácula.
pompeia-sula-1Volvidos mais de 2 milénios, François Fillon está a ser investigado pela justiça francesa para apurar se a sua mulher,  contratada pelo próprio como sua assistente no Parlamento francês, terá recebido remunerações indevidas. De imediato, tentando preservar a sua honra, o visado anuncia que, caso venha a ser constituído arguido até às presidenciais, renunciará ao seu estatuto de candidato. [Read more…]

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