Carta do Canadá: Umas boas férias

Parafraseando Steinbeck, bem podemos dizer que este é o verão do nosso descontentamento. E porque o inverno que aí vem não se afigura mais prazenteiro, aconselha o senso prático que nos ofereçamos as férias que nos carregarão as baterias de que tanto vamos precisar. Férias simples, modestas, como as de antigamente, no campo, cheias de silêncio e ar puro, sem jornais, rádios  ou televisões. Um tempo de completo pousio e contemplação, rodeado de gente que à terra tem dado a vida por gerações e que tem sempre um jeito saboroso de enfrentar a adversidade. Acrescente-se uma alimentação saudável e uma sesta bem dormida, um longo passeio a pé depois do jantar, que podemos aproveitar para rezar ou meditar, e teremos a receita de que precisa o nosso cansaço e desalento.
E, já se sabe, senso de humor, rir o mais possível. Para o que, sem pretensões, venho contribuir.
No meu tempo de Colégio de Nun´Álvares, em Tomar, tive o privilégio de conhecer João Santos Simões, engenheiro têxtil porque a isso obrigava uma empresa de família que vinha do seculo XVIII, uma fábrica de fiação, mas homem de nata vocação artística. Veio ele a ser o maior especialista de azulejaria portuguesa, devendo-lhe o país e a cultura, entre outras coisas, o levantamento completo do azulejo luso em terras brasileiras. Conversador admirável, generoso e alegre, de uma simpatia irresistível, guardou de rapaz um jeito desligado e boémio que era uma delícia. Porque em jovem pintou a manta. [Read more…]