O feudalismo da dívida

A Europa optou por criar liquidez com duas técnicas: 750 mil milhões de euros, dos quais 500 mil milhões serão distribuídos a fundo perdido pelos Estados-membros e os restantes 250 mil milhões via empréstimos.

Empréstimos no valor de 250 mil milhões! Com deliciosos juros para que os imensamente ricos fiquem ainda mais ricos através dos seus empréstimos.

A solução que teríamos antes do euro seria cada estado membro imprimir moeda e colocá-la no mercado. Em consequência, haveria empobrecimento de forma homogénea entre todas as camadas sociais, reflectindo a diminuição da capacidade produtiva trazida pelo confinamento.

Recorrer à emissão de dívida, como tem sido feito nos diversos “resgates” e agora na “solução” covid, produz empobrecimento e enriquecimento selectivos. Os muito ricos ficarão melhor, ao lucrarem com a dívida, e os remediados e os pobres ficarão mais pobres, ao terem mais impostos para pagar e menos regalias. Os fundos que paguem a dívida hão-de vir de algum lado.

Há um séculos, o feudalismo era o instrumento de enriquecimento selectivo. Agora chama-se crise. O resultado é o mesmo. Captura da riqueza individual por parte de um grupo restrito.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    “A solução que teríamos antes do euro seria cada estado membro imprimir moeda e colocá-la no mercado. ”

    A alternativa, que está a ser feita de forma muito limitada nalguns países, é financiar objectivos aumentando directamente as contas das entidades relevantes. Quem tem medo pode sempre emitir dívida a juros perto de 0%; depois de 3 décadas, o Japão nem foi à falência, nem chegou à inflação que era o principal objectivo da coisa. A menos que se acredite que os capitalistas japoneses são tão patriotas que gostam de perder dinheiro, como os que compram dívida alemã negativa. Enfim…
    O empobrecimento é relativo, não falta quem ache que poder ir comer um croissant a Paris e voltar no mesmo dia ou comprar iPhones, tudo a vários meses de crédito, é ser mais rico do que ser dono de uma habitação, comer três refeições por dia e não ter medo de morar na rua em caso de problemas de saúde. Opções…

    • j. manuel cordeiro says:

      Dívida a juros zero e emissão de moeda são parecidos, embora diferentes.

      • Paulo Marques says:

        Sim, até porque raramente é exactamente a zero.
        De qualquer forma, como não menciona o banco central fixar a taxa, fiquei na dúvida qual seria a diferença proposta.

  2. FIlipe Bastos says:

    Convém lembrar que moeda é dívida. O dinheiro é dívida. Este absurdo sistema monetário assenta em dívida perpétua e crescente, onde a ínfima minoria representada na pirâmide do post cria fortunas do ar e obriga países inteiros a pagá-las – mais os juros, que, ao contrário do dinheiro-monopólio da Banca e dos ‘mercados’, saem da economia bem real.

    Qualquer medida que se tome depois da imensa treta chamada covid será no mínimo insuficiente, e provavelmente desastrosa, como diz o post, agravando a já insustentável desigualdade.

    Precisamos de um verdadeiro reset à riqueza, ao dinheiro, à política – uma democracia mais directa – a todas as coisas que estas elites podres jamais permitirão. Até lá, batatas.

    Qual covid. Mais cedo o Sol se transforma em gigante vermelha ou um asteróide nos limpa a todos do que esta canalha admite perder um grama do seu poder, privilégio e riqueza obscena.

    • Paulo Marques says:

      O valor da moeda pode ser ancorado pela criação de obrigações de pagamento internas, mas não é dívida, é um meio de troca. O tal Hamilton que se descobriu na estante empoeirada fêz-lo ao Whiskey, o meio de troca de alguns estados na altura.
      E, tal como nessa altura, no mesmo sítio, mas no período imediatamente anterior, ter dívida para criar moeda não é uma necessidade.

  3. POIS! says:

    Muito bem!

    Sempre que alguém preconiza a necessidade de políticas expansionistas, a nível da UE (seja através da impressão de moeda, seja mesmo pela simples fixação das taxas de juro de referência) enfrenta inevitavelmente os vetos da Alemanha e aliados.

    A explicação mais vulgarmente avançada é o “Trauma da Hiperinflação” que existe em razão do que se passou na República de Weimar. É uma boa desculpa, mas não adere minimamente à realidade. Primeiro porque a origem do fenómeno (há cem anos (!)), nada teve a ver com política económica, o problema foram as criminosas imposições engendradas na Conferência de (“paz”…) Versalhes, que foram objeto de denúncia em devido tempo por Keynes (depois de se demitir da delegação britânica) na sua obra “As Consequências Económicas da Paz”. E segundo porque a hiperinflação supersónica que realmente existiu não durou assim tanto tempo: terminou por volta de 1923 e não foi, ao contrário do que muitos pensam, o único factor nem o principal fator que explica a ascensão de Hitler ao poder.

    Quem tem medo – até terror!- da inflação (e agita o da hiperinflação, como se fosse possível passar-se instantâneamente de valores próximos do zero para 1000 ou 10000 por cento só porque se expande a massa monetária em meia dúzia de euros…) são os rentistas e especuladores que veriam encolher o valor das carteiras de dívidas de longo prazo que constituem a rechoncuda mama da vaca leiteira que os sustenta sem produzirem nada que tenha valor social.

    • Paulo Marques says:

      A hiperinflação aconteceu porque os alemães estavam numa de preferir importações a financiar a produção nacional, até que inevitáveis alterações cambiais fizessem que houvesse pessoas a mais atrás dos bens que estavam acessíveis, tal como a comida produzida internamente. Ops. Os outros incidentes são variações do mesmo.
      Qualquer semelhança com a Eurolândia é pura coincidência, claro.


  4. E cada tótó!
    Os oirões só não querem é que alguém viva melhor que eles. Para baixo só se houver acima quem possam assaltar.

    A esquerdalhada no seu natural.

    • POIS! says:

      Pois sim!

      JgMenos estava realmente a sofrer há alguns dias de prisão de ventre mas, pelos vistos, já aliviou! Mas ficou ainda com um “c” encravado no intestino grosso que pode vir a causar um problema sério! Direi mais: um problema do aralho!

    • abaixoapadralhada says:

      Continuas a repetir a mesma cassete com 50 anos, padreca Jesuita e Sa Lazarento repugnante.

      Diz qualquer coisa nova, para variar.


  5. E o PT, hein, no Brasil?, aquela coisa desgraçada.
    “Muito engana-me, que eu compro”.

    O PT®? Qual o poder constante de sua propaganda ininterrupta?
    Eis:
    Vive o PT© de clichês publicitários bem elaborados por marqueteiros. Estilo do brilhante e talentoso João o Milionário Santana. Nada espontâneo.
    Mas apenas um frio slogan (tal qual “Danoninho© Vale por Um Bifinho”/Ou: “Skol®: a Cerveja que desce Redondo”/Ainda: “Fiat® Touro: Brutalmente Lindo”). Não tem nada a ver com um projeto de Nação.
    Eis aqui a superficialidade do PETISMO:
    0.“Coração Valente©”
    1.“Pátria Educadora™” [Buá; Buá; Buá].
    2.“Pronatec©”
    3.“A Copa das Copas®”
    4.“Fica Querida©”
    5.“Impeachment Sem Crime é Golpe©” [lol lol lol]
    6.“Foi Golpe®”
    7.“Fora Temer©”
    8.“Ocupa Tudo®”
    9.“Lula Livre®”
    10.“®eleição sem Lula é fraude” [kuá!, kuá!, kuá!].
    11.“O Brasil Feliz de Novo®”
    12.“Lula é Haddad Haddad é Lula®” [kkkk]
    13.“Ele não®”.
    14.“Minha Casa, Minha Vida©”
    15.“Saúde não tem preço®”
    16.“Haddad agora é verde-amarelo®” [rsrsrs].
    17.“Rede cegonha©”
    18.“LUZ PARA TODOS™” (kkk).
    19. (…e agora…): “Ninguém Solta a Mão de Ninguém©”
    20.“Água para todos©” (é mesmo?)
    21.“Mais Médicos®”
    22. PT = “Controle social da mídia” [™] (hi! hi! hi!): desejo do petismo.
    23.“Brasil Carinhoso©” [que momento açucarado].
    24.“Bolsa Família®”
    25.“SKOL®: a Cerveja que desce RedondO”.
    PT© é vigarista e aderente ao charlatanismo.
    Vive de ótimos e CALCULADOS mitos publicitários.
    É o tal de: “me engana que eu compro”.
    Produtos disfarçados, embalagens mascaradas e rótulos mentirosos. PT!
    Nós todos apreciamos consumir alguma coisa, com certa constância. Então isso seria bom… Mas não nesse caso. PT é uma farsa, um simulacro.
    Felipe Neto, o Barango: MÁQUINA DE PROPAGANDA DO PT.

  6. POIS! says:

    Pois siga o conselho do Capitão!

    Tome hidrocloroquina que isso passa! Para passar mais depressa, tome o frasco todo!

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