O pobre da Jonet

O pobre também é uma pessoa e as pessoas são todas diferentes umas das outras, normalmente para pior. Há pobres e pobres, naturalmente, mas já lá iremos.

Para os privilegiados como eu, o pobre é uma abstracção que, às vezes, sai da sombra das ideias distantes e aparece nas esplanadas, a fazer aquelas coisas de pobres, como não ter tomado banho ou pedir dinheiro, que é algo que os pobres insistem em não ter, como o banho.

A consciência do meu privilégio obriga-me, de uma maneira geral, a perceber que mal posso imaginar o que seja ser pobre, porque, entre uma ou outra dificuldade, a comida está no prato e o colchão não é nada mau. Do mesmo modo, aprendi a ter vergonha de usar a palavra ‘fome’, quando o meu mal é ter saltado uma ou outra refeição porque fiquei à conversa com um amigo que, não por acaso, raramente é pobre.

Ser pobre implica, imagino eu, depois de raciocinar, ter dificuldades em pagar contas. Mais: implica frequentemente não conseguir pagar contas, negociar adiamentos, pedir empréstimos baixíssimos para ter luz em casa. O pobre e o dinheiro existem, mas raramente coexistem: onde está um, não está o outro, num jogo das escondidas em que o dinheiro raramente aparece, fugindo divertido enquanto o pobre está encostado a contar até dez, antes de ir à procura de um adversário tão esquivo.

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Ainda bem que não somos os EUA

Luís é um professor português que decidiu visitar Nova Iorque. Tragicamente, sofreu um aneurisma durante a estadia, foi internado e operado nos EUA e adquiriu imediatamente uma divida de 150 mil euros, porque o seguro só cobre até 30 mil.

Não sei quanto a vós, mas democracia americana, com a maior economia do mundo e o pior sistema de saúde público do mundo desenvolvido é, em bom rigor, uma democracia de merda. E o exemplo acabado daquilo que nos acontecerá se nos deixarmos levar pelo conto do vigário neoliberal, que tudo quer privado.

E sim, até o nosso SNS é melhor que aquela porcaria que eles lá têm. Mesmo de rastos, mal gerido e descapitalizado como está agora. Mil vezes melhor.

Mil.

Braga, um município de interesses

Diz-me alguém anormalmente bem informado no coração da cidade, em quem acredito porque devo e não porque seja levado a credenciar intrínseca ou extrinsecamente, que uma Junta de Freguesia de Braga interpôs recentemente uma acção contra o Município, devido a constantes atropelos da edilidade, exemplarmente por omissão ou por inconformidade entre os interesses do munícipe e os do dono do bar, aliás os dos donos dos muitos bares e os muitos munícipes, da zona histórica, donde, aparentemente, a Câmara quer expulsar os moradores que pagam IMI e portagem anual para aceder às garagens das suas residências.
E, se falo em IMI, é porque os moradores da zona histórica de Guimarães, por exemplo, não pagam IMI, algo a que Braga fugiu, vá lá saber-se porquê e com que intenção subliminar, tendo – como tem – uma zona com passado histórico bem propínquo ao da civitas rival minhota, quiçá mais importante que o vimaranense. [Read more…]