Eu cá, Tu lá

João L. Maio

O Bloco de Esquerda já sabia, antes de sequer iniciar qualquer negociação, que o Governo iria fazer os malabarismos do costume para sair a ganhar das negociações para o Orçamento de Estado para 2021 a todo o custo. Fê-lo nos outros orçamentos e este não seria excepção. Tem por hábito o PS baralhar e dar a bel-prazer. Mas o BE não cedeu a chantagens ou a ameaças de crise política, quando a bola esteve sempre do lado do Governo.

Não nego que votar contra o OE’21 é incoerente com o caminho que vinha sendo traçado até aqui desde 2015, com altos e baixos, mas com uma solução de esquerda para Portugal. Mas ficou claro, durante estes últimos cinco anos, que só um partido ganhou com a “geringonça” e esse foi o Partido Socialista.

Depois de reveladas as posições do PCP e do PAN, e tendo quase por certo que bastarão os 108 deputados da bancada socialista e o voto a favor de uma das deputadas não-inscritas (ou do PEV) para o orçamento passar, o Governo ficou com a certeza que não precisava do BE para nada. Posição que, aliás, sempre pareceu demonstrar. A altivez com que António Costa e outros membros do PS se referem e dirigem ao BE não mostra abertura à negociação, antes uma postura autoritária baseada no “eu quero, posso e mando”. Mas, em democracia, não é assim que funciona; e o PS devia sabê-lo melhor do que ninguém. [Read more…]

Livre arbítrio e imposição coerciva: descubra as diferenças


Faz-me imensa confusão, esta comparação disparatada entre a possibilidade do governo nos enfiar uma app telefone adentro, transformando agentes de segurança em monitorizadores de telemóveis, e os dados que entregamos voluntariamente aos Facebooques da vida. Será assim tão difícil de perceber a diferença entre uma imposição coerciva e uma decisão pessoal e voluntária?

Sejamos sérios: se eu, ou qualquer um de vocês, decide entregar informação pessoal a uma plataforma digital, bem ou mal, é de uma escolha livre que se trata. Uma escolha que pode ser revertida a qualquer momento. Se um governo decide impor uma aplicação, fazendo uso de multas e de patrulhamento policial, é o espírito da democracia que está a ser posto em causa. São os nossos direitos, liberdades e garantias que estão na prancha. [Read more…]

António Costa’s Tancos-Vieira connection

António Costa foi a Tancos, pegou numa bazuca pelas orelhas e rebentou com os dois pés. O que ainda ninguém percebeu foi porquê. O que terá passado pela cabeça de Costa, a velha raposa política que sobreviveu a Sócrates para derrubar Passos com uma Geringonça, para se atirar de cabeça contra uma parede de betão? Estará a pôr-se a jeito para perder as próximas eleições? Para forçar antecipadas? Terá sobrestimado a sua popularidade, que já conheceu melhores dias? Ninguém sabe. Tirando o próprio e os assessores que terão passado o chão a pano. [Read more…]

António Costa desonrado

Vieira retira Costa e Medina da lista de honra

André Ventura, o autoproclamado anti-elite no bolso de Luís Filipe Vieira

Querem saber quem é o verdadeiro André Ventura, para lá da propaganda orientada para degustadores de gelados com a testa? Reparem então naquela que tem sido a postura do “tipo que diz as verdades”, sempre tão rápido no gatilho quando o primeiro-ministro lhe aparece na mira, refugiado na sua ensurdecedora cobardia de cartilheiro, incapaz da habitual ferocidade, apesar de estarmos perante um dos mais graves escândalos de promiscuidade institucional que envolvem António Costa.

Exactamente: é a postura de um coelho anão bebé, manso e sossegado, que já teria escrito 140 tweets, convocado duas manifestações, pedido a demissão do primeiro-ministro e repetido a palavra “vergonha” 426.917 vezes, estivesse Costa na comissão de honra de outro presidente qualquer, igualmente envolvido em calotes de centenas de milhões de euros ao Estado, entre outros casos de polícia, entregues à justiça portuguesa. [Read more…]

Pablo Escobar, Luís Filipe Vieira e António Costa

Durante anos, Pablo Escobar foi o dono da Colômbia, ao ponto de lhe ter passado pela cabeça, um dia, vir a ser presidente.
Conseguiu-o graças a uma rede de interesses e de influências que misturava a corrupção com o terror.
Tinha na mão alguns dos mais importantes políticos colombianos, elementos da Justiça e todos os altos quadros que de alguma forma lhe garantissem uma posição privilegiada perante o Estado e as instituições.
Escobar sentia-se superior ao próprio Estado, que de resto abominava. Durante anos e anos, riu-se das leis e da Justiça. Estava protegido pela lei do dinheiro.
[Read more…]

Política aos pontapés

As autarquias portuguesas estão cheias de favores nem sempre indirectos a clubes de futebol da terra, com actuais e antigos autarcas em mesas de assembleia geral ou, até, em altas instâncias do futebol nacional, histórias de empreiteiros que tinham de dar dinheiro ao clube concelhio para terem direito a aprovação de obras, cedências de terrenos municipais em condições muito vantajosas para o usufrutuário e às custas de dinheiros públicos e um larguíssimo etc. de corrupção ilegítima e ilegal. O leitor pode divertir-se e aprender, fazendo, no dr. Google, buscas como “Presidente da câmara de (nome do concelho) futebol”.

A presença de António Costa na comissão de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira é, apesar do contexto escandaloso, uma melancia do Entroncamento no cimo de um bolo já demasiado azedo. O primeiro-ministro tem, naturalmente, direito às suas preferências clubísticas, mas não pode tomar partido nem que seja na associação de chinquilho mais obscura, por mais honrada que seja. [Read more…]

Salafrário II

Post editado porque uma das frases do texto, não correspondia, milimetricamente, à verdade. Pelo facto, me penitencio.

Vi nas redes uma lista (grande) de situações em que Costa perdeu a compostura e se irritou para lá do que é “portuguesmente” admissível. E, realmente, percebe-se que o homem não é boa rês.

[Read more…]

Salafrário

Duas frases que definem um pensamento políticamente corrupto, incapaz e irresponsável. Nunca tive qualquer dúvida que Costa, politicamente, era e é menos sério que Sócrates.

[Read more…]

À custa das nossas possibilidades

NB

Ricardo Araújo Pereira sintetizou o embuste na perfeição, numa das últimas edições do Governo Sombra: imaginem que eu tenho um quilo de maçãs, que me custou 2€, e vendo-o a uma pessoa, que eu não sei quem é, por 1€. E essa pessoa diz-me assim “tens 1€ que me emprestes?”, para me pagar o euro. Eu empresto, e depois peço ao fundo de resolução o euro que falta.

Não, não é nada estranho. Acontece todos os dias, em todo o lado onde o capitalismo é quem mais ordena. Desta vez soube-se, porque, convenhamos, o Novo Banco é um banco em decadência, desde a sua criação, e há muito dinheiro dos cofres públicos que se perdeu por lá, para não falar no Salgado, no Sócrates e nos restantes indivíduos que pilharam o GES, depois do GES ter pilhado meio mundo. E quando estamos a falar de pessoas e entidades caídas em desgraça, a coragem dos holofotes mediáticos tende a aumenta substancialmente. [Read more…]

O Estado de Direito não é negociável, senhor primeiro-ministro

É evidente e inquestionável, pelo menos para mim, que o respeito absoluto pelo Estado de Direito tem obrigatoriamente que ser condição sine que non, não para ter acesso ao bailout pandémico da UE, mas para integrar o projecto europeu. É até mais importante, mais indispensável para a pouca cola que ainda une este espaço de democracia liberal, onde a liberdade de expressão, o direito a exercer jornalismo livre ou a possibilidade de pertencer a movimentos associativos e sindicais são direitos invioláveis e inalienáveis. Não é coisa pouca, e basta olhar à nossa volta para perceber isso mesmo. Vivemos numa bolha de privilégio. Um privilégio pelo qual devemos lutar. Por nós e pela sua expansão a outros povos.

[Read more…]

Coronabus-19

cobus

Não estamos todos no mesmo barco. Nunca estivemos. Alguns de nós estão no autocarro, à pinha, e não têm alternativa. Outros, os tais que escreveram uma carta a “pedir” ao governo para acelerar o processo de desconfinamento, à qual Costa acedeu caninanente, não precisam de transportes públicos.

Vejo imensa gente preocupada por António Costa ter dito que os vírus se combatem com

antibióticos. Vejo muito pouca gente preocupada por Santana Lopes ter escrito que “agora facto é igual a fato (de roupa)“.

Sobre o atribulado processo de desconfinamento, o oportunismo político e as várias narrativas que proliferam

1) Tal como muitos de nós previam, o desconfinamento, em grande parte forçado pela elite económica, com o alto contributo da obediência canina do governo, levou a que muitas pessoas baixassem a guarda, convencidas de que a pandemia tinha chegado ao fim. Não só não chegou, como pode perfeitamente piorar e colocar o país numa situação mais crítica do que a inicial, com custos ainda mais elevados para a saúde pública, para a economia e para a imagem de Portugal no exterior.

2) Por todo o lado, mas com especial incidência nas regiões de Lisboa e Algarve, multiplicam-se os ajuntamentos, desde festas ilegais a encontros “espontâneos” junto de bombas de gasolina ou zonas de divertimento nocturno, não esquecendo algumas manifestações, mais ou menos inevitáveis, mais ou menos desnecessárias, mas também cerimónias religiosas em Fátima, que foram já palco de pelo menos uma concentração de algumas centenas de pessoas, e onde hoje foi reportado um pequeno foco de contágio. Mas a Festa do Avante, que ainda não aconteceu – e que, a meu ver, não devia acontecer – é o único problema que inquieta algumas pessoas. Percebe-se bem porquê. [Read more…]

O Orçamento Suplementar para 2020 é uma treta

Europe has now become the world’s beating heart of solidarity.
Ursula von der Leyen

Wir haben jetzt angeboten, daß 1000 freie… freiberufliche Interpreten
Florika Fink-Hooijer

***

Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA [https://bit.ly/2CrHxJP]

De saída do Governo, não satisfeito com um OE2020 que é uma mentira e uma vergonha, Centeno anexou-lhe um Orçamento Suplementar que é uma treta. Este Orçamento Suplementar da treta, aprovado anteontem, foi apresentado pelo estreante ministro João Leão. O PS votou a favor e fez mal. O PSD, o BE, o PCP, os Verdes, o PAN e Joacine Katar Moreira abstiveram-se e fizeram mal. O CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal votaram bem, mas infelizmente não foi pelas melhores razões ortográficas. Efectivamente, o pacote anteontem aprovado faz jus ao caos orçamental iniciado com o OE2012, provocado por gente deslumbrada com a RCM n.º 8/2011 que o Governo decidu mandar pôr em cima de uma oliveira, para gáudio dos crentes.

Aquilo que anteontem se aprovou na Assembleia da República foi uma proposta (pdf), onde se refere, por exemplo:

  • respetivo sector de atividade” (p. 35);
  • “entidades do sector público” (p. 38);
  • “solidariedade sobre o setor bancário” (p. 41);
  • “suportada pelo setor financeiro à que onera os demais setores” (p. 41);
  • “passivos por ativos não desreconhecidos em operações de titularização” (p. 43);
  • “Ambiente e Ação Climática” (p. 28).

A proposta traz com ela mapas (pdf), nos quais encontramos “RESPECTIVOS SERVIÇOS SOCIAIS” (p. 2).

Além disso, temos o sempre esclarecedor relatório (pdf), no qual podemos rever estas deliciosas e correctíssimas grafias:

  • acção social” (p. 10);
  • activos financeiros (excepto privatizações)” (p. 14).

O pacote anteontem aprovado é uma enjoativa salada orçamental suplementar e deveria fazer corar de vergonha quem a aprovou e quem com ela é conivente.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Nacional-parolismo em tempos de covid

PIC

Lamento ser o desmancha-prazeres, mas estou convencido que fomos a terceira ou quarta escolha para receber a final da Liga dos Campeões. Não deve haver muito quem se queira meter nisto, neste momento. E acrescento que isto pode correr duplamente mal. Por um lado, porque a zona de Lisboa está a braços com uma situação muito delicada, no que à propagação do vírus diz respeito. Por outro, porque se algo correr mal, nomeadamente a nível de contágios, os holofotes que chegarão de todo o mundo para cobrir a bola, serão os primeiros a crucificar a imagem imaculada que o turismo português ainda tem. E isso poderá causar danos irreparáveis da nossa galinha dos ovos de ouro.

Sei bem que não é uma opinião popular. O futebol é soberano e ai de quem se lhe oponha, seja lá de que maneira for. E essa soberania absoluta, quase totalitária, ficou bem evidente no momento de nacional-parolismo imortalizado pela foto em cima, com este grupo de simpáticos convivas, que, sem grande coisa para fazer, se reuniu para uma grande cerimónia protocolar de elogio desbragado ao grande conseguimento da pátria. Com honras de abertura de todos os telejornais, como se tivesse sido encontrada a cura para a covid-19. É o que temos.

Um português, um indiano e um cigano…

O título deste texto parece o início de uma anedota, mas também se adapta a um dos últimos episódios da política portuguesa e tiveram como protagonistas André Ventura, António Costa e Ricardo Quaresma. Achei melhor dizer, pois há quem se dê mal ao brincar com estereótipos. Ai se os Gato Fedorento fossem dos dias de hoje…

[Read more…]

Repensar as regras da globalização?

Há uns dias, dizia António Costa, em relação à chegada da China de 4 milhões de máscaras de protecção, que não é possível estarmos nesta dependência de uma coisa que é produzida na China, que é transportada pela Ethiopian Airlines para finalmente chegar ao Porto – não passando de uma reserva que dá para uma semana.

Levará esta catástrofe que desabou sobre a humanidade a um tão necessário ajustamento dos princípios e regras que vêm regendo a economia global nas últimas décadas?

Parece muito duvidoso.

O jornal alemão TAZ publicou ontem uma notícia sobre prioridades da Alemanha durante a Presidência do Conselho da União Europeia, que o país irá assumir a partir do dia 1 de Julho. Na política externa e comercial, Berlim pretende não só finalizar o acordo de comércio EU-Mercosul como “retomar um amplo diálogo político de alto nível (…) e desenvolver e implementar uma agenda comercial transatlântica positiva”. Ou seja, repescar o TTIP (acordo EU-EUA), mesmo que numa forma “light”.

Os receios de Berlim em relação às ameaças de tarifas punitivas dos EUA sobre as exportações alemãs de carros têm a maior potência para alavancar a agenda de liberalização abrangente, a favor da indústria de exportação. [Read more…]

A política não é um vírus

António Costa brincou com o deputado João Cotrim de Figueiredo. Quem está na trincheira do primeiro, adorou o comentário e cantou uma vitória épica; do outro lado, houve quem se escandalizasse, também por não gostar que se chame a atenção para as contradições dos liberais. António Costa pode ter tido uma vitória tangencial, mas o episódio não passou de uma mera escaramuça parlamentar que não acrescenta nada de essencial. Parece-me, no entanto, que estamos diante de uma oportunidade para discutir se é possível o liberalismo em tempo de paz e estatismo em tempo de guerra, sabendo-se, desde já, que nada é assim tão simples.

Não é a altura para discutir isso, dizem alguns, porque estamos em circunstâncias adversas. Pelo contrário: é fundamental, porque o objectivo é que o mundo continue e que todos saiamos à rua para retomar as nossas vidas. É fundamental pensar que Estado queremos ou se queremos Estado.

O que me parece muitíssimo escandaloso em António Costa, por exemplo, é a afirmação de que não falta nada ao SNS, uma mentira que está a passar pelos pingos mediáticos sem molhar o primeiro-ministro. É verdade que, na trincheira do PS e de muita esquerda, há uma crispação quando se apontam os muitos problemas do SNS, como se isso fosse uma crítica ao conceito. Para mim, ser de esquerda é exactamente criticar o desinvestimento público que enfraquece o Estado em áreas em que tem de ser forte, áreas que não podem estar sujeitas à ditadura do lucro ou à libertinagem dos mercados. [Read more…]

Sondagens e outras coisas que não interessam

No tempo em que havia futebol e, consequentemente, programas em que se discutia corrupção e arbitragens, era vulgar perguntar aos telespectadores, através de inquéritos, quem seria o futuro campeão nacional ou se pensavam que o árbitro teria prejudicado ou beneficiado determinado clube em determinado lance. Confesso que nunca fiquei espantado com os resultados. Mais: nunca estive interessado em conhecer os resultados.

Hoje, fiquei a saber que, de acordo com uma sondagem, os portugueses (é sempre assim que anunciam o resultado de uma sondagem) têm uma opinião positiva acerca da actuação do primeiro-ministro e do presidente da República ou vice-versa. Se fosse ao contrário, também não me admiraria. Mais: não estou interessado.

Mesmo sabendo que é complicadíssimo gerir um país nas circunstâncias em que o mundo se encontra, haveria outras sondagens mais importantes. Por exemplo: quantos profissionais de saúde pensam que António Costa estava enganado (ou que mentiu) quando afirmou que não faltava nada nos hospitais nem era previsível que viesse a faltar?

Há muitos argumentos contra: que devemos estar todos unidos, que o corporativismo pode atrapalhar, que pode haver pessoas do contra. É tudo verdade, mas eu continuo a preferir que as pessoas de cada área falem da área em que trabalham. Na verdade, as sondagens nem sequer fazem muita falta, sobretudo se dependerem de politiquice ou de clubismo, que são mais ou menos a mesma coisa.

O PS e o (a)normal funcionamento das instituições

A propósito do chumbo de Vitalino Canas e de mais alguns nomes propostos pelo PS para o Tribunal Constitucional e para outras entidades públicas, a feroz Ana Catarina Mendes rapidamente deu conta da indignação dos socialistas, acusando as restantes forças políticas de bloquear o normal funcionamento das instituições democráticas, o que me levou a concluir que a deputada desconhece o funcionamento das mesmas.

Da mesma maneira que, em 2015, me insurgi contra a desonesta narrativa da negação da democracia representativa, aquando da rejeição parlamentar do governo minoritário PSD/CDS-PP e da formação da Geringonça, manterei a coerência: o PS não tem maioria e
não quis firmar acordos com os seus antigos parceiros à esquerda, pelo que tem que se sujeitar à negociação. Sendo incapaz de o fazer, tem igualmente que se sujeitar às consequências da sua incompetência, calculada ou não. Ana Catarina Mendes pode propagandear o que bem entender que a realidade permanecerá imutável: o único partido que pode, neste caso específico, ser acusado de bloquear o normal funcionamento das instituições é o PS.

[Read more…]

Costa sabe nadar

Foi por isso que o discurso de hoje foi sobre o SNS, sem uma palavra sobre as cheias. Água não é problema para peixe.

A dupla face das críticas ao politicamente correcto

O politicamente correcto nasce de boas intenções, o que, como se sabe, é meio caminho andado para o Inferno. Por vezes, faz lembrar um rapazinho tão virtuoso que ajuda a atravessar a rua uma velhinha que não queria fazê-lo.

Ainda há pouco, escrevi sobre os exageros deste mesmo politicamente correcto, que, quando obsessivo se torna inimigo do humor, esse mecanismo tão importante para que haja momentos de carnavalização na vida, intervalos em que podemos ser monstros ficcionais, o que pode ajudar-nos a não o ser na realidade. Estes exageros devem ser, naturalmente, criticados. Esta é a crítica virtuosa.

Na outra face da moeda, está uma crítica que é, na realidade, uma desculpa. É aquela a que se recorre quando se quer chamar frontalidade ao desbragamento ou à má educação. O marialvismo político é uma das suas derivações.

Uma das frases que corresponde a esta aparente crítica ao politicamente correcto está no adágio “Quem não se sente não é filho de boa gente.” Foi assim que muitos desculparam o descontrolo de António Costa diante das críticas que lhe fizeram no Terreiro do Paço, no final da última campanha eleitoral.

A Trump e Bolsonaro falta-lhes gravitas, são incapazes de uma certa hipocrisia institucional. Os seus partidários de todo o mundo, incluindo Portugal, vêem nisso a virtude da sinceridade, a qualidade dos homens simples que incomodam porque dizem a verdade. Não, são apenas broncos. [Read more…]

Directo a si, dr. António Costa!

[Santana Castilho]*

Na Educação, o ambiente é de profundo mal-estar e o programa do novo Governo não conseguiu atribuir-lhe qualquer réstia de esperança. Outrossim, acentua a onda de “planos”, “projectos” e “estratégias”, para picar os miolos aos professores. Antes de Maria de Lurdes Rodrigues, todos sabiam exactamente o que fazer. Os chefes eram menos e as escolas funcionavam. Depois cresceram os chefes. E consigo, dr. António Costa, cresceu a desorientação e o deslumbramento com as pedagogias sem sentido. E cresceram as siglas “eruditas” para denominar inúteis organismos, projectos, plataformas e planos. Veja estas, dr. António Costa (e não são todas), criadas pelas suas luminárias da modernidade: ACES, ACCRO, AERBP, AIRO, CAA, CAF, CD, CEB, CP, CPCJ, CRI, CT, DAC, DEE, DT, EE, EECE, EFA, ELT, EMAI, EO, ESAD, JNE, ME, PAA, PASEO, PE, PEI, PES, PHDA, PIT, PL2, RTP, SPO, UFC e ULS. Não lhe chegavam? Enxergue-se, dr. António Costa!

O dr. António Costa deu campo aberto ao narcisismo político dos seus prosélitos. Mas nunca promoveu um trabalho sério para apurar o que pensa a esmagadora maioria dos professores de sala de aula sobre um conjunto de temas-chave, que permitiriam reformar com solidez o sistema de ensino. Por isso, não me espanta que tenha perdido totalmente o pudor, proibindo as reprovações no Ensino Básico. Não me espanta, dr. António Costa, que a decisão política em Educação continue assente no desconhecimento da realidade e no oportunismo político das madraças da flexibilidade e da inclusão, criadas para pastorear incautos e transformar velharias falhadas em tendências pedagógicas novas. [Read more…]

Ó Rosa, arredonda a saia!

[Francisco Salvador Figueiredo]

 

Estava difícil arranjar um título que reunisse os dois assuntos que vou abordar hoje: a Rosa e a saia do assessor de Joacine. Nada como uma música infantil para falar sobre dois assuntos sérios que foram tratados com imensa infantilidade.

Comecemos pela Rosa. Rosa Mota. Estamos a falar de uma das maiores atletas portuguesas, que tanto honrou o nome da cidade do Porto e deste país. Mas nunca foi tão falada como agora. Rosa Mota acabou de destronar Rosa Grilo no prémio de Rosa mais falada na Comunicação Social. Se não há dúvidas que o rosa é uma ótima cor para Partido, também não haja dúvidas que pode ser um péssimo nome de mulher. Uma assassinou o marido, alegadamente. Outra faz birra por causa do tamanho de letra do seu nome num Pavilhão. Vejamos a situação da forma mais justa possível. Pode-se interpretar que houve uma falta de respeito com a Rosa Mota? Talvez. O que Rosa Mota não se lembra é que não deu nem um tostão para a obra de um edifício que estava a degradar. O que Rosa Mota não se lembra é que sem gastar um cêntimo dos contribuintes, a Câmara do Porto arranjou um parceiro para reabilitar o espaço. A Super Bock não é mais importante para a cidade do Porto, aliás, o nome Super Bock não está lá como homenagem. O nome Rosa Mota está, e sempre estará, devido à sua importância para esta cidade. Rosa Mota é a única desportista homenageada desta forma no Porto. Eu contentava-me que o meu nome fosse dado a uma gaveta. [Read more…]

Emprego Governo XXII

António Costa está a propor um governo formado por 19 ministros, mais 2 do que no anterior executivo. O governo de 2015 já era maior do que o habitual e, tendo sido notícia, não causou alarido.

O executivo agora proposto é essencialmente a continuação do anterior, como se pode ver na tabela seguinte, com a adição de dois apêndices que bem poderiam ser secretarias de estado de outros ministérios.

[Read more…]

Entre marido e mulher não metas a colher.

Excepto se fores António Costa.

Eduardo Cabrita repartilha no Facebook um post que critica a saída da mulher do Governo

Ao mesmo tempo que minam o sistema com os seus golpes de amiguismo, choram a ascensão dos populistas que declaram irem acabar com os golpes de amiguismo que minam o sistema.

Onde estamos? Para onde vamos?

[Santana Castilho*]

Apesar da sombra de Sócrates, apesar do nepotismo que promoveu e consentiu, apesar dos incêndios e de Tancos, apesar da degradação dos serviços públicos, apesar do aumento da dívida pública, António Costa ganhou as eleições, marcadas pela mais alta taxa de abstenção da nossa democracia, que expressa um preocupante alheamento cívico e um preocupante abismo entre representantes e representados. Vale a pena, a este propósito, olhar para os números eleitorais (ainda que não definitivos, mas onde o erro será só por excesso), sob um outro ângulo: nos cadernos eleitorais estavam recenseados 10.810.662 cidadãos; não foram votar 4.918.851; 129.500 votos foram brancos e 88.500 nulos; dos 5.673.811 votos válidos, o PS registou a seu favor 36,65% (2.079.452). Mas foram apenas 19,23% dos portugueses que podiam votar que escolheram o PS e, por extensão, António Costa. Feito o mesmo exercício para os restantes partidos, os números são ainda mais expressivos, a pedir atenção demorada para o seu significado. [Read more…]

Até a malta do João Jardim quer ir para a cama com o PS

mais um potencial parceiro para a Geringonça

Flutuando sobre um ninho de Tancos

O regresso de Tancos fez mossa. De acordo com uma das sondagens diárias, a da Pitagórica (JN/TSF/TVI), o PS deslizou para os 37,1%, menos 3,5% do que no início da semana. Uma mossa que (ainda) não faz assim tanta mossa, e que mantém os socialistas a 10,7% do PSD, que também termina a semana em queda, ainda que de apenas duas décimas, para os 26,4%. Considerando os 3,6% atribuídos ao CDS, a direita parlamentar vale, neste momento, 30% do hemiciclo. Mas pode valer 33,8%, se lhes juntarmos a IL (2%), o Chega (1,1%) e o Aliança (0,7%). [Read more…]