Deputados de outro patrão

O Diário de Notícias avançou ontem que cerca de um quarto dos deputados portugueses trabalha para outro patrão que não o povo e o Estado português. Desses 59 deputados em regime de não-exclusividade, a maioria exerce advocacia, sendo que muitos deles representam escritórios com interesses que, não raras vezes, estão em conflito directo com o Estado e o país. Outros são avençados do Estado e das diferentes autarquias, participando, directa e indirectamente, nos mais variados negócios e na produção de leis. Outros ainda, que não são advogados, trabalham para empresas com interesses em comissões parlamentares das quais fazem parte. Mas não se passa nada. O problema são os familiares e os boys do bloco central. Os impolutos deputados que decidem sobre o nosso dinheiro, em função dos interesses de outros patrões, são para ser deixados em paz. Era o que mais faltava, não poderem fazer pela vidinha com o dinheiro da malta que vive acima das suas possibilidades.

Da responsabilidade financeira reintegratória

Na sequência de notícias vindas a público dando conta de que o Governo teria incluido no Orçamento de 2017 uma norma que desresponsabilizava os autarcas por “dinheiro mal gasto em que tenham tido pareceres favoráveis dos serviços da autarquia”, o Ministro Adjunto emitiu ontem um comunicado no qual esclarece que “A proposta de Orçamento do Estado para 2017 equipara os autarcas aos restantes titulares de cargos políticos designadamente aos membros do Governo. São assim responsáveis civil, financeira e criminalmente pelos atos praticados bem como no julgamento da conta da autarquia”.

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