Braga, um município de interesses

Diz-me alguém anormalmente bem informado no coração da cidade, em quem acredito porque devo e não porque seja levado a credenciar intrínseca ou extrinsecamente, que uma Junta de Freguesia de Braga interpôs recentemente uma acção contra o Município, devido a constantes atropelos da edilidade, exemplarmente por omissão ou por inconformidade entre os interesses do munícipe e os do dono do bar, aliás os dos donos dos muitos bares e os muitos munícipes, da zona histórica, donde, aparentemente, a Câmara quer expulsar os moradores que pagam IMI e portagem anual para aceder às garagens das suas residências.
E, se falo em IMI, é porque os moradores da zona histórica de Guimarães, por exemplo, não pagam IMI, algo a que Braga fugiu, vá lá saber-se porquê e com que intenção subliminar, tendo – como tem – uma zona com passado histórico bem propínquo ao da civitas rival minhota, quiçá mais importante que o vimaranense.

A reacção do Dr. Ricardo Rio, de agastamento perante uma alegada traição de um partidário, só não me surpreende porque a minha idade me ensinou que o poder só muito raramente não corrompe: valores, intenções, promessas, personalidade, verticalidade…

início da noite


Este tipo de gente torna-se muito mais sensível a arrazoadas traições ao proselitismo dos seus correligionários do que aos interesses dos munícipes se – e quando – confrontados com interesses instalados. De facto, são apetecíveis, muito ambicionados, extremamente apetitosos, os (muitos) soldos que os empresários do álcool, do barulho e da cozinha fazem escorrer para os cofres municipais, mas, segundo decorre de notícias próximas, também para os bolsos de alguns responsáveis por outros biscates municipais, de licenças a tráfico de influências.
Ora, quando um Presidente de Junta, por mais partidário que seja do líder municipal, atinge o limite e não adia mais a inevitável acção judicial, caem as Convertidas e os andaimes dos Biscainhos…

onde os “anjos” se encontram para a foto


O que espera(va) o Município (máxime o seu Presidente) de um principal de Junta que vê a sua população a envelhecer, doente pelo barulho nocturno sem lei; que assiste diariamente a desordens à lei por mais recursos que os moradores remetam à Câmara; que atura dia após dia pessoas com problemas mentais porque Braga se tornou num poço sem fundo para alguns e num atoleiro para os demais, com conivência dos poderes eleitos para fazerem da cidade um exemplo a seguir e não um paradigma a expurgar? Esperava que o edil, por lealdade proselitista, virasse a cara aos moradores?
Para terminar este libelo, não se pode deixar de falar na(s) Noite(s) Branca(s) deste ano. Proclamada no sítio do Município como a tempestade perfeita, o evento mais que perfeito, foi pena que o investimento das associações culturais e recreativas do concelho, exemplarmente o programa “Dancemos no Mundo”, não tenha tido eco nos funcionários municipais responsáveis por “abrir a porta” às actividades e/ou as arrecadações de material: privilégio absoluto aos que carreavam mais público (noblesse oblige) em prejuízo daqueles eventos que, não obstante merecerem a devoção dos participantes, não mereceram favores: pouco – quase nenhum – público que se cansou de esperar pelo tal funcionário, cerca de 45 minutos, e deixou os dançadores praticamente sozinhos na Praça do Município. Haja respeito, meus senhores!
Já que falámos de respeito, o que dizer do palco de disco-jóquei montado à revelia, mas licenciado pela Câmara, em frente de uma habitação (as colunas debitavam até alta madrugada, muito alta madrugada, mega-decibéis para a entrada de um prédio, mesmo ali, a rebentar os ouvidos dos moradores) sem que o condomínio tenha sido contactado ou lhe tenha sido solicitada autorização?! De que direito, ou abuso, fez uso quem licenciou aquela aberrante estrutura, havendo o Rossio da Sé, a dois passos, onde já estavam montadas estruturas diversas de som e artesanato? Ah… mas os bares estavam ali, coladinhos às colunas do DJ… E isso é que importa ao Município: proteger o consumo de álcool (oxalá fosse só) e o descomedimento. Ora, no estado em que a maioria se encontrava, os dois passos até ao Rossio eram uma canseira danada. Se se pode regurgitar numa soleira de porta, mesmo ali, à distância de um braço, porquê dar mais uns passos para ir vomitar ao Rossio?!
Perante quadros destes, os moradores que se lixem, quem os manda atreverem-se a viver no centro histórico?! Bazem! E, já agora, levantem-se antes do nascer do sol, varram as piriscas, limpem o vomitado, que a rua deve estar limpa quando o astro-rei chegar…

Comments

  1. JgMenos says:

    Que haja interesses, nada mais normal.
    Que haja leis e saber quem as não cumpre e quem as não faça cumprir, é provavelmente a matéria a tratar.

    • Paulo Marques says:

      Este já não é xulo?

      • JgMenos says:

        Fez a diferença para um dos mais chulos do partido dos chulos!

        • POIS! says:

          Pois…e o que vale…

          É que é uma chulice desinteressada.

          Mas podia ser interessada. Que haja interesses, nada mais normal, pelo Menos é o que pensa o anormal.

        • Paulo Marques says:

          Fico à espera que elabore.

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