“Nosso Senhor não é mouco!”, disse a beata-mor

Persona 1 – Profissional feminino de igreja – no sentido depreciativo tão bem definido pela Infopédia – dando-se ares de sua dona, tem um ar acentuadamente masculino: na forma como se move, nos gestos, no corte de cabelo curto, no ar alegadamente piedoso como se curva profundamente perante o altar-mor da Igreja dos Terceiros, a arrogância de certas atitudes, o tom de voz…
Persona 2 – Uma pobre mulher, que se lhe vê nos sacos de plástico e na forma como os acarreta no suor de uma manhã de Verão exagerado, no ar doente, de maladias diversas e de diversos foros, desde logo o mental, no tom de voz que se afazeu desagradável na vida que o universo a obrigou a levar e lhe retira o sossego com que tem direito a viver, todos – aliás – temos direito a viver. [Read more…]

O Capitão e a Rainha

Sabem quantos dias de luto nacional foram decretados quando o capitão Salgueiro Maia faleceu?

Zero.

Zero dias de luto nacional pelo homem que desceu a Rua do Arsenal desarmado e enfrentou os tanques de Junqueira dos Reis.

Assim elogiou Portugal um dos grandes heróis da democracia, o que não surpreende, ou não fosse Cavaco Silva primeiro-ministro, o mesmo que atribuiu pensões vitalícias a ex-PIDEs e a recusou a…. Salgueiro Maia.

Agora, 30 anos depois da morte do último grande herói, assisto, perplexo, ao decretar de 3 dias de luto nacional pela rainha de Inglaterra, sem perceber muito bem porquê. Ou talvez se perceba: o luto nacional, como outras ferramentas protocolares ao serviço de quem governa as várias instituições deste país, não passa de um privilégio que os privilegiados usam para privilegiar as suas castas. Corrijam-me se estiver enganado, mas não me recordo de nenhum serviço prestado por Elizabeth II à REPÚBLICA portuguesa que justifique tal honra.

Vocês recordam?

A verdade, inegável, é que este país deve mais a Salgueiro Maia do que à rainha, ao Cavaco, ao Costa e a toda a casta de privilegiados que se privilegia entre si. Todos juntos não valem uma unha do capitão.