Floyd e a América racista

Copwatch (also Cop Watch) is a network of activist organizations, typically autonomous and focused in local areas, in the United States and Canada (and to a lesser extent Europe) that observe and document police activity while looking for signs of police misconduct and police brutality. They believe that monitoring police activity on the streets is a way to prevent police brutality. [Wikipedia]

Grupos de pessoas organizam-se, nos EUA, para filmar a acção policial porque já sabem que a probabilidade de esta ser violenta e injusta é elevada. Esperam pela reacção da polícia quando essa violência acontece e depois publicam os vídeos se o caso começa por ser abafado.

Foi o que aconteceu com Floyd.

Há assim tanto para investigar?

Floyd junta-se ao rol de vítimas da polícia americana que raramente sai condenada nestes casos – o agente que matou Floyd já tinha cadastro em crimes policiais e continuava no activo. Agora foi despedido, em conjunto com outros três agentes envolvidos, embora a primeira reacção oficial da polícia tenha sido dizer que Floyd tinha morrido “vítima de um acidente médico”. Mas a violência e o racismo foi filmada. [Ana Sá Lopes, PÚBLICO]

Foi o que aconteceu, em 2016, para citar mais um exemplo, com Alton Sterling.

While listening to the police scanner application on his cellphone, Arthur “Silky Slim” Reed heard the makings of what could be a violent confrontation between police and a suspect. Soon after, he rushed to the Triple S. Food Mart in Baton Rouge where two police officers had shot and killed Alton Sterling at point blank range. Reed arrived at the scene where several of his activists filmed the altercation—they immediately knew how significant the footage was, but wanted to wait for police to release a public statement on the shooting. “We wanted to wait to hear what police had to say, and make sure we had enough copies of our videos in the community,” Reed told The Independent, “so that when police did get their hands on the video it wasn’t something that they could destroy.”

The statement never came, so Reed distributed the footage to 125 supporters of Stop The Killing, his anti-violence nonprofit, who published the video on social media and sent copies to The Associated Press, which led to worldwide news coverage and outrage turning the public into key eyewitnesses. It wasn’t long before millions viewed the graphic footage: two officers pinning the 37-year-old Sterling on the ground before at least one officer fired multiple rounds into Sterling’s chest and back. The video is bloody and explicit, but unfortunately nothing new for the anti-violence group, whose filmed more than 30 violent interactions in the community over the years. [Independent, 2016]

Agora, quando a violência veio para a rua depois da morte de Floyd, a reacção mais veemente de Trump foi contra os protestantes nas ruas. Não foi contra a polícia que tentou abafar o caso. As palavras de apoio às vítimas foram meramente circunstanciais, quando comparadas com a violência verbal que usa no Twitter para outros temas e, inclusivamente, contra estes protestantes.

“Any difficulty and we will assume control but, when the looting starts, the shooting starts. Thank you!”, escreveu Trump num tweet. Um comentário com conotação racista.

In 1967, Walter Headley, who was then the police chief of Miami, used the phrase “when the looting starts, the shooting starts” at a press conference while addressing his department’s crackdown on “hoodlums.” He said Miami hadn’t “faced serious problems with civil uprisings and looting because I’ve let the word filter down that when the looting starts, the shooting starts,” according to the Miami Herald. “We don’t mind being accused of police brutality,” Headley added.

Headley was known for cracking down on communities of color with policing policies like stop-and-frisk and his use of patrol dogs.

During the Republican National Convention in Miami Beach in August 1968, violent protests broke out in the predominantly black neighborhood Liberty City. According to The New York Times, Headley repeated the phrase again.

Trump’s tweet — which also referred to protesters as “thugs” — was quickly flagged by Twitter as “glorifying violence.” The White House subsequently tweeted the same language on Friday morning, which was also flagged by the platform.

The president has repeatedly used the word “thug,” which carries its own racial context.

In 2016, in response to the cancelation of his presidential rally in Chicago, he tweeted: “The organized group of people, many of them thugs, who shut down our First Amendment rights in Chicago, have totally energized America!”

He addressed the word’s connotations in an April 2015 tweet after then-President Barack Obama faced criticism for using it, writing, “They now say using the word ‘thug’ is, like so many other words, not politically correct (even though Obama uses it). It is racist. BULL!”

In an interview with NPR on the use of the word “thug” to describe Baltimore rioters after Freddie Gray’s funeral, John McWhorter, associate professor of English and comparative literature at Columbia University, said that “thug” is a polite way of using the “N-word.”

“It is a sly way of saying there go those black people ruining things again. And so anybody who wonders whether thug is becoming the new N-word doesn’t need to. It’s most certainly is,” he said.

He made the case that when African Americans use the word, it takes on a different meaning.

“When black people say it, they don’t mean what white people mean, and that’s why I think Stephanie Rawlings-Blake and Barack Obama saying it means something different from the white housewife wherever who says it,” he said. [abc news, Maio 2020]

Trump recorreu a um bordão racista e a um adjectivo recorrente na sua linguagem (thugs – bandidos) para se referir aos manifestantes. A recorrente violência policial, de carácter racista, que está na origem dos protestos não foi o alvo da sua indignação, tendo-a preferido dirigir aos manifestantes. Tal como faria qualquer outro dirigente racista.

O racista in chief usa as divisões sociais na América para reforçar a sua base eleitoral. Os incentivos à não união que saem das suas palavras são isso mesmo.

Desde que foi eleito, e inclusivamente na campanha eleitoral que o levou ao poder, Trump nunca pretendeu ser o presidente de todos os americanos. Tem-no sido para a essa enormidade de gente racista e conservadora nos costumes e na religião que o elegeu.

Vai continuar a mesma estratégia, usando conflitos em diversas frentes para, possivelmente, conseguir ser eleito. É neste contexto que se percebe antagonização com a China, com a OMS, entre outros.

Dividir a sociedade, radicalizar facções, criar distrações e culpar outros são os pilares da sua reeleição. E, possivelmente, terá sucesso.

Isto não acontece por causa de Trump, apesar de ele ser um contribuinte líquido para estes resultados. Trump está onde está e é o que é porque ele é o reflexo da sociedade racista e conflituosa que o elegeu.

Comments

  1. Pedro Vaz (Nacionalista) says:

    Ó carneirinhos…isto é tudo mais uma operação “chaos manufacturing-chaos management” do sistema e é muito óbvio para quem não é carneiro. Quanto ao Floyd, a polícia AMERdicana mata e abusa MUITOS mais brancos mas acerca disso nada pois os MERDias não querem que assim seja.

    Quanto ao “racismo”…a AMERDIca é racista sim, está obssecada com acabar com os Brancos. De onde é que veio a regra “Nacionalismo para todos menos para os Brancos” (leia-se “anti racismo”)? De onde é que veio a regra que os países brancos tem que ser inundados com não-Brancos? Etc etc? A AMERDica é e sempre foi anti-Branca porque a AMERDica é e sempre foi Sionista.

    • Carlos Almeida says:

      Vai-te curar rapazola.

      E vai chamar carneiro a quem te fez as orelhas

      • POIS! says:

        Ora bem!

        Embora o Vaz tenha sido produzido nos laboratórios da Ovibeja para garantia de pureza. Foi usado material genético de uma ovelha Celta e de um carneiro Visigodo, segundo o certificado de “pedigree” que já por aqui exibiu.

    • Paulo Marques says:

      Claro, sufocar o pescoço até à morte, prender jornalistas, atirar gás pimenta a pessoas paradas, duas pessoas serem arrastadas do carro depois de levar com um tazer, etc não só nunca aconteceu, como acontece todos os dias a pessoas de outras etnias.

  2. Pedro Vaz (Nacionalista) says:

    Ex-presidente Bush concorda com o J. Manuel Cordeiro e o resto da carneirada! E esta heim?

    LOLOL! Membro da sociedade pedo-satanica “Skull and Bones” pois claro…

    • Paulo Marques says:

      O criminoso de guerra ainda tinha alguma decência, mas a desculpabilização do mesmo só podia levar até aqui.

  3. João Paz says:

    Esquece o ataque a quem trabalha (menos 25% de salário dos trabalhadores americanos nos últimos 10 anos) e o aumento brutal das desigualdades socias promovidas quer por “Democratas” quer por “Republicanos” ao longo de muitos anos como um dos maiores (se não mesmo o maior) factor para a eleição do Trump(a) e para a sua possível reeleição Manuel Cordeiro.

  4. Paulo Marques says:

    Nisso têm muito boa companhia “responsável”.

  5. Paulo Marques says:

    Gosto muito da preocupação de eleitores democratas com hipotéticos cortes na segurança social, como se o escolhido responsável não apoie legislação para o fazer à 3 décadas.

Trackbacks

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.