NATO? Para quê?

Empire

Fez ontem 25 anos que os membros do Pacto de Varsóvia se reuniram na Hungria e chegaram a um acordo para a dissolução da organização, uma decisão precipitada pela fragmentação em curso da União Soviética. Dissipada a ameaça soviética, o outro império optou por manter a sua rede militar de poder e, 25 anos após ter deixado de fazer sentido no campo do equilíbrio de forças, a NATO está viva e continua a servir os interesses geopolíticos e militares da superpotência sobrevivente, usando a defesa dos seus aliados como mera fachada para as suas ambições imperialistas.

Que sentido faz hoje a existência da NATO? Confesso que não vejo outra razão que não a legitimação da hegemonia norte-americana. Que ameaças reais existem hoje que possam atormentar a segurança dos países ocidentais? O palhaço norte-coreano? A China comuno-capitalista? A Federação Russa que a única coisa que quer é jogar o mesmo jogo que os EUA, com a ocasional violação da soberania de um seu vizinho? E desde quando é que a NATO se preocupa com isso? Existirão assim tantas diferenças existe entre as invasões russas da Ossétia e da Ucrânia e as invasões norte-americanas do Iraque ou do Afeganistão, para além do desfasamento geográfico e do facto das segundas terem deixado um rasto de destruição incomparavelmente maior?

Com o fim da Guerra Fria, a NATO perdeu a sua razão de ser. A globalização criou uma interdependência planetária tal que o risco da Federação Russa invadir a Europa é praticamente nulo e as consequências seriam catastróficas para ambos os lados. Para além de que, se os EUA supostamente partilham dos mesmos valores e interesses que o restante Ocidente, porque não viriam eles em seu auxílio como vieram durante as grandes guerras? Já era tempo de colocar um ponto final neste teatro. O Europa não precisa da NATO para nada. Mas seria interessante que os parceiros europeus tivessem a sua própria política externa de defesa, capaz de proteger o seu espaço geográfico comum. Só para não sermos apanhados com as calças na mão. Daí até continuar a beijar o anel ao imperador vai um longo caminho.

Military Democracy

 

Comments


  1. “Que ameaças reais existem hoje que possam atormentar a segurança dos países ocidentais?”: Quer a explicação em que formato? Tablóide, broadsheet ou revista? “Mas seria interessante que os parceiros europeus tivessem a sua própria política externa de defesa, capaz de proteger o seu espaço geográfico comum”: Pois seria. Mas como, se eles não se entendem a definir políticas comuns de entrada de refugiados, sequer? “o risco da Federação Russa invadir a Europa é praticamente nulo”: junto um link com a localização da grande planície europeia que o Putin deve conhecer bem!

  2. Rui Silva says:

    Vladimir Putin também é desta opinião.

    cps

    Rui Silva


    • Claro Rui. Porque existe um grande plano de invasão e a Europa, coitada, não tem um tanque que seja para resistir. Enfim…

  3. Fernando Cerdo says:

    A NATO existe para nos defender do comunismo e do Eixo do Mal, de Estados lidrados por lídres sem escrúpulos como o tirano Soviético Vladimir Putin ou o ditador dos gases que gaseia os “Freedom Fighters” (em 2013 o Estado Islâmico ainda era apresentado como um grupo de virtuosos “Freedom Fighters”) com gas Sarin Bashar al Assad da Síria, passando também pela ameaça da China Vermelha e dos terroristas do Hamas e do Hisbala, para não falar do Irão que desenvolve armas tão pregiosas como aquelas com que o Saddam ameaçava o mundo em 2003, ameaça neutralizada plea acção sábia e firme de Estadistas como o Dr. Durão, o Dr. Aznar, o Dr. Tony Blair e o Eng.º George W. Bush, ou ainda da ameaça da Coreia do Norte o país de eleição do Camarada Bernardino! [SARCASMO E IRONIA]

    • joão lopes says:

      não esqueça a perigosa cuba…onde vão tocar os rolling stones em março.parece que já estou a vêr o richards á pesca do espadarte(e ainda acham que os stones são tontos,tonto sou eu a pagar impostos em portugal,qualquer dia faço como os gajos,vou pra suiça)

      • Fernando Cerdo says:

        Obrigado! Sim, não posso esquecer de mecionar a tirania comunista de Fidel Castro, uma autêntica ilha-prisão com a excepeção das instalações navais de Guantanamo Bay: um pequeno cantinho de Liberdade nesse território dominado pelo comunismo! Convém mancionar também de passagem o Vietname, o Laos, a Nicarágua, a Bolívia, o Ecuador que apara os golpes do traidor e violador Julian Assange, e a Bielo-Rússia que vive sob o domínio do mais odiado tiranete da Europa depois do próprio Vladimir Putin, nomeadamente o Presidente Alexandre Lukaschenko.

  4. tancredo says:

    O trilionário negócio das armas.
    .
    Nos últimos três anos, segundo o SIPRI de Estocolmo, as despesas militares de todos os países atingiram: um virgula sete triliões de dólares. O equivalente a 260 dólares de contribuição por habitante do planeta.

  5. ze joao says:

    Portugal como país pequeno e outros da sua dimensão e capacidade económica, devo dizer que este tipo de aliança faz sentido. Surpreendentemente a União Europeia impávida e serena não consegue se impor com a sua própria política de defesa preferindo os paises da UE suportar a NATO.


    • Mas no contexto de uma Europa com uma política de defesa estruturada, o facto de Portugal ser ou não pequeno não seria propriamente relevante. Ou estamos juntos para tudo, ou não vale a pena continuar com encenações.