Vigiar e punir

 

“O meu verdadeiro adversário é o mundo da Finança!”
François Hollande, 22 de Janeiro de 2012

Hollande viria a ser eleito Presidente da República francesa a 6 de Maio de 2012, trazendo à França, e aos povos da Europa do sul em geral, uma renovada esperança na capacidade da social-democracia, e da esquerda em particular, para fazer frente às políticas de austeridade, ultra-liberais e de predação política, económica, financeira e cultural impostas pelo directório liderado pela Alemanha e pelos famigerados e invisíveis “mercados”.

François Hollande conquistou a confiança de milhões de franceses com um discurso de esperança e uma atitude que parecia ser determinada, fazendo uma campanha eleitoral baseada no património ideológico da esquerda democrática, evocando a justiça social como principal bandeira do seu projecto político e procurando afirmar-se como um líder europeu capaz de fazer frente à vertigem egocêntrica de Angela Merkel e Wolfgang Schäuble. Sobre os ombros de Hollande e do PS francês foi colocado o peso da responsabilidade – e da esperança – não só de corrigir o rumo da França, governada há dezassete anos consecutivos por conservadores – o último socialista foi Miterrand -, mas de ajudar a reabilitar o projecto europeu, procurando recuperar princípios de solidariedade e convergência entre Estados membros, assim como os valores tradicionalmente tidos como fundadores de uma Europa unida e com um desígnio civilizacional comum. Nada disso, contudo, aconteceu.

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Um dos problemas do actual discurso político do PS

sobre o que fazer depois das Legislativas é que fala como se Portugal não integrasse a UE, nem houvesse uma negociação importantíssima por fazer: a do seu lugar na Europa dos alemães e dos ultras populistas do Norte.
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