Pequenas maravilhas de seis ou sete anos

Por volta dos seis ou sete anos, os rapazes são uma divertidíssima combinação de inocência e perversidade. Falam de beijos na boca, mamas e pipis, e soltam gargalhadas recém-desdentadas à conta da sua própria audácia em falar dessas coisas, para logo em seguida discutirem entre eles a natureza da Fada dos Dentes e os poderes do Homem-Aranha.

Valorizam a camaradagem entre rapazes e tratam-se pelos apelidos – o Silva, o Fonseca, o Campos – e olham para as raparigas com desconfiança e impaciência. Desprezam as brincadeiras em que elas tentam inclui-los – pais e mães, comidinhas, etc – e reduzem-nas a um invariável adjectivo: chatas.  Mas são chatas com um inegável mistério, uma fonte de atracção – a diferença – que eles suspeitam vagamente que poderá vir a ser importante.

Estes rapazes são criaturas de riso fácil: qualquer frase que inclua cocó, xixi, ranho, pilinha ou diarreia arrancará gargalhadas certas. Navegam pela internet, aceleram pelo botão scroll do rato como se tivessem nascido com ele na ponta dos dedos, mas espreitam para baixo da cama para ver se não está lá o lobisomem, tal como os seus avós poderiam ter feito. [Read more…]