O seu filho menor está desempregado? O Burger King precisa dele

Na cidade de Lorain, no Ohio, o Burger King local colocou este anúncio, dirigido a pais de crianças entre os 14 e os 15 anos que queiram por os seus petizes a trabalhar. Em princípio não contará como exploração infantil, porque o Burger King é um ícone do capitalismo e essas coisas não acontecem no capitalismo. Caso contrário, aplicar-se-ia, como vem sendo habitual, a máxima comunista adaptada: “isto não é verdadeiro capitalismo”. Por norma funciona. Se não funcionar, tapam-se os olhos e os ouvidos e conta-se até Venezuela. Nunca falha.

Agora é a Janssen…

Portanto, em 7 milhões de doses já administradas a cidadãos dos Estados Unidos, seis mulheres, seis, desenvolveram um problema raro de coagulação sanguínea, que não se sabe se está relacionado ou não com a vacina.

E já suspenderam a vacina. Ou seja, vamos mesmo morrer da cura. É que sem vacinação em massa não se consegue ter parte substancial da economia a funcionar. Sem a economia a funcionar não se consegue obter meios de subsistência. a não ser que se seja funcionário público ou político no activo.

Entretanto, a Ministra da Saúde já está a deixar avisos à navegação…

Chamar os Putins pelos nomes

Joe Biden chamou assassino a Vladimir Putin, e logo um coro de virgens ofendidas surgiu a rasgar as vestes, pelos mais variados motivos que vão da vassalagem a Moscovo, que impera no leste da Europa, ao anti-imperialismo estado-unidense, passando pela fábula da diplomacia, inútil contra tiranos totalitários, ou peloa receios de que o Ocidente perca o acesso ao enorme mercado russo.

Putin é um facínora que deve ser sancionado, embargado e isolado. E a cada novo negócio que a Europa ou os EUA fazem com o regime de Moscovo, onde praticamente toda a economia está concentrada nas mãos dos oligarcas UE gravitam em torno do Kremlin e da figura do seu imperador, é mais um prego que se martela no caixão da democracia, mais um milhão que Putin transfere para os seus satélites europeus, mais um passo na legitimação da autocracia, com cada vez mais adeptos no bloco europeu.

Esteve bem, Joe Biden, ao apelidar Vladimir Putin de assassino. Porque é exactamente isso que ele é. Depois de quatro anos de vassalagem bajuladora de Trump, é tempo de chamar os ursos pelo nome e assumir uma posição de ruptura. Enquanto o Ocidente não for capaz de se demarcar deste é de outros regimes, como o chinês ou o Saudita, a democracia continuará a ser um mero eufemismo para o colaboracionismo que nos assiste. Não foi para isto que se derrubou a Cortina de Ferro. Putin é nosso inimigo e é tempo de o começarmos a tratar como tal.

Conversas vadias 5

A quinta ronda vadia em torno do Futebol Clube do Porto, do bairrismo, Miguel Carvalho, centralismo, PCP, bandeiras e Aliados, o vermelho e o encarnado, Nuno Melo, Carlos Guimarães Pinto, comunismo, capitalismo, nazismo, religião, Marcelo Rebelo de Sousa e o bairro da Jamaica, TAP, banca e intervenções do Estado, bazucas e fisgas, a conquista liberal da Holanda, vacina, António Costa e a baixa médica, o tiroteio nos EUA, BE e Moçambique, Maçonaria e Opus Dei,

Isto com os vadios Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Orlando Sousa, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo e António Fernando Nabais.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas vadias 5







/

Recessão democrática

No take introdutório do GPS emitido na passada semana na RTP3, Fareed Zakaria apresentou a sua visão sobre aquela que deve ser a prioridade das prioridades da Administração Biden: conter a pandemia. Conter a pandemia, salvar pessoas, vacinar mais e mais rápido, recuperar a economia e mostrar ao mundo que os EUA podem liderar no combate à pandemia e à crise económica, e voltar a ocupar a posição de farol das democracias liberais, reconstruindo alianças estilhaçadas por quatro anos de governação destrutiva, recuperando a credibilidade perdida, redefinindo prioridades diplomáticas, estratégicas e geopolíticas, reafirmando o papel dos EUA no mundo e recolocando o país no centro da política internacional. Uma missão quase-impossível, pelo menos no curto prazo, depois dos estragos causados pelo furacão Trump.

No mesmo programa, David Miliband usou um termo que ouvi pela primeira vez, “democratic recession”, associado não só à governação Trump, mas a toda a onda de populismo oportunista, mais ou menos autoritária, sempre grosseira e arrogante, ideologicamente vazia, no sentido filosófico da palavra, e cuja artilharia pesada consiste na divisão, exacerbada pela construção artificial de um (ou mais) inimigo comum, pela transformação de minorias em bodes expiatórios, para efeitos de distracção, e numa profunda instrumentalização do medo, de feridas mal saradas, do ressentimento e do ódio, como catalisador da violência miliciana.

[Read more…]

Osama Bin Trump e os EUA em Estado de Sítio

Neste momento, o número de tropas dos EUA estacionados no Iraque, Síria, Afeganistão e Somália, todos juntos, não chega a 9 mil efectivos. Em Washington, contudo, o Pentágono prepara-se para colocar 20 mil soldados no terreno, para garantir a segurança da tomada de posse de Joe Biden, num momento em que grupos armados de terroristas de neo-nazis e supremacistas brancos, incentivados e abençoados por Donald Trump, ameaçam dar seguimento ao atentado terrorista da passada semana, contra o Capitólio. Quem diria que a maior ameaça à segurança interna dos EUA, desde o 11 de Setembro, seria protagonizado pelas milícias terroristas pró-Trump?

P.S. Por muito menos, reduzem-se escolas e hospitais a escombros no Médio Oriente.

Trumposfera meltdown: por demências nunca dantes navegadas

Jake Angeli, conhecido no submundo dos chalupas conspiracionistas neofascistas como Q Shaman, é este espécimen que, aparentemente, roubou o chapéu que Jay Kay usava no tempo do Traveling without moving, álbum de excelente memória dos Jamiroquai.

Angeli, que, qual Obélix, parece ter caído no caldeirão do LSD quando era pequenino, apresenta-se como um “ser multidimensional” e afirma ter sido escolhido e enviado pelo seu amigo imaginário Q, uma espécie de profeta da chalupósfera QAnon, para ajudar Donald Trump na luta contra a rede internacional de pedofilia globalista socialista reptiliana do Dr. Belzebu.

Na sequência do atentado terrorista contra o Capitólio, no qual esta espécie rara participou activamente, Jake Angeli foi detido e entrou em greve de fome, por não ter acesso a uma alimentação orgânica. Já tinha ouvido falar de vários tipos de facho, mas um facho que num dia é terrorista e no outro um snowflake é novidade. Pessoalmente, acho que Angeli devia ser mais criativo, como o chapéu que usa: se quer comida orgânica e não encontra na prisão, que cague no pratinho e coma. Sim, eu sei, fui um bocado javardo e demasiadamente gráfico. Não lamento. Se queriam politicamente correcto vieram so estabelecimento errado. [Read more…]

Por falar em cadáveres políticos

Donald Trump e seus fiéis seguidores viram a teoria da conspiração eleitoral mandada às favas pelo Supremo Tribunal dos EUA, onde os conservadores têm seis juízes, três dos quais nomeados por Trump, e apenas três progressistas. Mesmo assim, Trump perdeu. Neste como em todos os processos que a sua equipa moveu, no âmbito das presidenciais. E, mesmo sem provas, sem factos que sustentem a teoria, o lunático insiste no culto da fraude, qual líder espiritual a conduzir uma seita de milhões para o abismo do ridículo, mas também da radicalização cega, que não pode deixar de preocupar todos os democratas. Lá como cá. Porque isto não estará muito longe daquilo que seria ter que lidar com “vocês sabem quem” no poder.

Vai demorar muito, América?

and lock that thug up!

A democracia ganhou, mas não se livrou do trumpismo

Quando penso naquilo que me move, politicamente falando, a resposta é tão simples quanto a genial Sophia a colocou: movem-me os dias iniciais inteiros e limpos. Dias que fazem renascer a esperança na construção de um mundo e de um futuro um bocadinho melhor. Dias como estes. Dias em que abrimos a janela e sentimos aquela brisa boa da democracia a bater-nos nas trombas, entretanto transformadas em caras felizes, aliviadas pelo ponto final que os Estados Unidos da América decidiram colocaram na era sombria do neofascismo trumpista. Já temos problemas que cheguem no Ocidente, não precisamos de mais quatro anos desse idoso trafulha, com idade mental insuficiente para frequentar um jardim de infância.
A queda de Donald Trump é um balão de oxigénio para o mundo democrático, e isso explica, a meu ver, a forma como, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda e de direita, liberais e conservadores, festejaram a eleição de um candidato de centro-direita, que a narrativa mais fundamentalista acusava de ser um socialista, termo que, nos EUA, ainda significa, para milhões de pessoas, União Soviética (uma espécie de Venezuela, versão old school). Houve mesmo quem afirmasse que Biden tinha um programa comunista, só para termos a noção do patamar de absurdo em que nos situamos. A risota que não terá sido em Wall Street.

[Read more…]

Informação versus Democracia

Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.

Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.

A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.

É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.

Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.

O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.

Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.

[Read more…]

Entretanto, na América em ebulição

Quase 24 horas depois do fecho das últimas urnas nos EUA, ainda não sabemos quem será o próximo presidente da nação que dita as regras do jogo internacional. E é possível que ainda não fique tudo fechado hoje, para não falar na mais que provável tentativa de impugnação que se seguirá, caso Biden leve a melhor, e que Donald Trump vem ensaiando desde o segundo debate.

Biden leva uma vantagem confortável, que, à hora que escrevo, é de 39 grandes eleitores. Está a 17 do número mágico dos 270 e é já o candidato presidencial mais votado de sempre em presidenciais nos EUA, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 70 milhões de votos. Para ser mais preciso, Joe Biden leva neste momento 71,5 milhões de votos, contra os 68 milhões de Donald Trump. O candidato mais votado de sempre era Obama, com 69,5 milhões. Em 2016, Trump ganhou com quase 63 milhões contra Hilary, que conseguiu quase 66. Só para colocarmos as coisas em perspectiva. [Read more…]

GOP elege congressista QAnon

Sim, leram bem: os republicanos meteram uma chalupa no Congresso que acredita que Trump está em guerra com um lobby pedófilo que quer dominar o mundo. RIP, GOP.

The Handmaid’s Trump

Em 2016, a 10 meses do final do seu mandato, a maioria republicana no Senado impediu Barack Obama de substituir o falecido juiz Antonin, do Supremo Tribunal. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, justificava a decisão com o argumento de que os eleitores teriam uma palavra a dizer, pelo que a substituição do juiz do Supremo só deveria ocorrer após o acto eleitoral marcado para o final desse ano.

Quatro anos volvidos, Donald Trump nomeou Amy Coney Barrett, na sequência do falecimento da icónica Ruth Bader Ginsberg, a menos de um mês das presidenciais. O ainda líder dos republicanos, Mitch McConnell, bem como a bancada republicana no Senado estado-unidense, nada tiveram a opor. Os eleitores, esses, nada puderam ou tiveram a dizer.

Desta forma, cumpriu-se a vontade de Donald Trump, que nomeu o seu terceiro magistrado vitalício na mais alta instância jurídica dos EUA, ampliando a maioria republicana no Supremo. Uma maioria com a qual o presidente conta para invalidar uma possível vitória de Joe Biden na secretaria, plano em marcha há várias semanas, assente na narrativa da fraude eleitoral.

O cerco está montado. Mesmo que Biden vença as eleições, o Supremo Tribunal dos EUA será uma força de bloqueio à governação do novo presidente. E com três juízes nomeados por Trump, a última das quais uma ultraconservadora membro da People of Praise, uma organização fundamentalista católica que advoga, por exemplo, que as mulheres se devem submeter à vontade dos seus maridos, o cenário não é nada animador. Após vários episódios verídicos de Black Mirror, a realidade parece apostada em reproduzir The Handmaid’s Tale.

QAnon: o pináculo da demência neofascista

Entretanto, numa manifestação de teóricos da conspiração contra o uso de máscaras, seguidores da seita QAnon clamam pela dupla Putin-Trump, que os salvará do deep state, das vacinas contra o sarampo, do marxismo cultural e, claro, de Satanás. São chanfrados? Sim, são chanfrados. E isso torna-os ainda mais perigosos. Já tínhamos os mujahedines, os telecurandeiros do dízimo e agora estes. Em princípio, é desta que o mundo acaba.

Segundo estas raríssimas espécies, “A Tempestade” está para breve. E o que é “A Tempestade”, perguntam vocês? É o dia em que o exército tomará o país de assalto, durante o qual milhares de membros da cabala mundial de pedófilos adoradores de Satanás serão presos e sumariamente executados, e a Terra será salva. Não é um Nineteen Eighty-Four, mas dava um bom argumento para uma série televisiva. A Netflix que abra a pestana. [Read more…]

Cocaína na Convenção Republicana

Entretanto, na Convenção Republicana, dominada por Trump, pelos filhos de Trump e pelas namoradas e namorados dos filhos de Trump, o stock de cocaína parece ter chegado ao fim. Vivem-se tempos perigosos e alarmantes, na Land of the free.

 

A insustentável leveza da falsa equivalência

kr

Jacob Blake, cidadão americano, negro, desarmado, foi baleado por agentes da polícia de Kenosha, Wisconsin, com sete tiros, em frente aos seus três filhos. Está no hospital, paraplégico, a lutar pela vida.

Kyle Rittenhouse, cidadão americano, branco, armado com uma semiautomática AR-15, assassinou dois manifestantes que protestavam contra a brutalidade policial que vitimou Jacob Blake, dirigindo-se posteriormente na direcção da equipa SWAT no local, que não disparou qualquer tiro ou prendeu o criminoso, permitindo que o mesmo regressasse ao Estado vizinho do Illinois. [Read more…]

Skid row: danos colaterais do capitalismo desregulado, selvagem e desumano

SR1

Na west coast da maior potencia económica e militar da história da humanidade, no coração da quarta cidade mais rica do planeta, residência de estrelas de cinema, rockstars e tech moguls, famosa pelos seus excessos e extravagancias, com muito sexo, drogas, rock´n´roll e dinheiro à mistura, situa-se o bairro de Skid Row, a dois passos do Staples Center ou do Walt Disney Concert Hall.

Em Skid Row, cuja população ascende aos 17 mil habitantes, cerca de 2 mil angelenos vivem nas ruas, alguns debaixo de um banco de jardim, nos casos em que a pobreza é absoluta, a maior parte em tendas, instaladas nos passeios da cidade, que podem facilmente ser vistas no Google Maps, na 6th Street e em algumas das suas perpendiculares, como a San Julian ou a Crocker St. Sem surpresas, é tida como a área do país com maior concentração de consumidores de crack e de crystal meth. Uma desgraça nunca vem só. [Read more…]

Privilégio Branco?

Há umas quantas coisas de que me orgulho. Sou português, portuense, portista, liberal e gosto bastante de salmão. Sou sincero, nunca senti muito orgulho em ser branco, porque nunca pensei nisso sequer. No máximo, posso dizer que me orgulho de ser europeu.

No sábado, realizou-se, por toda a Europa, o protesto contra o racismo. Tudo isto começou pelo assassinato bárbaro numa cena de abuso policial, nos EUA. Tudo isto originou uma enorme revolta e que se baseou em chavões como “privilégio branco”. Lamento informar os mais ativos nesta luta, mas esse tal privilégio branco não existe. E também lamento informar que não existe racismo estrutural em países como Portugal ou os EUA.

[Read more…]

Semiautomaticamente correcto

MI

Foto: Jeff Kowalsky@Vanity Fair

À porta do capitólio de Lansing, capital do Michigan, um dos Estados mais atingidos pela pandemia, um grupo de manifestantes pró-Trump protesta contra as medidas de confinamento, empunhando armas semiautomáticas que, aqui pelo Velho Continente, apenas vemos nos filmes, normalmente norte-americanos. Ou no serviço militar, se decidirmos fazê-lo. Ou no covil do quadrilha, se optarmos por uma carreira no crime organizado.

Alguns destes manifestantes, que gritavam “Os tiranos devem ser enforcados”, referindo-se aos legisladores estaduais, e que comparavam a governadora democrata Gretchen Whitmer a Adolf Hitler, exigindo a sua prisão, devido às medidas de confinamento impostas naquele Estado, onde vários hospitais entraram já em ruptura, invadiram as galerias do parlamento do Michigan, com as suas AR-15 e AK-47. [Read more…]

Embargar a China? Why not?

CH

Não querendo entrar em teorias rebuscadas sobre a origem do novo coronavirus, de natureza conspirativa, parece-me inegável que a China foi desonesta com o resto do mundo, ao ocultar, deliberadamente e durante várias semanas, a gravidade do problema que tinha em mãos.

Vai daí, é meu entendimento que o mundo deve exigir à China compensações financeiras pelo caos que a sua opacidade aprofundou. Vou ainda mais longe: parte significativa do Plano Marshall que a Europa e o mundo vão precisar, quando a crise económica que já se sente ocupar o primeiro plano das nossas preocupações, deve ser assumido por Pequim.

Caso a China decida não colaborar, defendo que deve haver coragem, pelo menos do mundo democrático, em impor sanções pesadas, e, eventualmente, um embargo total. De caminho, e pensando apenas no espaço europeu do qual faço parte, parece-me que estamos perante o momento ideal para um plano ambicioso de reindustrialização da Europa, capaz de, simultaneamente, gerar emprego e acabar com a dependência das importações chinesas. Isto será absolutamente crítico em sectores como o têxtil ou o automóvel, apenas para citar dois exemplos.

Naturalmente, tal intenção enfrentará poderosas forças de bloqueio, não só da própria China, como do sector financeiro e da grandes multinacionais ocidentais, cujos lucros, estratosfericos, dependem dos baixos custos de produção e de matérias-primas que a grande fábrica do totalitarismo chinês lhes proporciona. Mantendo o actual status quo comercial, é praticamente impossível ao Ocidente competir com um regime que explora a mão-de-obra, ignora direitos laborais e não respeita direitos humanos.

Ainda no campo dos interesses do modelo económico ocidental, importa realçar que a China é hoje um dos maiores mercados de consumo a nível mundial e um dos maiores clientes de produtos de luxo produzidos pela Europa e pelos EUA. Um embargo total à China resultaria numa perda significativa de vendas para inúmeras marcas, do sector da moda ao automóvel entre muitos outros. E o capitalismo, que não se deixa abalar por contradições éticas ou morais, dificilmente cederá. É o lucro que importa, não os direitos humanos. Muito menos a democracia.

Assim, encontramo-nos numa encruzilhada. Por um lado, estamos reféns de um regime comunista totalitário, que controla e comanda parte significativa da economia mundial, incluindo empresas estratégicas na Europa e EUA. Por outro, estamos nas mãos de multinacionais e instituições financeiras, que se deitam com qualquer oligarca ou autocrata que lhes pague o preço certo em euros. Ou dólares. Ou yuans. Talvez precisemos de uma revolução. E os ares de Abril costumam ser propícios para derrubar ditaduras. Why not?

Trump, o fascista malvado

O título foi escolhido por mim, mas podia muito bem ter sido criado pela redação da SIC ou qualquer outra televisão generalista. Tal como tem sido hábito desde a eleição do atual Presidente dos EUA, a comunicação social sempre se apresentou bastante parcial quando o assunto era Donald Trump. Desde a forma que apresenta as notícias que nos chegam da América até aos espaços de opinião. Este tom que se tornou normal afetou a forma de pensar das pessoas e fez com que estas, na sua maioria, se colocassem contra Trump, mesmo não conhecendo nenhuma das suas medidas. Estes mesmos são aqueles que se colocam a favor de Obama e fazem deste um revolucionário. Mas este é um dos resultados da comunicação social doutrinada que temos. Só em Portugal se acha normal que um pivô de informação como Rodrigo Guedes de Carvalho diga em direto “que, ideologicamente, as liberdades não são tão queridas à direita”. Por vezes, uma pessoa já não entende se o telejornal é para informar ou se é um chorrilho de lições de moral daquela vizinha que anda cá há mais tempo do que vocês. [Read more…]

O choque de ventiladores

ab9cc768-57cd-4f9c-8ffa-c2f15c2bfbdf

Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

Bernie Sanders against the system

Nos chamados early states, Bernie Sanders parecia imparável na corrida pela nomeação democrata, apesar da oposição do establishment do DNC e dos tais moderados que Wall Street, o lobby do armamento e a big pharma costumam trazer na lapela para operações de marketing fofinhas. No Nevada, a vitória foi esmagadora. Na Carolina do Sul, a vitória de Biden era expectável. Mas o sistema cercou Sanders. Klobuchar e Buttigieg, do tal grupo dos moderados de lapela, abdicaram no timing perfeito, jurando lealdade a Joe Biden, um candidato fraco que será esmagado por Trump com a mesma facilidade com que esmagou Hilary Clinton, ao passo que Warren se mantém na corrida, ainda que sem grandes hipóteses, fragmentando um eleitorado que, em larga medida, partilha com Sanders. Resta Mike Bloomberg, um oportunista endinheirado, proveniente do Partido Republicano, que está aí para nos recordar que, na “Land of the free”, se pode disputar a presidência pelo preço certo em euros.

[Read more…]

Era uma vez um Irão democrático

Uma das primeiras postas que rabisquei num blogue, há quase 10 anos, falava sobre Mohammed Mossadegh, o homem a quem é atribuída uma frase que diz muito sobre o homem que foi: “if I sit silently, I have sinned”.

Mossadegh foi primeiro-ministro do Irão entre 1951 e 1953. Tinha taxas de aprovação popular altíssimas e aproveitou-as, juntamente com o poder de PM, para lançar um programa de nacionalização da indústria petrolífera do seu país, ocupada pelo Reino Unido e outras potências ocidentais, que, quais sanguessugas, parasitaram os recursos do Irão durante décadas, com o beneplácito da elite local. [Read more…]

O estado dos negócios

Apesar de todas as tensões com os EUA, a União Europeia não perde o sentido do negócio. Com o intuito de amainar as relações comerciais transatlânticas, abaladas pelas medidas norte-americanas contra as importações da UE e os ataques à ordem comercial global, o novo comissário europeu para o comércio, Phil Hogan, planeia visitar Washington já próxima semana.

Na agenda para as conversações com o representante norte-americano para o comércio, Robert Lighthizer, Hogan leva a ameaça americana de impor tarifas aduaneiras a bens franceses no valor de 2,4 mil milhões de dólares, em retaliação ao imposto francês sobre as gigantes tecnológicas – em especial a Google, Apple e Amazon, cujas manobras de evasão fiscal são vastamente conhecidas. [Read more…]

Problemas domésticos

Todos saberão que Trump está a meio de um processo de destituição. Nada de novo. Há provas claras do que ele fez, mas que pouco efeito terão num Senado controlado pelo seu partido, mais preocupado em manter o poder do que com esses antiquados conceitos a que chamavam de lei e decência.

O lado preocupante dos problemas domésticos dos presidentes americanos é que estes tendem a alastrarem-se a outras nações por via da guerra levada a cabo fora de casa. Foi o que agora se passou com o ataque ordenado por Trump ao Irão. E o mesmo se passou com anteriores presidentes, tais como Bush e a invenção das armas químicas no Iraque ou o ataque de Clinton ao Iraque, também, aquando da sua destituição.

[Read more…]

A escolha

“Os novos moradores do venerável Palácio do Loreto, no coração da cidade velha de Lisboa, também vêm da China. Por detrás da fachada do século XVIII residem os empregados do grupo chinês Fosun. O império da empresa na Europa vai desde a antiga companhia de seguros estatal portuguesa “Fidelidade” e o grupo de viagens Thomas Cook até à marca de moda Tom Tailor e ao banco privado alemão Hauck & Aufhäuser.

Não muito longe estão também os escritórios das empresas estatais chinesas State Grid e Three Georges, que são accionistas da electricidade do país. Investimentos de mais de nove mil milhões de euros fazem de Portugal um “parceiro estratégico”, declarou o embaixador da China em Lisboa.

Isto funciona assim em toda a Europa. Caminhos-de-ferro, portos e redes eléctricas, engenharia mecânica, turismo e finanças – as empresas chinesas estão a entrar na economia europeia em todos estes sectores, tendo investido já muito mais de 300 mil milhões de euros.

Os “enormes investimentos da China no exterior dão-lhe um acutilante poder”, que usa para “silenciar os críticos”, alertou o Economist.”

Trata-se de um excerto de um óptimo artigo do „Investigate Europe“, um grupo de jornalistas de nove países que investigam conjuntamente temas de relevância europeia.

Artigo especialmente interessante agora que vai ser lançado o concurso para a concessão do novo terminal de contentores do Porto de Sines – líder nacional na movimentação de mercadoria. Os Estados Unidos entram na corrida para esta concessão que já estava na mira dos chineses. Se ganharem, conquistam uma peça que seria fundamental na estratégia de Pequim para construir uma nova Rota da Seda.

Em declarações ao jornal Público, a ministra do mar, Ana Paula Vitorino, confirma o interesse de chineses e americanos na concessão do Terminal de Contentores Vasco da Gama, que será lançada até ao final do mês. “A proposta vencedora será aquela que melhores benefícios ofereça a Portugal, independentemente da origem do operador”, garante.

Nesta escolha propositadamente encolhida, que venha o diabo e se pronuncie.

A derrota da Huawei

Huwaei Mate 30 Pro

Tal como se antecipava, as dificuldades da Huawei face ao bloqueio americano iriam fazer-se sentir mais ao nível dos serviços (Google Play e Google Apps) do que quanto ao acesso a materiais (processadores, sistema operativo, etc.). Chegou o momento da prova de fogo, com a Huawei a apresentar hoje o seu primeiro modelo (Mate 30 Pro) sem que, até agora, se tivesse sabido se este telemóvel terá acesso a aplicações como Gmail, Maps, demais software e serviços da Google. [Read more…]

Regresso às aulas nos EUA

Este vídeo da Sandy Hook Promise, a associação que reúne estudantes da escola de Sandy Hook (Connecticut) e familiares das vítimas do tiroteio que aí aconteceu em 2012, é um murro no estômago.

Só em 2019, houve 28 tiroteios em escolas norte-americanas.